Resenha
Ano IV - n. 17 - julho / setembro, 2012

 
Niall Ferguson. Civilization - the West and the Rest. New York, Penguin Books, 2011.

João Paulo M Peixoto *

       Elogiado pela crítica, este novo trabalho de Niall Ferguson vem no mesmo diapasão dos seus aclamados – “The Ascent of Money” e “The House of Rothschild”.
       Um mestre da chamada ‘história popular’, este professor de Harvard, mergulha no estudo da civilização ocidental com o intuito de explicar as razões do predomínio do ‘Ocidente sobre o resto’. Ou das suas instituições e valores que regem a vida de 3/5 da humanidade e 4/5 da sua economia.
       
       Ajudar a entender porque o gosto pelo estilo das universidades, governos e esportes, predominantes nessa parte do mundo, tem sido melhor apreciadas em outras partes do globo é um dos objetivos do livro. Como também assinalar a ausência dos seis novos conceitos ausentes no outro espectro do mundo (competição, ciência, o estado de direito, medicina moderna, consumismo e a ética do trabalho), aos quais o autor debita como razão da relativa inferioridade perante o Ocidente.
       
       Em razão desses fatores o Ocidente foi capaz de abrir rotas globais de comércio, explorar novos conhecimentos científicos, evoluir no conceito de governo representativo, mais do que dobrar a expectativa de vida, incrementar a produtividade humana, entre outros fatores determinantes para o progresso.
       Para não cair na tentação ufanista, no entanto, Ferguson alerta para o perigo do declínio ocidental, em razão do ‘resto’ do mundo ter finalmente adquirido os mesmos fatores que proporcionaram o sucesso da outra parte. Lança o desafio de que este crescente equilíbrio faria com que os dias de supremacia ocidental estivessem contados.
       
       Com argumentos distribuídos em seis capítulos (Competição; Ciência; Propriedade; Medicina; Consumo; Trabalho e na conclusão), recheados de tabelas, mapas e ilustrações, o autor expõe suas ideias. Não esquecendo sequer do básico: a origem e o primeiro uso da palavra francesa ‘Civilisation’, bem como sua etimologia e seus diferentes significados. Daí avança livro a dentro cobrindo diferentes eras da jornada humana até os nossos dias.
       
       Na conclusão, chama atenção um resumo de grandes obras similares, bem como ideias centrais de alguns clássicos da literatura ocidental. Não faltando algumas comparações macroeconômicas que embasam alguns de seus argumentos. Fazendo questão de lembrar, também, que muitos casos de colapso de civilizações estão associados tanto a crises fiscais como a guerras. Como mostram exemplos citados na obra.
       
       Como também a reflexão sobre sua original proposta para que o ‘Alcorão ocidental’ baseie-se na Bíblia do Rei James; em John Locke e seus Dois Tratados sobre o Governo; Sentimentos Morais e a Riqueza das Nações de Adam Smith; Reflexões sobre a Revolução em França de Edmund Burke; e Origem das Espécies de Charles Darwin; aos quais deveriam ser acrescidas algumas peças de William Shakespeare, bem como alguns discursos selecionados de Abraham Lincoln e Winston Churchill. Todavia, diz ele, que se tivesse que selecionar um único volume como seu Alcorão, esse seria as obras completas de Shakespeare.
       
       Ferguson encerra com uma observação ácida sobre nossa civilização e sustenta que hoje, como antes, a maior ameaça para a civilização ocidental não é posta por outras civilizações, mas pela sua própria pusilanimidade e pela ignorância histórica que a alimenta. Duro não? A conferir.
       
       

Niall Ferguson, historiador inglês que, depois de ensinar nas tradicionais universidades de seu país (Oxford e Cambridge), radicou-se nos Estados Unidos, onde é atualmente professor de história na Universidade de Harvard. Autor de extensa bibliografia. Entre seus livros de maior sucesso podem ser citados a biografia de Kissinger, para a elaboração da qual teve acesso ao arquivo do biografado, e a obra tornada clássica em que estuda o fim do Império Britânico (Empire, 2003).

João Paulo M Peixoto
Pesquisador Associado do Centro de Estudos Avançados em Governo e Administração Pública da UnB e professor associado internacional do VILLA Victoria University of Wellington, New Zealand. Seu livro mais recente (Org.) é “Governando o Governo: modernização da administração pública no Brasil”. Foi assessor dos Ministérios da Educação e Fazenda no Brasil servindo também em organizações internacionais

OUTRAS RESENHAS
 
Matias Spektor- Kissinger e o Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2009
João Paulo M Peixoto

Seymour Drescher – Abolição – Uma história da escravidão e do anti-escravismo. São Paulo: UNESP, 2011, 736p.
Arsênio Corrêa

 
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