Noticiário
Ano II - n. 6 - outubro / dezembro, 2009

 
Vinte Anos da Queda do Muro de Berlim

       
       
       O aniversário em apreço transcorrerá a 9 de novembro próximo. Por sua relevância e simbolismo, tem dado ensejo a comemorações em diversos centros ocidentais, ao longo do segundo semestre. Com efeito, tornou-se um marco de verdadeira reviravolta na história do Ocidente.
       
       Terminada a Segunda Guerra, deterioram-se progressivamente as relações entre os Aliados. No caso da Alemanha, as potências vencedoras (Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética) subdividiram-na em zonas de ocupação. Os russos ficaram com a região correspondente ao Leste enquanto os países ocidentais com o Oeste do país.
       
       Em 1949, unilateralmente, os soviéticos constituíram governo autônomo em sua zona de ocupação, denominando-a de República Democrática Alemã (RDA). Em decorrência disto, na parte ocidental estrutura-se a República Federal Alemã.
       Berlim, a antiga capital, encontrava-se no território que passou a constituir a RDA. As potências ocidentais que dividiam com os russos a ocupação daquela cidade decidiram-se a enfrentar a URSS, determinando a autonomia de Berlim Ocidental.
       
       Começam diversas peripécias.
       
       Em agosto de 1961, a RDA deu início à construção de uma edificação dividindo a antiga capital, que passaria à história com o nome de Muro de Berlim. Tratava-se de uma autêntica fortaleza, com estas características: 66,5 km de gradeamento metálico; 302 torres de observação; 127 redes metálicas eletrificadas e com alarme; e, 255 km de pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Das tentativas de evadir-se da RDA resultaram 80 mortes identificadas, 112 feridos e milhares de prisioneiros. As residências que tinham saídas para as proximidades tiveram portas e janelas rigorosamente vedadas e as edificações que dificultavam a vigilância foram simplesmente demolidas, entre estas uma igreja das mais antigas. Sucediam-se os incidentes entre a RDA e a República Federal. As potências ocidentais tiveram inclusive que organizar uma ponte aérea, com proteção militar, a fim de evitar o isolamento de Berlim Ocidental.
       
       Com a ascensão de Gorbachov ao poder na União Soviética, em 1985, emerge uma nova geração de dirigentes soviéticos dispostos a reconhecer a impossibilidade de alcançar (chegou-se a falar em “ultrapassar”) as potências ocidentais do ponto de vista econômico. Com base nessa avaliação, tem início entendimento de alto nível com o propósito de amenizar os efeitos da guerra fria, em especial os gastos com armamentos. Passou a fazer parte dessa política a redução progressiva do poder de ingerência nos países satélites, compreendendo inclusive a aceitação de investimentos estrangeiros. Na fase anterior, a URSS interveio diretamente com tropas a fim de reprimir tentativas de autonomia, fato que ocorreu na própria Alemanha Oriental.
       
       No último trimestre de 1989, multiplicam-se os indícios de desagregação do império soviético. Tem lugar o afluxo às embaixadas ocidentais, notadamente em Praga e Varsóvia, terminando por provocar a debandada de multidões, processo que as autoridades locais não conseguem deter. Os húngaros forçam a abertura da fronteira com a Áustria, dando origem a deslocamentos em massa.
       
       Nesse quadro geral de desordem, as autoridades da RDA decidem-se a eliminar as restrições à emigração para a Alemanha Ocidental. Acontece que essa decisão veio a tornar-se pública antes de ser oficializada. Na noite do dia 9 de novembro começa em Berlim Oriental o afluxo de pessoas aos locais de passagem existentes no Muro.
       
       A guarda torna-se impotente para detê-los. Ao mesmo tempo, do lado ocidental organiza-se recepção calorosa. Nesse ambiente de festa dirigem-se para a Porta de Brandenburgo, ponto de referência da antiga capital, movimentação que termina com a decisão espontânea de promover a derrubada do Muro. Tem lugar o que foi saudado como a Queda do Muro de Berlim.
       
       O certo é que passou a simbolizar os acontecimentos que, desde então, se precipitaram.
       
       Menos de um ano depois, a 3 de outubro de 1990, ocorre a reunificação da Alemanha. Mal transcorre outro ano, em agosto de 1991, a burocracia soviética empreende um golpe de Estado para destituir a Gorbachov. Inesperadamente, outro líder soviético, Boris Ielstin (1931/2007), comanda uma insurreição. Vitoriosa, resulta no abandona da União Soviética pela Federação Russa, onde, logo adiante, convocam-se eleições, tendo início experiência democrática pioneira no velho baluarte do despotismo oriental. A URSS chega ao fim.
       No período subseqüente, os satélites, situados a Leste da Europa, seguem a receita democrática, candidatam-se e acabam sendo admitidos na Comunidade Européia.
       
       Nos diversos países da Europa Ocidental, desaparecem os Partidos Comunistas. Os Partidos Socialistas, por seu turno, aderem à social democracia, isto é, renunciam à utopia da sociedade sem classes e à identificação entre socialismo e estatização da economia. Somente o PS Francês manter-se-ia encastelado no passado e, se a tendência expressa nas eleições européias deste ano se confirmarem, passa à condição de terceira força política na França.
       
       Tudo isto explica que as comemorações dos 20 anos da Queda do Muro não hajam esperado o transcurso do 9 de novembro nem se limitem aos berlinenses.
       

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