Noticiário
Ano IV - n. 18 - outubro / dezembro, 2012

 
A calamitosa situação do ensino brasileiro

        A calamitosa situação do ensino brasileiro
         
       
       
         
       
        Foram tornados públicos os dados da pesquisa relativa aos resultados efetivos da educação no Brasil. Trata-se do denominado Índice de Alfabetismo Funcional (INAF), que seria mais apropriado designar diretamente como índice de analfabetismo funcional.
       
        Correspondem aos resultados efetivos desde que, enquanto a pesquisa do IBGE baseia-se em dados auto-declarados, o INAF é estabelecido por meio de uma entrevista e um teste, avaliando efetivamente as habilidades de leitura, escrita e matemática dos brasileiros entre 15 e 64 anos de idade. Concluiu-se em 2012.
       
        A partir do mencionado teste,  os entrevistados são classificados em quatro níveis:
       
       1º) analfabetos
       2º) alfabetizados em nível rudimentar;  e,
       3º) nível pleno.
       
         Os dois primeiros tipificam o analfabetismo funcional.
       
        Como pesquisa idêntica foi realizada em 2001, pode-se estabelecer evolução do quadro num decênio.
       
        Entre os que concluíram o ensino fundamental, o domínio pleno caiu de 22 para 15%; no caso dos que dispõem de ensino médio, de 49% para 35%; e, finalmente, entre aqueles com ensino superior, apenas 38% chegam ao nível pleno.
       
        Como referência, pessoas dotadas de nível pleno conseguem ler e compreender um artigo de jornal, comparar suas informações com as de outros textos e fazer destes uma síntese. E, em matemática, podem resolver problemas envolvendo porcentagens e proporção, além de fazerem a interpretação de tabelas e gráficos simples.
       
        A pesquisa é uma iniciativa do Instituto Paulo Montenegro, em associação com a Ação Educativa e apoio do IBOPE.
       
        O quadro apurado é deveras calamitoso. Cerca de metqade da população brasileirapode ser rotulada como integrada por analfabetos funcionais.
       
        A recomendação é no sentido de que se promova investimento eficiente, consistente e focado nos anos iniciais. Sendo neles que todo o problema começa é justamente neles que se deve buscar a solução. Em abono dessa diretriz invocam-se os dados de outra pesquisa, desta vez, contando com a participação das entidades enumeradas e ainda do Cesgranrio e do INEP, voltada para crianças de oito anos, realizada em 2011. Pouco mais de metade apresenta aprendizado adequado no final do terceiro ano do ensino fundamental, índice que cai para pouco mais de 40% em matemática. Encontra-se aí o contingente que irá acumular, ao longo dos anos subseqüentes, de lacunas cada vez maiores. Inevitavelmente irão engrossar o caudal do analfabetismo funcional.
       
        O mais grave é que o descaso pelo ensino fundamental corresponde a uma das mais arraigadas entre as nossas tradições. Passamos a considerar obrigatório com um século de atraso em relação às nações européias e aos Estados Unidos. E enquanto aquelas nações marchavam para elevar esse nível a onze/doze séries, nos contentávamos com quatro séries.
       
        Ainda recentemente, para elevar a obrigatoriedade a nove séries, inventou-se o “faz de conta” de apenas passar a considerar como primeiro da série o último do pré-escolar. Essa “providência” dá bem uma idéia do nível de descaso a que chegamos, em face de realidade tão chocante.

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