Equidade da Educação, Por Mendonça Filho

   Mais do que nunca é preciso falar de equidade. Se o Brasil já figurava como um dos países mais...

   Mais do que nunca é preciso falar de equidade. Se o Brasil já figurava como um dos países mais desiguais do mundo, com a pandemia o quadro da desigualdade social e econômica escancarou o fosso entre os mais ricos e os mais pobres agravando ainda mais as mazelas sociais. Isso se traduz em números como: mais 19 milhões de pessoas não têm o que comer e deve subir de 50% para 70% o número de crianças do Brasil a não conseguir aprender a ler texto simples aos 10 anos (Banco Mundial). Mais do que números, esses dados são histórias de vida, que podem ser transformadas por políticas públicas e ações da sociedade voltadas para a promoção da igualdade e, principalmente da equidade.
    Há um consenso entre especialistas e educadores que sem equidade na educação, ampliam-se as desigualdades no país. O lançamento do Centro Lemann de Liderança para Equidade na Educação, na semana passada, é uma iniciativa da sociedade civil relevante e fundamental neste momento em que o país precisa se desdobrar para correr atrás de prejuízos educacionais históricos e agravados pela pandemia. Com o compromisso de promover a aprendizagem com equidade na educação básica formando lideranças educacionais e fomentando a pesquisa aplicada, o Centro Lemann é uma organização independente, apartidária, internacional, idealizada pela Fundação Lemann, e inspirada pelo município de Sobral, no Ceará.
    O apoio às redes públicas de educação no campo do aprendizado e da pesquisa é fundamental. Os indicadores de desempenho educacionais do país mostram que, apesar dos avanços, nossa educação tem muito a evoluir . O Centro Lemann vai atuar com dois programas, o de Formação de Lideranças Educacionais, voltado para secretárias (os) de educação, técnicas(os) e diretoras(es) escolares  e o  Programa de Pesquisa Aplicada, com centros de pesquisas nacionais e internacionais numa agenda colaborativa na busca de caminhos e soluções para redução de desigualdades na educação.
    A formação de jovens pesquisadoras (es) e o desenvolvimento de indicadores educacionais com foco na equidade é outra linha de atuação do Programa de Pesquisa Aplicada. Uma das propostas do Centro Lemann é contribuir para que redes e escolas públicas “desnaturalizem o fracasso escolar e acreditem que todas as pessoas são capazes de aprender, independentemente de seu contexto socioeconômico e de suas características individuais”.
    Tenho insistido que para o Brasil virar a chave e não ficar para trás na sociedade do conhecimento é preciso um pacto social pela educação. Iniciativas como o Centro Lemann vão nessa direção. Promover equidade da educação, diferenciando as necessidades de cada estudante, garantindo direitos e oportunidades, reparando desigualdades e assegurando aprendizagem e desenvolvimento integral de qualidade.
Mendonça Filho, ex-ministro da Educação e consultor da Fundação Lemann.