Eleições presidenciais no Equador,

Por Cesar Maia.

O Equador teve eleições presidências no mês de abril. Vários fatores determinaram a derrota do candidato Andrés Arauz, entre eles a sombra do ex-presidente Rafael Correa, a aliança com o líder indígena Jaime Vargas e o desempenho no debate oficial ocorrido no
segundo turno. Apesar de não ser a primeira vez na história do Equador que um candidato vencedor no primeiro turno acaba perdendo as eleições no segundo turno, certamente foi uma surpresa para Andrés Arauz, ex-candidato correísta da coligação União pela Esperança (UNES), que liderou o primeiro turno com 32%, contra quase 20% de Guillermo Lasso, candidato da coligação Criando Oportunidades (CREO).

No segundo turno, Lasso venceu a disputa presidencial com uma confortável vantagem de cerca de cinco pontos percentuais,
terminando com 52,47%, enquanto Arauz teve 47,53%. O resultado das eleições no Equador foi um duro recado para as forças correistas, e mostra o surgimento de um novo cenário político no país. Fundamental nesse resultado foi o guru eleitoral Jaime Durán Barba, que ajudou a construir uma nova estratégia para a candidatura de Lasso, montando uma equipe multidisciplinar, com especialistas políticos, especialistas em redes sociais, relações públicas e multimídia, que transformaram radicalmente a imagem, o discurso e a proposta de Lasso para o segundo turno. Jaime Barba já havia sido peça fundamental na vitória eleitoral de Mauricio Macri, na Argentina, em 2015, contra o kirchnerismo que estava no poder há 12 anos.
Acredita-se que Barba tenha sido o criador da hashtag #AndrésNoMientosOtraVez (Andres não minta novamente), que viralizou nas redes sociais após o debate presidencial. Apesar de não admitir a autoria, ele dizia que este slogan não poderia ser considerado uma “campanha suja”, e sim um “meme”, uma piada. Ele previu ainda que Lasso ganharia as eleições por cinco pontos percentuais de diferença, e disse ainda que a campanha no primeiro turno foi feita em cima de ideias econômicas, o que não é bem recebido pelos eleitores, e por conta disso Arauz teria se saído melhor.
O novo presidente do Equador tomará posse no próximo dia 24 de maio, e terá pela frente muitos desafios, entre eles a forma como conduzirá o combate a pandemia de coronavírus que assola o país, com apenas 1% da população vacinada e um sistema de saúde em
situação preocupante. O encolhimento do PIB, que diminuiu cerca de 7,8% no último ano, e a dívida externa do Equador, que já passa dos 17 bilhões de dólares, completam o pacote de problemas a serem administrados.

Cesar Maia, economista, vereador ex-prefeito do Rio de Janeiro, diretor de assuntos internacionais.