Ninguém no mundo quer saber o que se passa em Cuba, Por Paulo Gouvêa da Costa

Como bem observou Fernando Schuller em artigo na revista Veja, ninguém no mundo está dando bola para o que acontece...

Como bem observou Fernando Schuller em artigo na revista Veja, ninguém no mundo está dando bola para o que acontece ou deixa de acontecer em Cuba. Nas ruas de Havana e mais algumas cidades, grupos surpreendentemente numerosos de cubanos estão reclamando comida, vacinas e liberdade. Isso é inédito. O povo lá vem mantendo a cabeça baixa desde sempre: primeiro por achar que o regime comunista implantado por Fidel não poderia ser pior que a ditadura corrupta que o antecedeu, depois por conformismo, e mais adiante por medo da força repressora da ditadura vingativa em que se converteu o regime. As exceções à regra da passividade foram manifestações isoladas de alguns escritores, blogueiros e exilados. Em todas essas ocasiões o mundo fez que não ouviu. Cuba passou a ser entendida como uma “ditadura consentida” – tolerada e ignorada. Deixa a família Castro cuidar daquela ilha.
Agora houve mais barulho. Mas, nem a Alta-Comissária dos Direitos Humanos da ONU está preocupada com os protestos cubanos. E olha que ela é Michelle Bachelett, a socialista que presidiu o Chile. Aqui no Brasil só quem está atento ao que acontece lá é o PT e seu chefe Lula da Silva. Sua atenção, todavia, não é para se solidarizar com os cubanos, mas para apoiar o regime que os escraviza.
O sistema econômico lá na ilha é o comunismo e, como todos os outros do mesmo gênero, é um retumbante fracasso. A China, neste particular aspecto, é uma exceção porque, embora mantendo o totalitarismo próprio do sistema ideológico, adotou uma forma de economia muito próxima do capitalismo.
Acredito que no Brasil a adesão ao estatismo e ao burocratismo dos comunistas é insignificante. Mas, ao totalitarismo, nossa rejeição já não é tão grande assim. Ondas de um populismo demagógico às vezes deságuam nas areias de uma ditadura. Em Cuba o povo ainda não está pedindo capitalismo. Por enquanto, a pauta das manifestações é reduzida a pão, vacina e um tiquinho de liberdade – talvez apenas o suficiente para preparar o dia em que poderão decidir alguma coisa, ainda que pequena, do seu destino.

*Paulo Gouvêa da Costa é Mestre em Direito do Estado pela USP, Mestre em Política Pública Internacional (MIPP) pela Universidade Johns Hopkins, Ex-Deputado Federal; Ex-Presidente DEM-SC, atual Suplente de Senador. Diretor do Ilec.