Líderes de direita perdem popularidade no Leste europeu

Por Cesar Maia.

Atualmente, a fotografia política do leste europeu revela que parte de seus líderes políticos representa o pensamento de direita. A vitória, em 2016 nos EUA, de Donald Trump, provavelmente potencializou essa tendência. E mesmo não tendo tido sucesso em sua reeleição, no ano passado, a tendência direitista não recuou no leste europeu. Apesar disso, a popularidade de seus líderes vem sendo um problema a ser enfrentado por esses governos, já que a cada dia que passa, deixam de contar com a simpatia de suas populações.

Vários são os fatores para que isso esteja ocorrendo, mas vale destacar que as medidas de isolamento adotadas pelos governos para a contenção da pandemia do coronavírus, e a baixa efetividade das ações que vem sendo tomadas, tem contribuído para aumentar essa percepção. Além disso, a forma como a estratégia de governo é constantemente alterada, serve para alimentar o descontentamento
desses eleitores. Isso vem ocorrendo principalmente na Hungria, Polônia e Eslovênia.

Os índices de popularidade dos chefes de governo desses países vêm caindo, e os aliados já começam a se afastar. O líder esloveno Janez Jansa, por exemplo, está tão enfraquecido que opositores dizem que a única trincheira que restou foi a do Twitter, ferramenta bastante explorada por ele. Provavelmente ainda é cedo para descartar os líderes populistas de direita daqueles países, mas vale fazer esse
acompanhamento. Esse populismo de direita, frequentemente associado a um nacionalismo exacerbado, começa a enfrentar mais um problema, que vem a ser a mudança de estratégia de seus principais adversários.

Se antes divididos, esses grupos de oposição agora estão unindo forças, apontando outra característica interessante dos populistas de direita: ao mesmo tempo em que foram eficientes para construir uma base leal, fizeram com que os opositores deixassem as diferenças de lado, ainda que temporariamente, para se mobilizar conjuntamente contra eles. Parece que a onda que tomou conta do leste europeu vem perdendo força, apesar da polarização ainda ser real, com algumas pessoas adotando posturas ainda mais extremistas do que nos Estados Unidos da América.