O pós pandemia.

Por Cesar Maia.

O jornal inglês The Economist fez uma interessante matéria sobre os desdobramentos ocorridos depois de grandes crises. Traz com o exemplo o surto de cólera ocorrido na França, por volta dos anos 1830, e todo o cenário de caos que se instalou na ocasião. Com o fim da pandemia, houve uma retomada da economia e a França iniciou sua revolução industrial. Apesar disso, a instabilidade política gerada pelo agravamento das desigualdades sociais, continuou nos anos seguintes.

O artigo mostra que atualmente, ainda que a pandemia da covid-19 siga causando estragos nos países mais pobres, os países mais ricos se encontram na expectativa de um boom pós-pandemia. As vacinações em massa, possíveis graças as condições econômicas desses governos, seguem reduzindo as internações e mortes causadas pelo vírus. Para ilustrar esse cenário, citaram analistas que disseram ao periódico que somente a economia dos Estados Unidos da América crescerá mais de 6% este ano, crescimento esse maior do que no período prépandemia.

Intrigados com esse cenário, economistas recorreram a história para tentar desvendar o que está por vir. A resposta é que, em crises não financeiras, como guerras e pandemias, o PIB tende a voltar ao que era antes desses acontecimentos. A crise incentiva as pessoas a buscar novas formas de lidar com suas necessidades, o que de certa forma reajusta a estrutura da economia. Outro comportamento detectado pelos “economistas historiadores” é que nesse tipo de pandemia as pessoas tendem a agir de forma semelhante, economizando dinheiro de maneira “forçada” uma vez que as oportunidades de gastar estão reduzidas. O artigo dá três exemplos ocorridos nos séculos XIX e XX.

Um surto de varíola na Grã-Bretanha, na década de 1870, a 1º Grande Guerra, e a gripe espanhola em 1919/1920. Nos três casos a taxa de poupança dos britânicos, japoneses e americanos, respectivamente, mais que dobrou. Com isso, quando as coisas voltam ao normal, as pessoas tendem a gastar mais, e ainda que não tenham sido registrados excessos, já seria suficiente para ocasionar uma recuperação no emprego. O jornal aponta dados de um estudo recente do Banco Goldman Sachs, mostrando que entre 1946 e 1949, os consumidores
americanos gastaram somente 20% do que haviam economizado.

Por outro lado, apesar de gastos considerados supérfluos diminuírem após situações de instabilidade, existe uma tendência a surgirem novas formas de se ganhar dinheiro. O sentimento de perda inevitável existente durante uma pandemia pode se transformar em ousadia para novas experiências. Finalmente, o artigo aponta para outro comportamento criado a partir das pandemias: o aumento de capital por conta de iniciativas políticas relacionadas ao sofrimento da população. Quando isso ocorre, os trabalhadores se tornam o foco principal, com a formulação de políticas que tendem a priorizar a diminuição do desemprego do que reduzir a dívida pública ou evitar a inflação.