Série “Pensadores”: Milton Friedman, Por Ighor Branco.

Dando continuidade à série sobre pensadores, o escolhido de hoje é Milton Friedman. Segundo o economista, “Ninguém gasta o dinheiro dos outros com tanto cuidado como gasta o seu próprio.”

Vencedor de um Nobel de Economia, o pensador norte-americano é conhecido por sua pesquisa sobre a análise do consumo, a teoria e história monetária. Friedman defendia que, se a sociedade almeja por progresso, com eficiência e utilização assertiva do conhecimento, precisa apoiar a iniciativa privada.

Assim, os indivíduos seriam os principais tomadores de riscos e agiriam com maior responsabilidade nas decisões econômicas. No entanto, essa visão de Friedman não exclui o importante papel do Estado.

Pensando sobre a desigualdade e a pobreza, Friedman também foi um dos maiores proponentes do “imposto de renda negativo”; a ideia de que indivíduos cuja renda fosse menor do que um determinado valor recebesse pagamentos suplementares do governo, em vez de pagar impostos ao governo.

Ou seja, algo semelhante a um programa de renda básica universal, que está em discussão recente no Brasil, nos moldes do Bolsa Família.

Para saber mais sobre essa e outras contribuições do pensador, acesse o nosso site e leia o texto na íntegra.

Série “Pensadores”: Milton Friedman

Tido como um dos maiores economistas de todos os tempos, Milton Friedman ficou conhecido tanto pela sua produção acadêmica, como pelas aparições no debate público, com obras de amplo alcance sobre políticas públicas e em defesa do livre mercado.

Norte-americano, filho de imigrantes judeus, e um dos principais representantes da escola econômica de Chicago, Friedman teve a maior parte da sua formação nas áreas da economia e da estatística. Desse modo, redigiu livros importantes como Capitalismo e Liberdade (1962) e Livre para Escolher (1980), obra oriunda de uma série de televisão americana apresentada pelo autor que sintetiza seu pensamento liberal.

PRINCIPAIS BANDEIRAS

Crítico ferrenho das economias planificadas, ou seja, dos sistemas econômicos cuja produção é controlada pelo Estado, Friedman ancorou suas contribuições teóricas no argumento de que a liberdade econômica e a liberdade política são faces da mesma moeda. Nesse sentido, o economista foi um dos poucos pensadores que ultrapassou os muros das universidades e produziu obras direcionadas ao grande público.

Friedman defende que um sistema privado saudável naturalmente supervisiona o poder estatal, sendo mecanismo fundamental para as liberdades individuais. Assim, num mercado verdadeiramente livre, a eficiência econômica independe de características irrelevantes para o comércio como raça e/ou religião. O comerciante que favorecer um grupo em detrimento de outro estará em desvantagem, com menos opções de venda/compra, se comparado a outro que aceitar todos os clientes e fornecedores possíveis. Isso, em si, não exclui questões sociais como o racismo, mas contribui para a autonomia das pessoas.

Ademais, numa sociedade comunista, onde o Estado controla tudo com a “melhor” das intenções de proteger os cidadãos, a configuração espontânea do mercado é deixada de lado e os bens, serviços e informações não suprem todas as demandas capilares da sociedade, o que só ajuda a restringir a liberdade individual.

POBREZA E RENDA BÁSICA UNIVERSAL

No que diz respeito a questão da desigualdade e da pobreza, Friedman introduziu no debate econômico a ideia de substituição do sistema de assistência social tradicional por um modelo de “imposto de renda negativo”, em que as pessoas que tivessem renda menor a determinado valor recebessem impostos ao invés de pagar.

Este é um modelo de política social pró-mercado, que tem como foco os indivíduos, uma vez que a grande vantagem é que se exclui o poder discricionário do governo, porque a decisão sobre o que fazer fica na mão dos beneficiários, ou seja, do povo. Tal configuração é uma inspiração para o programa brasileiro Bolsa Família. Dessa forma, a política pública tida como de esquerda no debate público nacional é na verdade de origem liberal.

Nessa perspectiva, o empoderamento dos indivíduos é fomentado, uma vez que se incentiva a capacidade de decisão e escolha dos mais pobres, enquanto há uma ajuda direta na luta contra a miséria. Por consequência, com mais liberdade e participação no mercado, os mais pobres passam a ter mínimas condições para inovar, poupar, investir e se capacitar, o que abre o caminho da prosperidade e permite com que as pessoas não necessitem mais de auxílio governamental.

No fim das contas, ao adotar um modelo liberal de política social, Friedman defende a confiança nas pessoas. Isso é menos custoso para a sociedade e atinge objetivos de forma mais eficiente.

LIÇÕES

Por fim, o principal fundamento da linha de pensamento do economista é que todos os indivíduos devem ter direitos iguais e igualdade perante a lei. No entanto, isso não implica necessariamente em igualdade de riqueza. Ou seja, o enriquecimento de todos sistema capitalista é consequência natural das liberdades, não de um objetivo maior. Assim, o propósito do sistema defendido por Friedman reside no reforço das liberdades individuais, onde as pessoas são livres para escolherem a vida que querem viver, arcando as consequências de suas escolhas.

Milton Friedman é fundamental não só para repensar políticas públicas e econômicas, mas também para refletir sobre o lugar da liberdade na nossa sociedade.

Ighor Branco, acadêmico de Ciência Política da UFPE. 

FONTES:

- FRIEDMAN, Milton. Capitalismo e Liberdade. 1ª Edição. Brasil: LTC, 4 agosto 2014.

- FRIEDMAN, Milton. Livre para escolher: Um depoimento pessoal. 10ª Edição. Brasil: Record, 23 junho 2015.

- Ebenstein, Alan O (2007). Milton Friedman. a biography. Nova Iorque: Palgrave Macmillan. pp. xi, 286.

- Milton Friedman - o economista e ganhador do Nobel (suno.com.br)

- Quatro textos para entender Milton Friedman (mercadopopular.org)