Série “Pensadores”: Ludwig Von Mises, Por Ighor Branco.

Liberal e tido como um dos economistas mais populares do mundo, Ludwig Von Mises tornou-se líder e principal nome da Escola Austríaca de Economia, à qual principal bandeira estava na defesa do laissez-faire, no combate às ideias socialistas e ao intervencionismo estatal.

Com formação nas ciências econômicas na Universidade de Viena, Mises foi fortemente influenciado por Carl Menger e Eugen von Bohm-Bawerk – primeira geração de economistas da corrente austríaca. Filho de pais judeus, Mises trabalhou na 1ª Guerra Mundial como um profissional administrativo e membro do Departamento de Guerra da Áustria e migrou na 2ª Guerra Mundial para os EUA com o apoio da Fundação Rockfeller, temendo a ameaça fascista.

Lecionando durante toda sua vida, Mises tornou-se um dos liberais mais famosos do mundo, não só pelos seus achados teóricos, mas pela forma com que atingiu o grande público com suas ideias e defesa da liberdade.

AS SEIS LIÇÕES

“Seis lições” é um dos livros mais conhecidos de Mises – famoso entre liberais brasileiros, sendo curto e de simples compreensão. O texto é a transcrição de um conjunto de palestras realizadas em Buenos Aires, capital da Argentina, em 1958. A produção está dividida em seis tópicos: o capitalismo, o socialismo, o intervencionismo, a inflação, o investimento externo e a relação entre política e ideias.

1º – “O capitalismo é o sistema que melhor gerou e distribuiu riqueza e qualidade de vida na nossa história”:

Segundo o autor, basta olhar para a história e perceber que o sistema econômico que mais conseguiu desenvolver a sociedade e, por consequência, dar melhores condições de vida para as pessoas, foi o capitalismo. Com avanços, até mesmo, na garantia dos direitos civis e políticos, tendo em vista que o capitalismo precisa de uma estrutura institucional para funcionar.

2º – “O socialismo limita todas as nossas liberdades (e não apenas as econômicas)”:

De acordo com o economista austríaco, seria improvável de conceber uma sociedade democrática segundo às ideias socialistas – uma vez que o próprio pressuposto seria uma conformidade social que estaria sobreposta aos direitos e interesses individuais. Nesse sentido, não só a economia seria planificada e planejada, assim como o funcionamento das relações sociais.

3º – “O intervencionismo econômico leva, a médio e longo prazo, ao completo controle da economia”:

Para Mises, mesmo num regime democrático com a estrutura econômica do capitalismo, a intenção estatal poderia ser gradualmente elevada até tomar o total controle da economia. Nesse sentido, seria papel das instituições frear o ímpeto intervencionista, tendo o Estado apenas como garantidor das atividades, com o poder de influência mínimo necessário nas relações econômicas.

4º – “A emissão descontrolada de moeda para financiar os gastos do governo ou criar empregos de modo artificial leva a um ciclo inflacionário”:

Segundo o economista, o crescimento indiscriminado dos gastos de governo sustentados pela emissão descontrolada da moeda geraria um quadro indesejado de inflação. Ou seja, o governo não poderia colocar simplesmente mais dinheiro na economia, através da simples impressão, porque essa ação geraria um aumento na demanda o que culminaria no aumento dos preços, que se configura num quadro inflacionário – o poder de compra diminui mesmo com o valor nominal ampliado. Nesse sentido, o aumento do gasto do governo deve estar diretamente ligado ao aumento da produtividade – seja de bens ou serviços – ou até de descoberta de novas fontes de riqueza – como uma reserva de petróleo.

5º – “O investimento externo é o grande mecanismo de desenvolvimento de países”:

Em mais uma sentença, Mises coloca que o desenvolvimento de um país passa, necessariamente, pela abertura ao capital estrangeiro, ao passo que a sociedade ganha com avanços tecnológicos e com investimento de capital que impacta positivamente na geração de empregos e circulação da economia. Nesse sentido, a abertura ao investimento externo seria um dos principais motores para o avanço das economias de todo o mundo.

6º – “A liberdade sempre vencerá”:

Por último, o filósofo austríaco argumenta que a liberdade seria o mais básico e fundamental princípio humano e que, em consequência disso, por mais que alguns tentem constranger e cercear essa pré-disposição, esse estado seria atingido. Mises enxerga a liberdade como fator inicial e final do processo de desenvolvimento da sociedade.

LEGADO

Ludwig Von Mises foi responsável, junto com outros notáveis já tratados aqui, como F. A. Hayek, Karl Popper e Milton Friedman, pela fundação da Mont Pèlerin Society, uma organização que reúne filósofos, políticos e economistas globais pela defesa dos pilares básicos do Liberalismo, como o livre mercado, a liberdade de expressão, uma sociedade aberta, entre outros.

Atualmente, a Sociedade conta com mais de seiscentos membros efetivos, incluindo economistas como o teórico das externalidades Ronald Coase, empreendedores como o brasileiro falecido Henry Maksoud e líderes globais. Portanto, a produção intelectual e o legado do economista austríaco estão preservados e servem como referencial para o desenvolvimento do liberalismo.

Ighor Branco, acadêmico de Ciência Política da UFPE. 

FONTES:

- MISES, Ludwig Von. As seis lições. Brasil: LVM Editora; 9ª edição (16 abril 2018)

- MISES, Ludwig Von. Ação humana. Brasil: LVM Editora; 3ª edição (1 janeiro 2010)

- Mises e as seis lições para a liberdade • LIVRES (eusoulivres.org)

- Liberalismo, de Ludwig von Mises (experienceclub.com.br)

- Pequeno Guia para Ludwig Von Mises: saiba quem foi e conheça sua obra (studentsforliberty.org)