Síria: 10 anos após o início da guerra,

Por Cesar Maia.

Palavras de ordem escritas por adolescentes na parede de um colégio foram o pontapé inicial para a Guerra da Síria. O grupo foi preso e torturado e levou a população a se revoltar e a protestar contra o governo do ditador Baschar Al-Assad. Como resposta ao protesto, as
forças policiais e de segurança do governo reagiram duramente contra a população civil, causando diversas mortes. Diante do acontecido, líderes civis e cidadãos comuns pediram a renúncia de Assad.
Na ocasião, a região do Oriente Médio era palco de uma onda de protestos que ficaram conhecidas como Primavera Árabe. Em alguns casos, como o da Líbia, o presidente chegou a ser afastado. Não foi o caso da Síria, que teve um aumento gradativo nos protestos e,
consequentemente, na repressão por parte do governo. Já se passaram dez anos desde então, já que o dia 15 de março foi escolhido como o início dos conflitos que, segundo estimativas, já teve mais de 400 mil mortes ao longo desse tempo.
O presidente Bashar al Assad esteve perto de deixar o poder, mas o apoio da Rússia foi fundamental para que isso não ocorresse. Apesar da situação ainda não estar totalmente pacificada, o governo sírio controla atualmente mais da metade do território do país. A falta
de uma autoridade reconhecida de forma plena contribui para essa falta de estabilidade, ou seja, a Síria segue se equilibrando de forma precária. Os conflitos pontuais que vinham acontecendo no norte do país terminaram após um acordo entre a Turquia e a Rússia, dias antes da pandemia dominar o cenário mundial e agravar ainda mais a crise econômica que se instalou de forma crônica no país. A moeda
síria perdeu quase 50% de seu valor, trazendo alta na inflação e escassez de produtos, inclusive gêneros de primeira necessidade.
Infelizmente ainda não existem previsões para o término da crise na Síria, mas especialistas apontam que as chances do país continuar instável por muitos anos, a exemplo do que acontece com Iraque e Afeganistão, é muito grande. Os protestos em favor da democracia,
contra a corrupção e pela diminuição da desigualdade social, jamais foram atendidos.

Cesar Maia, economista, vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e diretor de assuntos internacionais do ILEC.