A matemática como inclusão, Por Mendonça Filho.

Ao ler o artigo Criando mitos para ganhar votos, o caso da expansão do IMPA, de Claudio Landim, diretor-adjunto do...

Ao ler o artigo Criando mitos para ganhar votos, o caso da expansão do IMPA, de Claudio Landim, diretor-adjunto do Instituto de Matemática Pura e Aplicada e coordenador da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), lembrei de um fato ocorrido comigo no Ministério da Educação, que mostra como o Brasil é o país das falsas polêmicas e dos debates de conveniências. No mesmo dia que recebi o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, uma instituição de excelência, pedindo a renovação do contrato de gestão, recursos para pesquisa e para a OBMEP, atendi representantes do Revoltados Online, entre os quais o hoje deputado Alexandre Frota, que foram me cumprimentar pelo cargo. Das duas agendas, qual mereceu destaque, por vários dias, na imprensa e nas redes que tanto gritam por “ciência” e “pesquisa”?
A renovação do contrato de gestão e a liberação de recursos que garantiriam o funcionamento do IMPA, instituição responsável pelo ingresso do país na elite da matemática mundial, ou uma visita de cortesia de integrantes de um movimento de rua? Nem precisa queimar neurônios para responder. Após cinco anos desse episódio, vejo que alguns setores – não falo de governo A ou B, mas de sociedade – continuam com a mesma escala de valores. Ao invés de comemorar a construção do novo campus do IMPA, no Rio, a esquerda tenta desqualificar o trabalho de pesquisadores reconhecidos internacionalmente e do Instituto, apoiando uma campanha de desinformação nas redes sociais para impedir a obra, com uma falsa polêmica em defesa do meio ambiente.
Em 2017, conheci o projeto inovador de expansão, que ganhou o prêmio da Fundação Lafarge Holcim, da Suíça, o mais importante de Arquitetura sustentável. E anunciei recursos para a obra: R$ 35 milhões, dos quais R$ 20 milhões liberados na minha gestão. “Transformaram em “desmatamento” uma supressão arbórea, com replantio na proporção de 17 mudas nativas plantadas para cada árvore suprimida”, lamenta Claudio Landim no artigo.
A expansão vai diversificar as atividades do IMPA. Ampliar parcerias com o setor produtivo e reforçar a educação com formação de professores e universalização da OBMEC, um projeto fantástico que promove a mobilidade social pelo ensino. Com 20 milhões de participantes cria oportunidades para jovens vulneráveis no país. Sem falsas polêmicas e colocando os interesses do país no centro do debate, a verdade é que a matemática desenvolve capacidades e habilidades humanas, o raciocínio lógico. Os medalhistas são, em maioria, de pequenas cidades. Com certeza, é do novo campus do IMPA que o Brasil precisa.

Mendonça Filho, ex-ministro da Educação e consultor da Fundação Lemann.