É a economia, Paulo Gouvêa da Costa

Um presidente, o governador ou o prefeito, podem pagar caro – em termos de votos perdidos – por coisas que...

Um presidente, o governador ou o prefeito, podem pagar caro – em termos de votos perdidos – por coisas que não são de sua responsabilidade. E não perdem, ou perdem poucos votos, dependendo do caso, por besteiras que fez. Por exemplo: é inevitável que a popularidade de Bolsonaro caia toda vez que sobe a conta de luz ou do feijão. Mas, nesses casos, a culpa é muito mais de São Pedro do que dele. O Presidente também paga o pato sempre que sobe o preço da gasolina e do diesel. Ele, porém, tem pouco o que fazer nessa questão que é regida por preços internacionais, pelo humor dos árabes e outros bordados. Pelo outro lado, ele próprio faz algumas besteiras da pesada, como as agressões ao meio-ambiente, as brigas com o Supremo e outros peitaços autoritários – e, aparentemente, o povo não se incomoda muito com isso.

Vinte e nove anos atrás, lá nos Estados Unidos, o desconhecido governador do Arkansas Bill Clinton enfrentava o presidente que estava no cargo, George Bush – pai do seu homônimo que mais tarde também foi presidente. Bush estava bem nas pesquisas porque tinha recém vencido a chamada “Guerra do Golfo”. No QG da campanha de Clinton estavam discutindo as estratégias para alavancar o jovem desafiante. Houve várias sugestões – quase todas deixando de lado a situação econômica do País que estava muito ruim – até que o estrategista da campanha, James Carville, dirigindo-se a um dos marqueteiros, desferiu a frase que ficaria para sempre: “É a economia, estúpido”. Trocando em miúdos isso quer dizer: o que o povo leva em conta é a situação econômica, é aquilo que afeta seu bolso. O resto não é tão importante. Portanto, voltando ao Brasil, esqueça as brigas, as frases inconvenientes e quase tudo o mais. No frigir dos ovos o que vai salvar ou enterrar Bolsonaro é o comportamento da economia, do emprego, dos preços, da inflação, essas coisas terrivelmente desagradáveis para a população.

Paulo Gouvêa da Costa, Mestre em Direito do Estado pela USP, Mestre em Política Pública Internacional (MIPP) pela Universidade Johns Hopkins, Ex-Deputado Federal; Ex-Presidente DEM-SC, atual Suplente de Senador. Diretor do Ilec.