Artigos
Ano I - n. 4 - abril / junho, 2009

 
Colômbia: Uma Nova Realidade

Ricardo Vélez Rodriguez *

       A Colômbia, literalmente, deu a volta por cima. Isso, após seis anos de mau desempenho econômico e social, ensejado pelo não equacionamento da problemática da segurança interna, decorrente do conflito causado pelo narcotráfico e pela atividade das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARC. No final dos anos 90 e até o início de 2003, o panorama era de crescimento econômico negativo ou muito modesto, beirando o 2% anual. Mas, a partir das políticas públicas anunciadas e postas energicamente, a partir daquele ano, em execução pelo governo do Presidente Uribe Vélez, passou a ser contornada essa difícil situação para, progressivamente, ir-se firmando um constante crescimento econômico, que tem acompanhado a progressiva pacificação do país. Esse surto de crescimento tem permitido atender a demandas sociais urgentes, aumentadas por décadas de conflito armado.
       
       1. Papel da economia colombiana na superação da insegurança causada pela luta armada e a criminalidade.
       
       Há um ponto central que convém destacar: tanto o setor produtivo quanto o governo chegaram a um acordo, no sentido de que a melhor solução para os desafios sociais consiste em incrementar o crescimento econômico, não em formular políticas assistencialistas. Dentro desse grande consenso devem ser enquadrados os aspectos que mostraremos a seguir.
       
        O quadro geral da economia pode ser ilustrado assim: o país possui um PIB de 130 bilhões de dólares, com uma população de 42,1 milhões de habitantes, com um PIB/per capita um pouco superior a 3.000 dólares, com um comércio exterior próximo dos 50 bilhões de dólares, equivalentes a 40% do PIB, sendo que a inversão produtiva representa, aproximadamente, 25% do PIB. Aspecto relevante da dinâmica econômica é constituído pelo fato de que os bons resultados de crescimento são acompanhados por significativas transformações estruturais, orientadas à produtividade.
       
        A tendência expansiva observada nos anos recentes (do segundo trimestre de 2003 para cá) caracteriza-se por se alicerçar na dinâmica do mercado e não em políticas econômicas expansivas ou bonança circunstancial de determinado setor, ao contrário do que tinha acontecido em outras épocas. Esse fato é comprovado pela generalização do crescimento em todos os setores econômicos. De outro lado, o fenômeno apontado explica-se não apenas pelo mercado interno, mas – cada vez com maior ênfase - pela abertura da economia colombiana aos mercados externos. Outro ponto a ser destacado nesse panorama de incremento do crescimento consiste em que ele decorre, em boa medida, da inversão nacional e estrangeira, o que tem conduzido a Colômbia a se aproximar dos parâmetros internacionais, no que tange à relação entre inversão e PIB.
       
       As transformações da economia colombiana orientam-se no sentido de melhorar as condições competitivas do país. Há um notável incremento das exportações de bens com maior valor agregado. Hoje, aproximadamente 40% das exportações industriais correspondem a bens de alta e meia tecnologia (contrastando com os 20% que representava esse segmento no início da década passada). O fato naturalmente é sustentado pela melhor gestão das empresas (racionalização de custos, melhora de serviços prestados aos clientes, novas linhas de produção, o fortalecimento da pesquisa, etc).
       
        Os analistas destacam que está ocorrendo, hoje, na Colômbia, um processo de re-industrialização, consistente em adaptar o parque industrial de forma a que responda, de modo cada vez mais eficiente, aos desafios da competitividade internacional. O crescimento, na década anterior, centrava-se no privilégio, concedido pelo Governo, ao setor da construção. Na evolução recente, são as condições de mercado e a dinâmica industrial as que puxam direta ou indiretamente as outras atividades produtivas. Essa integração exerce um papel fundamental na nova visão, de empresários e governantes, no sentido de estimular o surgimento de cadeias produtivas que ganham mais força a cada dia. Sem dúvida que na concretização desse panorama favorável contribuiu, em muito, a decidida ação do governo do presidente Uribe Vélez no sentido de acelerar e concluir a negociação do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, contando com a posição favorável do empresariado colombiano.
       
       O processo de re-industrialização está baseado na competitividade. No terreno social, esse modelo oferece melhores perspectivas para a população, já que exige altos níveis de profissionalização, melhores condições de saúde, infraestrutura mais adequada e mais moderna, instituições mais eficientes, etc. Se dermos uma olhada para os índices alcançados, observaremos que o desempenho industrial é bastante sólido. A produção e as vendas totais crescem em níveis superiores a 7%, o mercado interno tem um crescimento acima dos 5%, a utilização da capacidade instalada atingiu em 2006 um promédio de 81,1%, bem próximo do grau considerado ótimo pelos empresários (de 88%). Ora, esta variável tem aumentado constantemente a partir de 2001 (quando o índice foi de 71,5%). [Cf. ANDI, 2007].
       
       2) O Plano Colômbia
       
       Tenha-se presente a mudança significativa da atitude do Estado colombiano em face da guerrilha das FARC, bem como diante da violência desatada pelos narcotraficantes. O novo mandatário recebeu ampla votação em decorrência do fato de se ter posicionado de maneira clara, com um programa de governo que fazia, da luta frontal contra o crime organizado e contra os guerrilheiros, o ponto inicial da sua administração. Os colombianos chegaram à conclusão de que sem derrotar os narcotraficantes e os guerrilheiros, tornar-se-ia impossível retomar o crescimento econômico, praticamente paralisado no decorrer dos anos noventa e apresentando, no final da década, índices negativos.
       
       A plataforma de governo de Uribe Vélez contemplava dar continuidade ao denominado “Plano Colômbia”, que tinha sido concebido no final da gestão Pastrana, mas cuja implementação foi bastante tímida nesse governo. Uma vez empossado, o presidente Uribe Vélez deu cumprimento à promessa. A ajuda norte-americana (cujo montante ascendia à significativa soma de 6 bilhões de dólares), prevista nesse acordo, foi canalizada, inicialmente, para profissionalizar o exército colombiano, cujo efetivo, no início da década dos noventa, chegava aproximadamente aos 117 mil homens, arregimentados sob a modalidade de recrutamento. As FARC contavam com 15 mil combatentes muito bem treinados por mercenários sul-africanos e irlandeses. Tornava-se necessário formar um exército profissional e dota-lo de moderno armamento que lhe desse capacidade de tomar a iniciativa, na complicada geografia dos Andes colombianos, adiantando-se às ações da guerrilha. Os subversivos controlavam uma área de aproximadamente 40 mil quilômetros quadrados, no sudeste da Colômbia, mais ou menos do tamanho do Estado do Rio de Janeiro.Lembremos que o movimento guerrilheiro contava ainda com os cinco mil homens do Exército de Libertação Nacional, distribuídos em cinco blocos, que se subdividiam em 32 frentes rurais e oito urbanas.
       
       Mas a situação da Colômbia, no final do governo de Pastrana, em 2002, revelava-se pior, na medida em que o que estava ocorrendo era uma balcanização do país em três áreas de influência: a comandada pelas Auto-Defesas Unidas da Colômbia -AUC (que contavam com sete mil combatentes), na parte noroeste; a controlada pelo Estado colombiano, na parte central, ao redor de Bogotá; e a área de influência guerrilheira, situada na parte sul do país. A estratégia das FARC, atuando em 62 frentes de luta, concentradas em sete blocos, visava ao aumento de sua área de influência, encurralando o governo de Bogotá e entrando em atrito com os para-militares das AUC (surgidos da reação de criadores de gado ricos contra a extorsão das guerrilhas), a fim de expulsa-los de sua área de influência.O desfecho seria uma República comunista, que se situaria imediatamente sob a influência de Cuba e que já contava com a simpatia de setores importantes da imprensa internacional e de organizações políticas de esquerda, tanto na América Latina, como nos Estados Unidos e na Europa.
       
       O desafio militar que se apresentava ao governo de Uribe Vélez não era pequeno. É verdade que durante os três governos anteriores, de César Gaviria, de Ernesto Samper Pizano e de Andrés Pastrana, tinha havido um esforço significativo de modernização da Polícia Nacional, que deu como resultado o desmonte dos dois grandes cartéis das drogas, o de Medellín, que culminou com a morte de Pablo Escobar, em 1993, e o de Cali, que se concretizou com a prisão dos principais capos, em meados da década passada. Nesse esforço de modernização da Polícia Nacional, foi de capital importância a ajuda norte-americana, através da DEA, bem como a destemida e eficaz liderança do general Rosso José Serrano, pertencente aos quadros da força pública colombiana [Cf. SERRANO, 1999]. O efeito mais importante das reformas policiais consistiu em estruturar a colaboração entre prefeitos e chefes da polícia, com a finalidade de equacionar a segurança pública nas cidades. (1)
       
       É importante mencionar, também, os esforços desenvolvidos, ao longo da década passada e durante os anos recentes, pelo Congresso e pelo Judiciário colombianos, no sentido de dotar ao Poder Executivo de uma legislação adequada, que lhe permitisse fazer frente aos inimigos da sociedade. No seio do Congresso houve longos debates acerca da legislação mais conveniente. Importa mencionar aqui, apenas, a mais eficaz delas, que possibilitou ao governo de Uribe Vélez fazer frente ao crime organizado, desarticulando as suas lideranças: refiro-me, especificamente, ao Tratado de Extradição de chefes do narcotráfico, assinado entre o governo de Bogotá e o de Washington. Os principais líderes do crime organizado da Colômbia terminaram sendo acusados de tráfico internacional de drogas para os Estados Unidos, tendo sido enquadrados, assim, dentro do mencionado instituto legal. Hoje amargam longas condenações em presídios estadunidenses, não significando mais perigo para a sociedade colombiana, em geral, e para o sistema penitenciário, em particular.
       
       O Judiciário da Colômbia deu também a sua valiosa contribuição, após ter sofrido na própria carne violência do narcoterrorismo. No final de 1985, guerrilheiros e traficantes tomaram o Palácio da Justiça, em Bogotá, no sanguinolento episódio de que resultou o assassinato de praticamente toda a Corte Suprema e de parte do Conselho de Estado. Após esse terrível golpe contra as instituições, os magistrados colombianos não se deixaram amedrontar e passaram a reformar os institutos jurídicos, com a finalidade de dar maior celeridade ao julgamento de terroristas e narcotraficantes, mediante a adoção de algumas medidas que já tinham dado bons resultados na Itália, como a instituição dos juízes sem rosto.
       
       De outro lado, com a ajuda dos fundos do “Plano Colômbia” foram construídas prisões de segurança máxima, que se revelaram efetivamente eficazes.
       
       O “Plano Colômbia” traduziu-se, no terreno da modernização das Forças Armadas, na criação da “Fuerza de Despliegue Rápido” (FUDRA), que constitui a ponta de lança do Exército na sua luta contra os guerrilheiros. É uma unidade, criada em 1999, integrada inicialmente por 4.000 soldados profissionais, divididos em três brigadas móveis e uma brigada de forças especiais, dotadas do que de mais moderno há em armamento para luta antiguerrilha terrestre e aérea.
       
        O “Plano Colômbia” garantiu a cobertura do espaço aéreo do país com uma rede de proteção por satélite que contou, evidentemente, com o auxílio técnico norte-americano. Com sede no sul do país, o Exército começou a monitorar, via satélite, os movimentos das FARC, a fim de se antecipar os lugares aonde se dirigissem os insurgentes, evitando o desfecho de golpes que surpreendessem as Forças Armadas e a população civil. Foi assim como, a partir de 2003, a guerra começou a pender favoravelmente para as forças da ordem.
       
       Com a finalidade de absorver os elementos provenientes da guerrilha e das autodefesas que depuseram as armas, bem como para desinchar as cidades que na última década foram literalmente invadidas pelo exército de deslocados pela guerra, (que, em 2000, chegavam ao número de 1.900.000 refugiados), o governo de Uribe Vélez elaborou, com assessoria das Universidades EAFIT, de Medellín, e de Los Andes, de Bogotá, ousado plano de desenvolvimento agrário. O mencionado projeto visa ocupar produtivamente 6,3 milhões de hectares do Vichada e parte do Departamento de Meta. Busca o desenvolvimento sustentado da área, mediante o reflorestamento com espécies autóctones e a exploração agrícola, visando a recuperação dos recursos hídricos bem como a produção de biodiesel, a partir de plantas nativas. Seriam montadas indústrias não contaminantes que venderiam créditos de carbono a produtores europeus e norte-americanos que se somassem ao Projeto. A iniciativa do governo colombiano centralizar-se-á na fundação de uma nova cidade, uma espécie de “capital ecológica” que levará o nome de “Marandúa” e que, com 60 mil habitantes, terá a capacidade de gerar 12 mil empregos. A proposta de Uribe Vélez já conta com apoio do Brasil (através de empréstimo concedido pelo BNDES) e de multinacionais como o Morgan Chase, Cargill, Acciona, etc.
       
       Um último aspecto a ser lembrado na política de pacificação de Uribe Vélez. Foi adotado o modelo brasileiro do “Bolsa Escola”, a fim de tirar da pobreza os 10 milhões de colombianos mais pobres. A experiência colombiana completou de forma admirável os propósitos da iniciativa brasileira. Foram efetivamente cadastradas todas essas pessoas. Para a família se tornar beneficiária contínua do programa, deve preencher 54 condições, que são rigorosamente testadas pelos respectivos monitores. O dinheiro é depositado na conta da mulher responsável de cada família. Quem não se adaptar – e esses casos são a minoria - sai do sistema de auxílio. Os itens obrigatórios vão desde enviar as crianças todos os dias à escola, ter em dia as vacinas, até (o adulto chefe de família) freqüentar algum curso ou atividade de capacitação. O programa está desenhado para durar quatro anos. A finalidade é estimular a saída dessas pessoas da linha de pobreza.
       
       3) Empreendimentos culturais dos municípios, como meio para consolidar a pacificação.
       
       O governo de Uribe Vélez enfrentou sérias restrições dos países europeus, por entenderem que o “Plano Colômbia” apoiava-se pura e simplesmente na repressão. Essa suposição evidenciou-se equivocada em face das políticas públicas inteligentes, na área social. Buscavam, ao mesmo tempo, equacionar a aguda problemática humanitária, com ações que não acabassem no assistencialismo de curto prazo, mas que integrassem as populações carentes ao ciclo do desenvolvimento e da participação cidadã. Os índices de criminalidade caíram visivelmente ao longo dos últimos seis anos.
       
       Os governos municipais das cidades mais atingidas pela violência (Bogotá, Medellín, Cali, Cartagena e outras), partiram para a realização de políticas públicas, preventivas da violência, na área cultural. Há uma nova geração de governantes municipais, que mal ultrapassa a casa dos 35 anos, a maior parte deles não filiados aos partidos tradicionais.
       
        Em Bogotá foram criadas cinco grandes bibliotecas populares, nas regiões mais violentas da cidade. Essa grandiosa obra contou com o apoio do Banco Mundial e do BID. A Biblioteca Virgílio Barco, no parque El Salitre, em Bogotá, por exemplo, é uma verdadeira instituição de democratização da cultura. O prédio, do tamanho do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, foi encomendado ao grande arquiteto colombiano Rogelio Salmona, que realizou um arrojado projeto inspirado na arquitetura colonial espanhola. Servida por sistema de ônibus integrado, pode atender, de graça, em qualquer dia da semana, mas especialmente aos domingos e feriados, mais de cinco mil pessoas. Há belíssimas salas de leitura, além de brinquedotecas para as crianças, salas de multimídia, grande espaço reservado aos serviços de internet banda larga, lanchonete, restaurante, tudo num grande campo verde onde as pessoas mais pobres podem ter lazer de qualidade (com lago para barcas, alamedas para passear e quadras de esporte emolduradas pela bela paisagem do altiplano andino). Isso num país mais pobre que o Brasil.
       
       
       O anterior prefeito de Medellín, Sergio Fajardo (um jovem professor universitário que nunca tinha participado em política partidária) fez da educação o centro da sua gestão. Sob o princípio de “Medellín, la ciudad más educada” dirigiu obstinadamente a administração no período 2004-2008, a fim de criar uma rede de ensino de primeiro mundo no seu município. Era evidente a preocupação do prefeito para dotar a cidade de parques e jardins em todos os bairros, a fim de que a população pudesse desfrutar da cidade como o seu melhor espaço. Uma das regiões mais deprimidas de Medellín, o Jardim Botânico (que ficava vizinho à zona de prostituição, no lugar conhecido como “Lovaina” e “La curva del bosque”, onde há dez anos era corriqueiro encontrar cadáveres desovados pelos traficantes e guerrilheiros), tornou-se, hoje, cartão postal de Medellín. Foi criado um belíssimo espaço onde acontece a feira das flores e a exposição nacional de orquídeas. Convênio entre a administração do Jardim Botânico e as escolas do município, permite às crianças conhecer as espécies de plantas nativas e terem as suas aulas de ciências naturais ao ar livre.
       
       Já foram postas em serviço, em Medellín, as três primeiras Bibliotecas Populares, devendo ser inauguradas outras duas. É uma aposta política decidida: combater a violência com a efetiva democratização da cultura. Assinale-se que o programa tem merecido apoio de empresas nacionais e ajuda de governos estrangeiros (o da Espanha, principalmente). Há também, como no caso de Bogotá, contrapartidas do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Artistas de renome, como Fernando Botero, têm dado uma contribuição inestimável: o grande pintor colombiano doou, há cinco anos, um museu inteiro, repleto com as suas obras, à cidade de Medellín. É o famoso Museu Botero, que funciona num belo prédio público, art déco, que durante décadas serviu de sede à prefeitura municipal. Diríamos, portanto, que a decisão de combater a violência com cultura, é uma opção da sociedade colombiana, não apenas do governo.
       
       Uma última observação em relação às políticas culturais. As Universidades colombianas estão definitivamente engajadas na discussão das propostas efetivadas pelos governos nacional, departamentais e municipais, em face da procura da paz e do desenvolvimento econômico. As publicações das pesquisas realizadas são hoje leitura obrigatória, nos centros de estudos internacionais pelo mundo afora.
       
       Podemos e devemos recolher ensinamentos dessas realizações dos governos de Bogotá e Medellín, não nos circunscrevendo apenas à questão da democratização da cultura, mas colocando este item no contexto, mais amplo, da construção de um ambiente de estímulo ao trabalho, à produtividade e à segurança cidadã, que pressupõe o combate ao crime organizado:
       
       a) É necessário enfrentar com coragem a violência praticada pelos criminosos, nas nossas cidades, inclusive a efetivada por menores, de forma a punir quem efetivamente cometeu crimes. Para isso, torna-se imperativo revisar a velha legislação, que não se adapta mais às agressivas condições das sociedades contemporâneas. Em Medellín e em Bogotá, a criminalidade de menores foi rigorosamente atacada, segregando do convívio social as lideranças mais perigosas. Os padres salesianos estão dando uma ajuda preciosa aos governos municipais, com a manutenção dos seus “talleres” (oficinas), que recuperam e capacitam jovens infratores. (2)
       
       b) Como a violência, nos nossos países, não se circunscreve apenas à criminalidade dos menores, mas encontra-se inserida no círculo maior da criminalidade ensejada pelo narcotráfico e outras modalidades de crime organizado, é necessário passar à opinião pública, por parte das autoridades, a sensação de que a lei é aplicada com rigor e que abarca, sem exceções, a todos os cidadãos. As administrações das localidades mencionadas, escolheram, no início das suas gestões, os lugares mais conturbados das respectivas cidades, a fim de expulsar deles os traficantes e os contatos que os guerrilheiros e as autodefesas tinham ali inserido. Os meliantes foram colocados atrás das grades e os guerrilheiros que opuseram resistência foram mortos. Uma vez desarmados esses lugares, procedeu-se à ocupação cívica antes descrita. Junto com as Bibliotecas e os Parques recreativos, foram instaladas cabines permanentes da Polícia Nacional em todas essas localidades. No plano nacional, um dos pontos-chave da administração do presidente Uribe tem sido a preocupação com tornar presente e operativa a Polícia Nacional em 100% dos municípios colombianos. Até o início da gestão do atual presidente, a polícia estava ausente de, pelo menos, 40% dos municípios colombianos, dando à população a grave sensação de abandono por parte do Estado.
       
       c) Paralelamente à ocupação do espaço público pela cultura, pela educação e pela polícia, em todas as comunas mais pobres de Medellín foram instaladas agências do Mega-Banco, um banco popular financiado pela municipalidade e pelos empresários, que tem como finalidade estimular o surgimento da pequena empresa entre os habitantes dessas localidades. Os empréstimos, de forma rápida, são aprovados com juros brandos (de 11% ao ano). O sucesso desse empreendimento é evidente.
       
       d) Nos lugares mais ermos foram feitas obras de infra-estrutura, a fim de garantir o fácil acesso das comunidades ao sistema de transporte público. O preço das passagens é cobrado, dos moradores, de forma a não onera-los demais, sendo subsidiado. Deve ser revisada a legislação em torno à progressão penal. Assassinos não podem ser libertados antes de terem cumprido a totalidade da pena. É um acinte, para a sociedade, ver criminosos que estupraram e mataram, serem libertos após cumprirem 1/6 da pena. O sistema completa-se pela adoção de um regime prisional eficaz, que torne os criminosos de alto nível praticamente incomunicáveis.
       
       e) É imperativa a adequada preparação das forças policiais, a fim de que possam enfrentar, com inteligência e armamento moderno, o crime organizado e prender os grandes chefes. Sem fazer isso, qualquer ação social é fadada ao fracasso. Deve-se discutir, com clareza e abrangendo as forças vivas da sociedade, o papel das Forças Armadas em face desse novo desafio. Hoje, na Colômbia, está claro que, quando o crime organizado põe em perigo as instituições (como no caso do narcoterrorismo), é dever das Forças Armadas intervir, a fim de dar apoio às forças policiais, as quais, por sua vez, possuem unidades especializadas no combate ao crime de grandes proporções.
       
       f) Por último, os governantes devem entender que investimento em educação e cultura é algo diretamente relacionado com a procura da paz. Deveriam ser visados amplos projetos de criação de centros de cultura e lazer nas áreas mais perigosas das cidades. No caso das Bibliotecas Públicas colombianas, esses projetos estiveram, desde o início, em íntima vinculação com os serviços de transporte massivo urbano.
       
       4) O papel dos empresários
       
       Na Colômbia, a forte presença, já desde o século XIX, das idéias liberais [cf. TIRADO MEJÍA, 1972], levou a que as organizações empresariais (conhecidas como Grêmios), fossem consultados pelo governo, no momento de definir políticas econômicas, em que pese a evidente hipertrofia do Executivo sobre os outros poderes, típica da nossa tradição ibero-americana. A respeito da forte presença dos empresários na formulação e gestão das políticas econômicas, escreve o historiador colombiano Carlos Dávila: “O desempenho econômico colombiano sobressai no contexto latino-americano pelo controle prudencial da economia por parte de um grupo de empresários e tecnocratas bem qualificados que, ao longo do século XX, evitaram as hiperinflações, os profundos déficits fiscais e o excessivo endividamento externo” [Cit. por CEPEDA ULLOA, 2007: 68].
       
       O modelo de modernização do Estado, no terreno da formulação de políticas econômicas, foi de cunho não autoritário, e se concretizou nas reformas desenvolvidas pelo Partido Liberal, ao longo dos anos 30 do século passado, notadamente na gestão de Alfonso López Pumarejo (entre 1934 e 1938). Essa tradição cimenta-se igualmente em que os Grêmios empresariais tomam parte na formulação das políticas econômicas, o que, de praxe, passou a se denominar de “concertación”. A propósito desse fenômeno, escrevia o estudioso Daniel Pécaut: “Entre os empresários, na Colômbia, bem como entre os outros grupos econômicos, observa-se a tendência a reivindicar uma forte autonomia de decisão e a defender o esquema liberal de desenvolvimento” (3).
       
       Há na Colômbia, atualmente, perto de 200 Grêmios econômicos, sendo os principais: Asociación Nacional de Industriales y Empresarios (ANDI), Federación Nacional de Comerciantes (FENALCO), Asociación Bancaria y de Instituciones Financieras (ASOBANCARIA) e Sociedad de Agricultores de Colombia (SAC). Estas quatro entidades representam 60% da produção colombiana. Agrupam-se, hoje, no Consejo Gremial Nacional, que tomou parte ativa na negociação do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos e com o Canadá, bem como nas negociações para assegurar a presença dos Grêmios nos diálogos de paz com a guerrilha e as auto-defesas.
       
       Os restantes Grêmios são menos poderosos, mas nem por isso deixam de ter importância. Alguns deles têm-se caracterizado pela sua capacidade de negociação e de reivindicação em face do Estado colombiano. Podem ser mencionados os seguintes: Federación Nacional de Avicultores (FENAVI), Federación de Ganaderos (FADEGAN), Asociación Nacional de Exportadores (ANALDEX), Federación Nacional de Cafeteros, Sindicato Antioqueño, Comité Intergremial del Atlántico, etc.
       
       São vários os Grêmios (como, por exemplo, a ANDI e FENALCO), que possuem centros de pesquisa e de monitoramento das ações do governo e dos grupos armados, e que oferecem subsídios aos negociadores oficiais e da sociedade civil.
       A atitude ativa dos Grêmios econômicos tem-se traduzido igualmente nas iniciativas civis em prol da participação cívica a nível municipal. Os movimentos “Bogotá como vamos”, “Medellín como vamos” e “Cartagena como vamos” são expressão dessa dinâmica social. Cada um desses movimentos é apoiado pelos empresários vinculados à respectiva Câmara de Comércio, pela Imprensa, pelas Universidades e pelos intelectuais e profissionais liberais. O movimento “Como vamos” visa a informar regularmente à sociedade acerca dos problemas mais fortes que a municipalidade enfrenta nos terrenos de violência, de transporte, de educação, de saúde, etc. Como tem o apoio da imprensa local, os resultados são divulgados por esse veículo. Nos dez anos de funcionamento do movimento “Bogotá como vamos”, os estudos do mesmo são praticamente pautas de ação para os atuais mandatários municipais, e constituem um roteiro para os programas dos candidatos às futuras eleições. Algo semelhante ocorre em Medellín.
       
       5) O papel da Igreja
       
       É tradicional o papel de moderação exercido pela Igreja Católica em face do conflito armado. Distanciada das benesses do poder, em decorrência da reforma da Concordata entre o Estado colombiano com a Santa Sé, ocorrida ao ensejo da nova Constituição de 1991, a Igreja Católica permaneceu como reserva moral dos colombianos, tendo-se distanciado, de maneira prudente, ao mesmo tempo da corrente da “Teologia da Libertação”, como daqueles segmentos tradicionalistas, saudosos do antigo clericalismo. A Igreja tem atuado, junto com os Grêmios econômicos, como mediadora no conflito. Em decorrência da agressividade que, nos últimos anos, passou a praticar a guerrilha, seqüestrando inúmeros empresários, aumentou a participação mediadora da Igreja. Hoje ela representa peça-chave na pacificação, sendo respeitada a sua presença tanto pelo governo, como por parte da sociedade civil e pelos atores armados.
       
       A posição das autoridades eclesiásticas tem sido clara, no sentido de mostrar o caráter evangelizador da Igreja, bem como o seu compromisso inarredável com os direitos humanos e o respeito às instituições de direito. Recente mensagem do Presidente da Conferência Episcopal Colombiana, Dom Augusto Castro, motivada pela reunião do CELAM em Aparecida – São Paulo, não deixou dúvidas a respeito dessa posição pastoral e moderada. Frisou o arcebispo colombiano naquela oportunidade:
       
       “O continente latino-americano vai crescendo economicamente. Mas este crescimento não se traduz em desenvolvimento que inclua, integral e eqüitativo.
       
       Portanto, é indispensável que reafirmemos nossa opção pelos pobres. Mas esta opção não basta. Devemos optar também pela evangelização do mundo político, do mundo empresarial, do mundo dos capitais, para que nestes mundos penetre o sentido ético como solidariedade com o outro em necessidade. A Igreja na Colômbia trabalha sem descanso, não a partir da política, mas do Evangelho, para alcançar a paz nos corações, nas famílias, na nação toda. Esperamos da Aparecida uma luz solidária que nos guie”.
       
       6) Valorizar a experiência colombiana
       
       Em matéria de violência protagonizada pelo narcotráfico e na tentativa de superá-la, os nossos vizinhos têm experiência bastante aprofundada que, sem dúvida, ajudar-nos-á a encontrar caminhos para vencermos um desafio semelhante. A guerra do narcotráfico não chegou ao Brasil ao acaso. Foi operação friamente planejada pelos que financiam, em nível global, o comércio de estupefacientes que é, depois do mercado do petróleo, o que mais dinheiro movimenta no mundo, sendo calculado o montante dessas transações como equivalendo a soma que se aproxima dos 500 bilhões de dólares anuais.
       
       A partir do final da década dos 80 do século passado, em decorrência do combate contra o narcotráfico efetivado pelos governos andinos, a máfia italiana, que tinha investido somas vultuosas no ciclo de produção e comercialização, decidiu deslocar o eixo de produção para a costa Leste da América do Sul, com as conseqüências que todos conhecemos: progressivo estabelecimento, no Brasil, de laboratórios para refino de cocaína – o mercado do crack nas cidades brasileiras cresceu na medida em que o refino foi se expandindo – e consolidação das redes de distribuição de estupefacientes para os Estados Unidos e a Europa, a partir dos portos e aeroportos brasileiros. O encastelamento dos traficantes cada vez mais armados, nos morros cariocas, recebeu uma ajuda expressiva do populismo ensejado no “socialismo moreno” apregoado por Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, que impedia a polícia de entrar nos santuários do crime organizado. Daí para a organização dos exércitos da morte que peitam as autoridades foi só um passo.
       
       Etapas semelhantes, ao amparo do populismo irresponsável, deram-se em São Paulo, onde a simples contravenção do bicho ensejou o aparecimento das empresas do crime organizado, centralizadas no Primeiro Comando da Capital, com os resultados que são sobejamente conhecidos de desgarramento do tecido social e império do crime, que encurrala cada vez mais os cidadãos honestos.
       
       A situação de violência experimentada, hoje, nas grandes cidades brasileiras assemelha-se muito às circunstâncias já vividas pelos colombianos nas décadas de 80 e 90 do século passado. O combate à ação dos cartéis da droga ganhará uma orientação firme, no Brasil, se levarmos em conta os passos que foram dados pelos governantes colombianos, na sua luta de decênios contra os narcoterroristas. Notadamente pela preocupação que tem sido uma constante entre os nossos vizinhos: como combater a criminalidade preservando as instituições democráticas e um modelo de desenvolvimento liberal, alicerçado no mercado [Cf. ANDI, 2007].
       O ponto mais relevante a ser adotado, em matéria de pacificação das nossas cidades, centra-se, sem dúvida, na experiência municipal “Como vamos”. O movimento “Bogotá como vamos”, bem como o seu homologo de Medellín, está inspirando iniciativas semelhantes em cidades brasileiras, como Rio e São Paulo. Muito haverá, certamente, a aprender das demais experiências. Afinal de contas, a Colômbia é nosso vizinho e as soluções ali ensaiadas são muito mais fáceis de adaptar à realidade brasileira, do que as soluções tentadas em outros continentes.
       
       NOTAS
       
       (1) A reforma da polícia ocorreu em três etapas: reestruturação cívica (1993), contra-reforma ensejada pela reação da cúpula policial (1995) e consolidação das mudanças ao ensejo do Plano de Segurança Democrática do governo de Uribe Vélez (2003). Cf. A propósito, CASAS DUPUY, Pablo, “Reformas y contrarreformas en la policía colombiana”, in: RANGEL SUÁREZ, Alfredo, (organizador), Seguridad urbana y policía en Colombia, Bogotá: Fundación Seguridad y Democracia, 2005, p. 1-80.
       
       (2) É importante destacar que, tanto a Constituição de 1991 como as reformas dos corpos policiais efetivadas entre 1993 e 2003, atribuem aos Prefeitos (Alcaldes) as responsabilidades de preservação da ordem pública nos seus municípios, sendo eles os chefes naturais da Polícia Nacional nas suas circunscrições.
       
       (3) PÉCAUT, Daniel. Política y sindicalismo en Colombia, Bogotá: La Carreta, 1973, p. 34.
       
       (4) In: http://br.celam.info/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=204 (Consultado em 8/7/2007).
       
       (5) A respeito das etapas percorridas pelo narcotráfico no Rio de Janeiro, cfr. os nossos estudos: “Violência e narcotráfico no Rio de Janeiro: Perspectivas e impasses no combate ao crime organizado”, in: Carta Mensal, Rio de Janeiro, vol. 49, no. 586 (janeiro 2004): pg. 7-70, e “The Sociological Dimension of the Drug Traffic in the Favelas of Rio de Janeiro”, in: Else VIEIRA (organizadora), City of God in several voices – Brazilian Social Cinema as Action. Eastbourne-England: CCCP – Nottingham University Press, 2005, p. 166-173.
       
       REFRÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
       
       ASOCIACIÓN NACIONAL DE INDUSTRIALES - ANDI. Balance del 2006 y perspectivas para el 2007 - El país se reindustrializa competitivamente. Bogotá: ANDI-Centro de Estudios Económicos, 2007.
       
       ATEHORTÚA CRUZ, León Adolfo. “Colombie – La place de l´Armée dans le conflit politique armé”. Problèmes de l ´Amérique Latine. Paris: La Documentation Française, no. 34, (julho/setembro 1999): p. 75-88.
       
       BARRETO, Francisco Javier (organizador). La otra guerra – El Derecho como continuación del conflicto y lenguaje de la paz. Bogotá: Universidades de Los Andes y Javeriana / Plaza & Janés, 1999.
       
       BOWDEN, Mark. Matando Pablo – A caçada ao maior fora-da-lei de que se tem notícia. (Tradução de Maria Cristina Vidal Borba). São Paulo: Editora Landscape, 2002.
       
       CAMACHO GIZADO, Alvaro; LÓPEZ RESTREPO, Andrés e THOUMI, Francisco E. Las drogas – una guerra fallida (Visiones Críticas). Bogotá: IEPRI / Tercer Mundo Editores, 1999.
       
       CASAS DUPUY, Pablo, “Reformas y contrarreformas en la policía colombiana”, in: RANGEL SUÁREZ, Alfredo, (organizador), Seguridad urbana y policía en Colombia, Bogotá: Fundación Seguridad y Democracia, 2005, p. 1-80.
       
       CEPEDA ULLOA, Fernando. “Fatores de força na Colômbia”, Diplomacia, Estratégia e Política. Brasília, (janeiro / março 2007): p. 68.
       
       GÓMEZ BUENDÍA, Hernando (organizador). Para dónde va Colombia? Bogotá: Tercer Mundo / Colciencias, 1999.
       
       GUZMÁN CAMPOS, Germán; FALS BORDA, Orlando; UMAÑA LUNA, Eduardo. La violencia en Colombia – Estudio de un proceso social. Bogotá: Círculo de Lectores, 1988, 2 volumes.
       
       LÓPEZ PINO, Carmen Marina. Las relaciones laborales em Colombia – Opciones estratégicas de los actores. Madrid: Universidad Complutense, 2002. (Tese de doutorado em sociologia).
       
       MONSALVE, Alfonso; DOMÍNGUEZ, Eduardo (organizadores). Colombia – Democracia y paz.. Medellín: Universidades Bolivariana e de Antioquia, 1999, 2 vol.
       MORALES BENÍTEZ, Otto. Liberalismo, destino de la Patria. Bogotá: Plaza y Janés, 1985.
       
       PALACIO, Germán (organizador). La irrupción del Paraestado – Ensayos sobre la crisis colombiana. Bogotá: CERREC / ILSA, 1990.
       
       PÉCAUT, Daniel. “Colombie: une paix insaisissable”. Problèmes de l ´Amérique Latine. Paris: La Documentation Française, no. 34 (julho/setembro 1999): p. 5-32.
       PÉCAUT, Daniel. Política y sindicalismo en Colombia, Bogotá : La Carreta, 1973.
       PERIN, Orivaldo. “Vigilância contra o mau governo na Colômbia”. O Globo, Rio de Janeiro, edição de 19 de agosto de 2007, p. 51.
       
       RANGEL SUÁREZ, Alfredo. Colombia – Guerra en el fin de siglo. Bogotá: Universidad de Los Andes / Tercer Mundo, 1999.
       
       RETTBERG, Angelika. Entre el cielo y el suelo – Una mirada crítica a los Gremios colombianos. Bogotá: Universidad de Los Andes, 1998.
       
       SERRANO, Rosso José, general. Jaque Mate. Bogotá: Norma, 1999.
       TIRADO MEJÍA, Alvaro. Introducción a la historia económica de Colombia. 2a. Edição, Bogotá: Universidad Nacional, 1972.
       
       TOVAR PINZÓN, Hector Fabio, general. “El arsenal que tendrían las FARC”. In: El Espectador, Bogotá (23 de janeiro de 2000): p. 7A.
       
       VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “As instituições militares no século XXI - A sua missão em face dos conflitos”. Carta Mensal, Rio de Janeiro, vol. 47, no. 562 (janeiro 2002): p. 3-36.
       
       VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “Brasil será a Colômbia amanhã” - Entrevista. Sistema – Fecomércio Rio de Janeiro. Vol. 5, no. 20 (junho 2003): p. 10-12.
       
       VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “Colômbia – Uma guerra contra a sociedade”. Carta Mensal, Rio de Janeiro, vol. 46, no. 546 (setembro 2000): p. 15-28.
       
       VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. Como a Colômbia deu a volta por cima? Rio de Janeiro: Confederação Nacional do Comércio, Julho de 2007, 29 p. (paper).
       
       VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “The Sociological Dimension of the Drug Traffic in the Favelas of Rio de Janeiro”. In: Else VIEIRA (organizadora). City of God in Several Voices – Brazilian Social Cinema as Action. Eastbourne – England: Critical, Cultural and Communications Press /The University of Nottingham, 2005, p. 166-173.
       
       VÉLEZ RODRÍGUEZ, Ricardo. “Violência e narcotráfico no Rio de Janeiro – Perspectivas e impasses no combate ao crime organizado”. Carta Mensal, Rio de Janeiro, vol. 49, no. 586 (janeiro 2004): p. 7-70.

Ricardo Vélez Rodriguez
Colombiano naturalizado brasileiro, concluiu mestrado e doutorado entre nós. Presentemente, é professor adjunto na Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais. Tornou-se um dos principais estudiosos do pensamento político brasileiro, sendo autor de numerosa bibliografia. A par disto, preserva interesse no estudo da cultura latino-americana.
Contato:
[email protected]
[email protected]
www.pensadordelamancha.com

OUTROS ARTIGOS
 
AMAZÔNIA Território e Conhecimento
Patrick Maury

Eleições indiretas nos Estados Unidos: o aparente paradoxo
Márcio Nunes Cambraia

Cidadania Já
Paulo Saab

 
# Sumários das edições da Revista On-Line Liberdade e Cidadania:  Ed. n. 01 , 02 , 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 , 15, 16, 17, 18 
Revista On-Line Liberdade e Cidadania - Registro ISSN Nº 1983-9162
w w w . f l c . o r g . b r / r e v i s t a

Copyright © 2012 - Fundação Liberdade e Cidadania - Todos os direitos reservados
Senado Federal - Anexo I - 26° andar - Brasília - DF - CEP 70.165-900
Tel.: (61) 3311-4273 / Fax: (61) 3223-6201
[email protected]