Série “Pensadores”: Friedrich Hayek, Por Ighor Branco.

Detentor de um Nobel de Economia e tido como um dos economistas mais influentes do mundo, Friedrich Hayek é conhecido pela defesa ampla do liberalismo e por suas pesquisas feitas sobre teoria monetária e flutuações econômicas. Junto com Ludwig Von Mises, é um dos principais expoentes da Escola Austríaca de economia.

Além disso, Hayek também elaborou trabalhos de filosofia e sociologia, que em grande parte foram influenciados pela sua participação em grupos de estudos em diversas universidades e pelos textos de Tocqueville, pensador político francês, a quem o austríaco era fã. Além disso, por ser contemporâneo das grandes guerras, parte do ativismo intelectual Hayek foi dedicado ao combate ao totalitarismo e aos regimes não liberais, como o socialismo.

PRINCIPAIS BANDEIRAS

 Hayek, assim como outros autores, flertou com o socialismo durante a juventude. No entanto, ao passo que ganhou maturidade intelectual na universidade, passou a questionar com mais intensidade as medidas “revolucionárias” propostas pelos autores e colegas socialistas. O ponto forte de virada foi o paralelo que o autor traçou entre o nacionalismo que assolava a Europa e as crescentes ideias socialistas.

Assim, a partir da obra, O caminho da servidão, Hayek abraçou de vez as ideias liberais. Nesse sentido, o livro teve como principal motivação o contraponto à força que as ideias socialistas estavam ganhando na Inglaterra. O argumento básico, de caráter econômico, está assentado na ideia de que o aumento do controle do mercado nas mãos do governo leva ao totalitarismo. Ou seja, o aumento da regulação da economia, na sua visão, não era algo que poderia ser separado do controle de outras partes do nosso dia a dia, o que implicaria diretamente na perda gradual das liberdades individuais.

Com isso, um sistema econômico planificado não seria só maléfico do ponto de vista material, com aumento da pobreza e desemprego, mas também seria negativo para os direitos individuais, uma vez que o controle em excesso em um dos aspectos da sociedade culminaria nos outros. Hayek, então, dedicou a vida a mostrar os malefícios desse tipo de sistema político, tanto do ponto de vista econômico, como filosófico, e defendeu com afinco os princípios liberais que, segundo ele, estruturam as democracias de todo o mundo.

O NOBEL E A TEORIA DA MOEDA

 A premiação com o título mais alto da intelectualidade mundial foi concedida a Hayek por conta dos seus achados econômicos a respeito da moeda. A ideia central era a de que os preços continham sinais de informação, como preditores de tendências, que promoveriam ajustes equilibrados e espontâneos dentro de uma sociedade de mercado.

Assim, de maneira contrária, a intervenção estatal na economia poderia gerar falhas, levando, eventualmente, a tomadas de decisão negativas. Como efeito último, isto resultaria em recessões econômicas e desemprego. Em outras palavras, para Hayek os preços transmitem conhecimento com o intuito de que a economia funcione adequadamente, mas essa engrenagem poderia ser distorcida por ações governamentais.

HAYEK VS KEYNES

De maneira diferente, o também conhecido e premiado economista inglês, Keynes, era contrário à nacionalização de toda a economia defendida pelos socialistas, mas considerava papel do governo estimular o crescimento. O seu argumento era de que única forma para superar um quadro de alto desemprego e de baixo consumo seria a partir de uma intervenção governamental de larga escala e com gastos públicos.

No entanto, Hayek contra-argumentava ressaltando que tais medidas resultariam em inflação e que os ajustes do mercado — como se referia à recessão e ao desemprego — eram uma parte inevitável do ciclo econômico, sobretudo, quando empreendedores realizavam investimentos ruins.

Assim, a sugestão do austríaco seria permitir que o sistema se recuperasse naturalmente, à medida que as intervenções artificiais defendidas por Keynes apenas adiavam e agravavam uma correção necessária. Portanto, por mais paradoxal que soe, a solução mais assertiva para lidar com uma crise gerada pelo próprio governo, segundo o autor, seria “não fazer nada”.

UM DEMOCRATA FERVOROSO

Por último, Hayek também defendeu durante sua trajetória pública e intelectual que o liberalismo deveria ter como pressuposto a reponsabilidade acerca das escolhas individuais. Decerto, ao contrário de outros teóricos que tomaram posições mais radicais com o passar dos anos, Hayek sempre fez questão de reforçar a ideia de que a liberdade seria o caminho ideal para resolver os problemas da sociedade.

Ighor Branco, acadêmico de Ciência Política da UFPE. 

FONTES: 

- HAYEK, F.A. O Caminho da Servidão. LVM Editora; 6ª edição. 1 janeiro 2010 

- HAYEK, F. A. The Constitution of Liberty. 17ª Edição. USA: University of Chicago Press. 1 abril 2011

- The Prize in Economics 1974 - Press release - NobelPrize.org 

- Hayek e o caminho da servidão • LIVRES (eusoulivres.org) 

- Hayek: descubra as ideias de um dos fundadores da escola austríaca (suno.com.br)

- Friedrich August von Hayek: A escola austríaca no topo do mundo | Terraço Econômico (terracoeconomico.com.br)