Entrevista com Cesar Maia sobre Margaret Thatcher

Ex-Blog: Quando você era secretário de fazenda,(1983-1986) mantinha em seu gabinete um quadro com a foto de Margareth Thatcher. Por...



Ex-Blog: Quando você era secretário de fazenda,(1983-1986) mantinha em seu gabinete um quadro com a foto de Margareth Thatcher. Por quê? 

CM – Pela enorme admiração por quem tinha o sentido da história, decidia coerente com o que pensava e defendia, sem ficar olhando as pesquisas de opinião. Mergulhei na vida política dela e aprendi muito.

Ex-Blog: Com as ideias liberais dela?

CM – Apesar das ideias econômicas dela terem o maior destaque na imprensa e nos debates, eu me fixava na política. Porque ela vencia eleições sem recorrer ao palanque ou ao discurso fácil? Aprendi com ela o caminho da MICRO-POLÍTICA. Passei a ler e adotar. E levava comigo uma frase dela: ”- Sempre há um novo começo”.

Ex-Blog: Você a conheceu pessoalmente?

CM – Fui convidado em janeiro de 1986 pelo governo britânico a fazer um estágio no Reino Unido sobre finanças públicas e política. Era um momento de grande confronto político e sindical. O grande sindicato dos gráficos se negava a introduzir a informática. Parou os jornais. Fui convidado para ver Margareth Thatcher atuando duas vezes no parlamento. Naquela época o primeiro-ministro tinha que ir uma vez ou duas vezes por semana ao parlamento responder perguntas diretas do líder e de deputados de oposição. Eram 10 a 15 minutos, que pareciam 2 horas. O debate era sobre a greve dos gráficos. Thatcher foi impressionante: –Vocês ficam com o passado e eu fico com o futuro, dizia. E em torno desse tema debatia entregando a oposição aos serviços de arqueologia.

Ex-Blog: Que biografia recomendaria de Thatcher?

CM- Poderia recomendar –dela mesma- “Os anos de Downing Street”,(endereço do primeiro ministro britânico). Mas prefiro recomendar o monumental vídeo-documentário da BBC com duas parte e seus capítulos, de entrevistas com Margareth Thatcher. Apresentei trechos muitas vezes em reuniões mensais que fazia com o secretariado e em reuniões políticas. A última parte –quando seus pares forçam sua renuncia- me ajudou muito, anos depois. Na época não havia o vídeo legendado em português, e contratei a tradução/ legenda. Um político, ao ver essa entrevista, muda de patamar. Se existe uma causa para os meus seis mandatos, essa causa está aí.