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Ano II - n. 6 - outubro / dezembro, 2009

 
A crise financeira internacional e as perspectivas para a economia brasileira

Eiiti Sato *

       A presente análise discute o fato de que a crise financeira internacional aos poucos vai sendo controlada e, na sua esteira, uma nova ordem econômica vai emergindo. Este ensaio argumenta que, embora as perspectivas de curto prazo sejam promissoras para o Brasil quando comparadas com a maioria dos países, no longo prazo, o cenário não se apresenta tão favorável. Enquanto outras sociedades industrializadas e emergentes vêm investindo fortemente nas últimas décadas em modernização, produtividade e inovação tecnológica, o Brasil tem negligenciado esses investimentos. O artigo discute esse fato de que a sanidade das variáveis macroeconômicas é produto de um equilíbrio frágil e que, embora importante para o manejo das questões de curto prazo, não constitui garantia alguma de que o Brasil estará em melhores condições no cenário econômico internacional no mundo que vai emergindo na esteira da crise da economia globalizada.
       
       A economia brasileira diante da crise financeira internacional
       
       Na atual conjuntura em que a economia mundial se encontra às voltas com uma crise de grandes proporções, o Brasil tem a seu favor alguns elementos favoráveis, notadamente no que se refere às variáveis macroeconômicas. A implantação do Plano Real trouxe para a economia brasileira a possibilidade de construir um ambiente mais estável e previsível para os negócios, abrindo perspectivas novas para os investimentos e beneficiando especialmente o sistema bancário. Os expressivos lucros obtidos pelas instituições bancárias no Brasil nos últimos anos acabaram por se constituir em fator de segurança diante da crise que atingiu os grandes e tradicionais grupos financeiros das economias mais avançadas. A consolidação dessa estabilidade exigiu mais de uma década de trabalho dos governos e das instituições no sentido de evitar que novos desequilíbrios se tornassem incontroláveis.
       
       Esse quadro favorável pode ser resumido em alguns pontos. O endividamento externo encontra-se controlado, com prazos de vencimento confortáveis e em níveis perfeitamente compatíveis com as dimensões da economia. (1)As reservas externas acumuladas são superiores a US$ 200 bilhões, sendo maiores do que as obrigações externas. As contas externas têm sido saudáveis também no que diz respeito ao comportamento do balanço de pagamentos. A estrutura das contas externas inclui um perfil amplamente favorável no que diz respeito à composição do comércio exterior, que é bastante diversificado tanto em termos da pauta de produtos exportados quanto em relação à distribuição dos mercados. Como conseqüência, o volume de captação de investimentos externos diretos pela economia brasileira tem sido consistente, colocando o país entre as nações em desenvolvimento que mais recebem esse tipo de capital.
       
       Internamente, a inflação vem sendo mantida em níveis “civilizados” ao longo dos últimos anos e, de um modo geral, as instituições mais diretamente envolvidas com o manejo da economia podem ser consideradas competentes e saudáveis destacando-se nesse quadro o profissionalismo do Banco Central e a situação bastante segura do sistema financeiro como um todo. Há críticas quanto ao endividamento do setor público, no entanto, apesar de ser efetivamente elevado, os níveis não chegam a ameaçar a estabilidade institucional permitindo que os mecanismos financeiros e monetários administrem a dívida pública sem grandes dificuldades. Esse conjunto forma o que se costuma designar como “círculo virtuoso”, isto, a condição em que as variáveis por serem saudáveis ajudam umas às outras para que assim permaneçam.
       
       Outro elemento favorável de que dispõe a economia brasileira diante do corrente cenário de crise refere-se ao fato de que os níveis de integração à economia internacional são baixos. A baixa integração à economia internacional pode ter sido uma das causas mais importantes do pouco crescimento da economia brasileira quando comparado ao desempenho de outras economias emergentes, no entanto, essa pouca integração também faz com que os sintomas da crise corrente se façam sentir de maneira menos dramática. Países como o México, o Chile ou a Coréia do Sul, freqüentemente apontados como exemplos de crescimento por sua integração à economia internacional, têm sentido mais fortemente os efeitos da crise. (2) No Brasil, apenas os setores como o da produção mineral ou de aviões, fortemente dependentes do desempenho da economia internacional, têm se revelado mais susceptíveis aos impactos da crise. Mesmo o setor automobilístico, que a imprensa noticia fartamente como altamente problemático nos países industrializados, no Brasil esse setor tem sentido bem menos os efeitos da crise financeira internacional em função de sua pouca dependência das exportações. Nos últimos anos, menos de 20% do que produz a indústria automotiva brasileira têm tido as exportações por destino. Essa é uma das razões que explicam porque incentivos econômicos tradicionais como redução de impostos ou a expansão do crédito têm sido medidas capazes de produzir efeitos significativos sobre o nível de demanda do setor. (3) Em países onde a produção automobilística depende fortemente das exportações os efeitos de uma redução de impostos incidem somente sobre a parcela relativamente pequena da produção vendida no mercado nacional. Os governos, por mais poderosos que sejam, possuem capacidade limitada de estender a eficácia de suas ações para outros mercados.
       
       O problema crucial: novas bases tecnológicas dentro de um
       novo ambiente internacional

       
       Esse quadro macroeconômico favorável explica porque no Brasil se disseminou a percepção de que o cenário da crise internacional não é tão preocupante. Apesar de tudo, no longo prazo, a perspectivas não se apresentam tão positivas. Na verdade, parecem ser bem remotas as possibilidades de que o Brasil saia da crise com vantagens estruturais, uma vez que os elementos que formam a base tecnológica do País não foram objeto de grandes avanços nas duas últimas décadas.
       
       Talvez a questão mais crucial seja exatamente essa. De uma maneira ou de outra, a crise será superada, mas tudo indica que a recomposição da ordem e a retomada do crescimento econômico deverão ocorrer sobre bases sensivelmente diferentes daquelas que caracterizaram as duas últimas décadas. Ao menos sempre que houve uma crise mais profunda na economia internacional, a saída da crise ocorreu dentro de um ambiente em que inovações tecnológicas cumpriram um papel crucial. Em termos da teoria econômica pode-se dizer que o manejo da crise é keynesiano, mas o mundo pós-crise é schumpeteriano.
       
       É sempre arriscado dizer como será o mundo de amanhã – neste caso, como será a nova ordem econômica internacional – mas é possível desde já observar alguns desenvolvimentos ou tendências que deverão se constituir em referenciais importantes nessa ordem que vai emergindo. No ambiente internacional, a nova configuração no peso relativo das economias deverá estar melhor refletida nas instituições e práticas econômicas. A globalização não deverá sofrer recuos, mas os regimes internacionais, especialmente no campo das operações financeiras, deverão sair da crise robustecidos, com maior poder vinculante. No que se refere à emergência de uma nova economia, as chamadas tecnologias limpas deverão se constituir no padrão dominante no campo da geração de energia e nas atividades econômicas em geral.
       
       De uma forma geral, há amplo consenso de que as instituições e práticas construídas nos anos que se seguiram ao fim da grande guerra, de uma forma ou de outra, produziram um longo período de relativa paz, sem um conflito armado entre as grandes potências. Nesse ambiente a economia mundial viveu um consistente processo de crescimento que se expandiu para a maioria das regiões do globo. Por outro lado, há também o consenso de que a ordem econômica e política que produziu esse ambiente não mais reflete nem o peso econômico e político das nações e nem a agenda de temas que preocupam as sociedades. A percepção é a de que os espaços de negociação para o tratamento das questões internacionais estão defasados fazendo com que muitos problemas sejam efetivamente conduzidos à margem das instituições. Em larga medida, é possível entender que a crise financeira internacional reflete também essa incongruência e que poderá produzir entre seus efeitos alguns ajustamentos na ordem política e nas instituições e práticas da cooperação internacional.
       
       Muitos acontecimentos na esfera das relações econômicas internacionais, em especial no mundo das transações financeiras, encontram um certo paralelo com o que ocorreu em Bretton Woods. Os arranjos de Bretton Woods ficaram fortemente associados à idéia de reconstrução econômica do pós-guerra, mas sob muitos aspectos, deveria ser visto antes como a reconstrução econômica do pós-crise da década de 1930. As preocupações dominantes em Bretton Woods tinham sua origem na crise da década de 1930 e não nos problemas da guerra. Os anais de Bretton Woods dão conta de que o problema da reconstrução do pós-guerra e da retomada do crescimento, que tanto preocupavam Keynes, na realidade, ficou à margem dos arranjos da Conferência. (4)
       
       Com efeito, diferentemente do processo de reconstrução econômica levado a efeito após a primeira guerra, em que o desejo generalizado era o de recompor as práticas e instituições do pré-guerra, em Bretton Woods a principal preocupação que norteava Harry Dexter White e os negociadores americanos era produzir um arranjo que evitasse a crise que se abateu sobre a economia mundial a partir do colapso de 1929. Os historiadores econômicos apontam muitas incongruências e problemas na ordem econômica dos anos que precederam a guerra de 1914-18, mas o fato é que o quarto de século que antecedeu a guerra ficou conhecido como Belle Époque em virtude da sensação reinante nas sociedades européias de autoconfiança e de segurança, produzida por um período de mais de três décadas de relativa paz e de crescimento econômico consistente. Nesse ambiente era natural que para os governantes, assim como para a sociedade em geral, a idéia de reconstrução fosse entendida como a volta à ordem econômica do pré-guerra. (5)
       
       Em Bretton Woods ocorreu o oposto. A crise que se desencadeara em 1929 e se estendera pela década de 1930 havia deixado lembranças amargas e, em conseqüência, o sentimento generalizado era o de que a reconstrução deveria significar a busca de uma nova ordem econômica. Entre as lembranças amargas trazidas da década de 1930 estava a idéia de que o sistema financeiro servira de combustível adicional ao agravamento da crise, ao invés de atuar como elemento de amortecimento e mesmo de agente de socorro. O entendimento era o de que a volatilidade das aplicações financeiras permitira que o “comportamento de manada” dos investidores ampliasse a extensão da crise, tornando-a virtualmente incontrolável. (6) Assim, em Bretton Woods estabeleceu-se que os movimentos de capitais deveriam ser administrados. Os fluxos de investimentos internacionais seriam feitos essencialmente por meio da autoridade de governos nacionais ou de entidades multilaterais como o Banco Mundial. Em outras palavras, os movimentos de capitais privados na esfera internacional deveriam se restringir a investimentos diretos ou a aplicações feitas sob a supervisão do sistema Banco Mundial. (7)
       
       Na atual crise, de modo semelhante ao que ocorreu em Bretton Woods, há grande preocupação com a volatilidade do sistema financeiro havendo consenso no sentido de que os mercados de ativos financeiros devem ser alvo de regulamentação e de medidas de controle. O avanço da globalização financeira, que ganhou impulso a partir da década de 1980 – quando os traços remanescentes da ordem econômica de Bretton Woods foram abandonados – teve como elementos centrais a liberalização e a expansão dos mercados financeiros. A globalização, na verdade, foi um movimento muito mais amplo no sentido da “desregulamentação” da economia internacional, não ficando restrito apenas ao sistema financeiro, mas é certo que a liberdade dos fluxos financeiros ocupou uma posição central no processo. Joseph Stiglitz enumera algumas crises que antecederam 2008 e que tiveram lugar em segmentos importantes da atividade econômica sem, no entanto, transformar-se em crise sistêmica, tal como a “bolha do superinvestimento” da área de telecomunicações, em 2001. (8) Em várias ocasiões o presidente do Federal Reserve System, Alan Greenspan, deixou escapar sua preocupação com a possibilidade de ocorrência de uma crise mais séria nos mercados financeiros mas, obviamente, nem mesmo depois de deixar o cargo, Greenspan não poderia externar livremente essas preocupações sob pena de efetivamente desencadear uma reação de “manada”, o que resultaria efetivamente numa crise generalizada. O fato é que a fragilidade do equilíbrio do sistema financeiro era pressentida, no entanto num ambiente de expansão generalizada das economias, como o que ocorria desde a década de 1990, seria muito difícil esperar que qualquer proposta de regulamentação e controle pudesse ser seriamente considerada. O próprio título do livro de Stiglitz fornece uma idéia do ambiente de otimismo que cercou essa fase de crescimento que se estendeu por cerca duas décadas: “Os Exuberantes Anos 90. Uma Nova Interpretação da década mais próspera da História”. (10)
       
       A crise, no entanto, trouxe uma completa reversão nesse ambiente. A percepção trazida pela crise é a de que a expansão sem controle de derivativos e de outras modalidades de ativos financeiros estava na base dos problemas e, assim, um regime financeiro administrado deveria ser componente importante de uma nova ordem econômica internacional. Ou seja, a crise serviu para disseminar um consenso no sentido de que o regime financeiro internacional caracterizado pelo princípio do livre mercado deveria ser substituído por outro regime onde esse princípio cedesse espaço para regras e mecanismos de controle que limitem as ações dos agentes financeiros reduzindo, assim, as incertezas decorrentes da volatilidade dos fluxos de capitais. Esse controle deveria incidir sobre os mercados de títulos e sobre as instituições financeiras, incluindo-se também os chamados “paraísos fiscais”. No caso dos paraísos fiscais há ainda uma razão adicional que é o cerco às organizações terroristas, ao narcotráfico e ao crime organizado de uma forma geral que se vale de contas secretas e de transferências de fundos sem identificação para conduzir suas atividades ilícitas em diferentes países. Como e com que propósito, os agentes que atuam em paraísos fiscais deveriam distinguir dinheiro de contrabandistas, narcotraficantes, terroristas ou políticos corruptos? Nesse sentido, tal como ocorreu após o esgotamento do liberalismo do século XIX, que eclodiu na forma da grande crise da década de 1930, tudo indica que um produto da presente crise será um movimento no sentido de buscar na autoridade uma solução para as falhas de mercado do mundo globalizado.
       
       Outro fato importante que sugere a existência de um ambiente mais propício à formação de regimes econômicos internacionais mais robustos é o caráter multipolar da ordem econômica internacional. Nas últimas décadas a emergência da Ásia e o recuo na posição relativa dos Estados Unidos no cenário da economia mundial apenas fazem parte do lado mais visível de um mundo transformado. Os dados econômicos fartamente divulgados pelos relatórios oficiais e pela imprensa mostram as grandes mudanças no peso relativo das nações no cenário da economia global. Por exemplo, no início da década de 1980, os Estados Unidos eram responsáveis por cerca de 12% das exportações mundiais, a Alemanha 9% e a China apenas 1%. Em 2005 os Estados Unidos haviam reduzido sua participação nas exportações mundiais para 8,9%, a Alemanha aumentara ligeiramente sua participação para 9,5%, mas a China, com 7,5% já havia se tornado a terceira economia exportadora do planeta. Do ponto de vista regional, nesse período, enquanto o conjunto dos países da América do Sul e do Caribe reduziram sua participação nas exportações mundiais de 4,4% para meros 3,5%, a Ásia (incluindo o Japão) passou de 19% em 1983 para 27,4% em 2005. A mudança no peso relativo das economias, visível nos dados de produção e de participação no comércio internacional, significa também mudança no poder de barganha das economias. Assim, essas mudanças devem se refletir igualmente no processo de re-configuração das instituições e práticas que compõem os regimes internacionais.
       
       O perfil muito mais complexo da economia política internacional que emergiu desse mundo da globalização faz presumir que essa re-configuração será uma tarefa bastante árdua. Na verdade, as dificuldades com o funcionamento do mercado no âmbito do comércio já vêem aparecendo desde a Rodada Uruguai na forma de sucessivos impasses, que resultaram na transformação do GATT em OMC. Com efeito, essa transformação representou bem mais do que simplesmente uma troca de nomes. Significou um sensível fortalecimento do regime de comércio. O sistema de solução de controvérsias, que é a parte mais visível dessa transformação, passou a indicar que haviam regras a serem seguidas e que todos os países membros passavam a estar sujeitos a sanções. Diante das dificuldades da presente crise tudo indica que algo semelhante deverá ocorrer com o regime financeiro, que deverá ganhar regras, mecanismos de monitoramento e de controle. Usando-se um termo do jargão corrente, pode-se dizer que o “grau de governabilidade” no setor das transações financeiras internacionais deverá aumentar para, dessa forma, reduzir os problemas gerados pela incapacidade do mercado para acomodar os muitos interesses em jogo.
       
       Esse robustecimento do poder vinculante dos regimes internacionais não significa que haverá recuos no processo de globalização. Os vários sistemas que caracterizam o modo de vida neste início de milênio não admitem mais um recuo nos níveis da integração internacional. Não é apenas a dimensão econômica e tecnológica das sociedades que se acha integrada num verdadeiro sistema internacional de produção e distribuição de riqueza. A vida cultural e as formas de organização social também se encontram fortemente integradas em sistemas e subsistemas internacionais, ainda que sob formas mais difusas do que na esfera da vida econômica. Os meios de comunicação fazem com que até mesmo comunidades relativamente distantes dos centros mais dinâmicos do mundo acompanham e participam dos acontecimentos e das discussões no campo da cultura, dos valores e dos padrões de comportamento e de organização social. Na esfera da vida política, a evolução das organizações internacionais, são o retrato mais visível dessa integração internacional. Dessa forma, a crise internacional deste início de milênio se afigura antes como um elemento que reforça e aprofunda o processo de globalização e não como um sinal de que a integração internacional estaria em vias de sofrer algum recuo. Na verdade, toda análise até aqui desenvolvida aponta para a hipótese de que essa crise se afigura como um momento de ajustamento, de acomodação das forças que evoluíram ao longo das últimas décadas demandando uma nova ordem internacional com instituições e práticas mais adequadas a um mundo transformado.
       
       Tecnologias limpas: um novo patamar tecnológico
       
       Nesse novo ciclo que vai emergindo na economia mundial, tudo indica que a dimensão tecnológica deverá continuar tendo um papel central, tal qual vem ocorrendo desde que se instaurou o que vem sendo genericamente denominado de modernidade. O historiador Paul Johnson num trabalho ousado e de grande erudição identifica o nascimento da modernidade entre os anos de 1815 e 1830 quando, pela primeira vez, um período de paz relativamente prolongado permitiu que os conhecimentos científicos e os recursos tecnológicos da revolução industrial pudessem ser postos a serviço do bem-estar das sociedades. (13) De fato o fator tecnológico foi decisivo para a expansão colonial e para a construção de produtos e parques industriais que mudaram o modo de vida em toda parte. Da mesma maneira, esse fator serviu de base para o estabelecimento de um sistema de comércio global e de um sistema financeiro que acompanharam de perto novas maneiras de se produzir e distribuir a riqueza.
       
       O pensamento econômico interpreta esse processo como tendo sido cíclico, isto é, ao longo de dois séculos a economia internacional se estabeleceu, se transformou e cresceu de modo admirável, mas esse processo não se deu de forma linear e nem foi homogeneamente distribuído. Foi um processo cíclico e que em certos momentos houve paralisações e mesmo recuos com grandes ajustamentos nas práticas econômicas internacionais cuja denominação geral é crise. Tanto na esteira do que ocorreu na década de 1930 quanto no rastro da crise do modelo de crescimento do pós-Segunda Guerra Mundial, as economias que saíram efetivamente fortalecidas foram aquelas que, ao longo do período de crescimento de cada ciclo, construíram ou reforçaram sua infra-estrutura tecnológica. Após a crise de 1930 os Estados Unidos emergiram solitariamente como nação líder. Após a crise dos anos 1970-80, os Estados Unidos tiveram a companhia de alguns países europeus e do Japão. Na esteira da atual crise, vários países da Ásia fazem parte desse grupo por terem investido fortemente na modernização e na capacitação tecnológica de sua indústria.
       
       A ordem econômica, por sua vez, foi reconstituída tendo em vista essas transformações. As instituições e as práticas econômicas não poderiam ser moldadas de outra forma a não ser refletindo essa nova realidade composta por um novo perfil de atores e por novas formas de gerar riquezas. Assim, a história mostra que não há porque supor que, no novo ciclo econômico que vai emergindo na esteira da crise da globalização, a tecnologia não continue a desempenhar esse papel crucial e, entre as possíveis direções para as quais a tecnologia parece encaminhar-se celeremente, está o do conceito de tecnologia limpa, isto é, tecnologias de baixo impacto ambiental.
       
       Há várias razões para se acreditar que o padrão tecnológico deverá caminhar no sentido das tecnologias que dependem menos de recursos naturais e que produzem menos poluição e outros efeitos danosos ao meio ambiente. A mais geral dentre essas razões refere-se ao fato de que, caso os padrões de consumo praticados atualmente nos países industrializados forem estendidos ao restante da população mundial, haverá enormes conseqüências ambientais, além de significar, provavelmente o esgotamento de recursos naturais importantes. Se a cada ano apenas China e Índia incorporarem 1% de suas populações aos padrões de consumo dos países industrializados significaria um acréscimo anual de 25 milhões de novos consumidores aumentando substancialmente a pressão sobre matérias primas e todas as fontes de recursos naturais. O problema é que as taxas de crescimento desses dois países estão substantivamente mais elevadas do que meros 1% acima dos índices de crescimento das populações e dezenas de outros países, com grande respaldo de toda a comunidade internacional, vêm estabelecendo políticas de aceleração do processo de industrialização e crescimento da economia. A demanda por melhores condições de vida, sob qualquer ângulo, é reconhecida como legítima e desejável e, dessa forma, a única forma de evitar que haja uma substantiva aceleração dos processos de degradação ambiental em escala planetária é pelo investimento em tecnologias limpas, menos danosas ao meio ambiente.
       
       Associado a essa preocupação existe o lado político da segurança econômica. Petróleo e outros recursos naturais estão distribuídos de forma desigual pelo mundo e, em especial diante do recrudescimento de sentimentos religiosos e de nacionalismos exacerbados, é de se esperar que os investimentos se concentrem cada vez mais na geração de energia e na produção de bens e serviços mais independentes de fontes de fornecimentos de insumos sujeitos a governos instáveis e potencialmente refratários à integração internacional.
       
       Nesse cenário, principalmente nas nações industrializadas, a pesquisa no campo da produção e uso da energia se estende praticamente por todo o espectro de possibilidades. Não são apenas as fontes alternativas mais difundidas como a eólica e a solar que são contempladas com grandes programas com o objetivo de aumentar a eficiência e tornar essas alternativas economicamente viáveis. Formas de reduzir as perdas, sistemas que reduzem o consumo de energia, busca de tecnologias que combinem diferentes fontes ou permitam a reciclagem estão entre as linhas de pesquisa que dividem espaço com programas que exploram possibilidades tecnológicas mais avançadas como o uso do hidrogênio como fonte de energia para uso corrente.
       
       Além dos Estados Unidos, mesmo países com índices muito baixos de insolação como a Alemanha, o Japão e os países escandinavos têm investido fortemente no desenvolvimento de sistemas de aproveitamento da energia solar que inclui até mesmo formas arquitetônicas mais adequadas ao aproveitamento dessa forma de energia. A mesma preocupação pode ser vista no sentido mais geral da produção industrial e da redução e manejo dos dejetos e de outros subprodutos indesejáveis da atividade industrial e do consumo das populações.
       
       Os regimes internacionais, particularmente o de comércio, já incluem cláusulas ambientais e uma crescente quantidade de controvérsias comerciais envolvendo aspectos ambientais têm sido levantadas no âmbito da OMC. Alega-se que são controvérsias que ocultam objetivos protecionistas, no entanto, mesmo que algumas controvérsias realmente tenham esse propósito, o fato é que a questão ambiental já se integrou ao conjunto de alegações correntes aceitos no mundo das negociações comerciais.
       
       Conclusão: o Brasil e a economia mundial depois da crise
       
       No curto prazo, como discutido no início desta análise, tudo indica que o Brasil deverá sair relativamente bem da crise em razão do quadro macroeconômico que lhe é favorável, como tem sido amplamente comentado pelas autoridades econômicas e pela imprensa. Numa perspectiva estrutural, no entanto, as deficiências de meios e de adequação institucional deverão continuar a ser entraves para a melhoria nos seus padrões de produtividade, de qualidade de vida e de capacidade inovadora que, em última instância, comprometem a própria posição estratégica do País.
       
       Para um país com as dimensões do Brasil, a crise também pode produzir efeitos regionalmente diferentes. Na Amazônia, há expectativas de que a redução das pressões da demanda internacional em razão da contração do comércio traga uma redução na demanda por produtos agrícolas e florestais, que tem servido como forte estímulo ao desmatamento em países como o Brasil. Assim, a pressão sobre o meio ambiente na região Amazônica poderá ser aliviada mas, por outro lado, além da redução esperada nas exportações de produtos agrícolas brasileiros, que afetam outras regiões, há também a expectativa de uma significativa redução nos fluxos de capitais internacionais. Programas de investimento baseado no mecanismo da aquisição de créditos de carbono deverão sofrer considerável redução no seu ímpeto. Num plano mais geral, estimativas do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) indicam que os investimentos privados internacionais nos países emergentes deverão despencar dos US$ 900 bilhões em 2007 para algo na ordem de US$ 150 bilhões neste ano de 2009. (14)A redução na disponibilidade de capitais também deverá afetar o próprio comércio internacional – dados recentes mostram que houve um redução da ordem de 40% no crédito a operações comerciais no último trimestre de 2008, quando comparado com o mesmo período de 2007. (15) Espera-se que as medidas anunciadas na última reunião do G-20, no início de abril deste ano ajude a atenuar ou mesmo reverter esse quadro.
       
       Os fatos e dados já mencionados sugerem que a economia brasileira deverá sofrer menos os efeitos de curto prazo da crise internacional quando comparado com a situação de outros países que avançaram mais no processo de globalização de suas economias ou que apresentam maiores vulnerabilidades financeiras e comerciais. Apesar de tudo, não parece haver razões para supor que, uma vez superada as turbulências da crise, o Brasil possa se apresentar como candidato a se beneficiar de forma destacada de uma nova onda de crescimento que deve ganhar corpo dentro de algum tempo. As deficiências estruturais acumuladas ao longo das últimas décadas deverão continuar a ser um condicionante com forte potencial para limitar o crescimento da economia brasileira. Pode-se apontar algumas áreas que vão se afigurando como essenciais à economia do futuro nas quais houve estagnação ou avanços bem pouco expressivos no Brasil. Numa nova onda de crescimento, parece razoável esperar que também o Brasil venha a recuperar dinamismo, o que não parece razoável esperar é que a economia brasileira venha a se apresentar como economia capaz de ocupar posição de destaque.
       
       Na área da infra-estrutura econômica, as deficiências são bastante generalizadas como ocorre, por exemplo, na área dos transportes tanto em razão da qualidade precária quanto pela insuficiência dos sistemas que compõem esse setor. Especialmente num país de dimensões continentais como o Brasil, esse setor constitui ligações vitais para o funcionamento de todo o sistema econômico e a sua precariedade tem custos sociais e individuais difíceis de serem calculados. Do ponto de vista ambiental, a queima desnecessária de combustíveis constitui uma fonte cada vez mais expressiva de poluição. Numa cidade como São Paulo, milhões de litros de gasolina, álcool e óleo diesel são consumidos desnecessariamente apenas em decorrência da indigência do sistema de transporte coletivo. Nesse sentido, como exemplo que ilustra a grande precariedade dos serviços de transporte urbano e que se reflete em custos verdadeiramente incalculáveis, basta considerar alguns dados da cidade de São Paulo. Essa cidade, considerada como verdadeiro centro nervoso da economia brasileira, sem incluir a área metropolitana, contabiliza aproximadamente 11 milhões de habitantes assentados sobre uma superfície de 1.550 km2. A cidade possui um sistema metroviário considerado o melhor do País com uma extensão de apenas 61,3 km ligando 55 estações. Londres, por sua vez, ocupando uma área aproximadamente igual à de São Paulo, com uma população de 8,3 milhões de habitantes, conta com um sistema metroviário que se estende por 400 km ligando nada menos do que 270 estações. (16)
       
       O fato é que a dimensão dos desperdícios de tempo e de recursos gerados pela precariedade dos transportes é difícil de ser contabilizada, especialmente quando se considera que essa precariedade freqüentemente se compõe com outras deficiências como, por exemplo, o do sistema de drenagem das águas pluviais, que acarreta enchentes mesmo quando a quantidade de chuva não chega a ser considerada excessiva. O fato é que, independentemente de qualquer contabilidade, é óbvio que as horas perdidas sistematicamente na locomoção das pessoas e no transporte de mercadorias constituem fatores que influenciam consideravelmente os custos de produção e distribuição de bens econômicos de inúmeras formas.
       
       A observação de dados como esses faz concluir que se afiguram remotas as chances para que a posição internacional do País sofra mudanças no curto prazo, tornando-se uma economia efetivamente mais moderna e competitiva. Setores importantes da tecnologia têm sido virtualmente abandonadas como as pesquisas na área da tecnologia espacial e os investimentos em formas limpas de energia tecnologicamente avançadas como a eólica e a energia solar. A imprensa tem noticiado fartamente aspectos que ilustram esses fatos.
       
       Sob o ponto de vista ambiental, a matriz energética brasileira tem vantagens sobre a grande maioria dos outros países porque boa parte da energia consumida em grande escala (indústria, comércio e iluminação pública) tem origem em usinas hidroelétricas. No entanto, ao invés de investimentos em outras formas de energia limpa, a construção de usinas termoelétricas alimentadas por fontes fósseis é que vem aumentando, apesar de ainda haver um potencial considerável a ser explorado a partir de outras fontes. O aproveitamento do potencial de energia eólica no País é insignificante, embora o Brasil possua a segunda maior indústria do mundo produtora de hélices para captação de energia eólica. O fato é que praticamente toda a produção de hélices para geradores é exportada. (17)Há países em que essa fonte já representa significativa parcela do suprimento de energia como a Dinamarca para quem quase ¼ do consumo de energia é suprida por essa fonte. Segundo os dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos, as fontes alternativas foram as que mais cresceram desde 1980 naquele país, tendo aumentado em mais de 10 vezes, enquanto outras fontes como a hidroelétrica permaneceram nos mesmos níveis ou aumentaram muito menos, como a energia nucelar e as fontes fósseis que, na média, aumentaram menos de duas vezes. (18) Nos Estados Unidos apenas a área da energia eólica emprega cerca de 85 mil pessoas sendo, portanto, uma alternativa energética plenamente consolidada na economia daquele país.
       
       Outro exemplo de área onde o Brasil inexplicavelmente não vem dando atenção alguma é a da energia solar, muito embora seja um país em que essa forma de energia seja notavelmente abundante, ao contrário de países como a Alemanha, o Japão e os países escandinavos onde os índices de insolação são muito mais baixos mas há substanciais investimentos em curso que começam pela busca de soluções arquitetônicas até o desenvolvimento de sistemas mais eficientes de captação de energia e sua transformação para usos variados, inclusive industriais. (19) Os bio-combustíveis, entre os quais se destaca o metanol, certamente é uma alternativa energética cujas potencialidades o Brasil não pode desprezar, no entanto, trata-se de uma alternativa tecnológica do passado e não do futuro, que corre o risco de tornar-se obsoleta diante de novos desenvolvimentos que podem, perfeitamente, chegar aos mercados a partir dos grandes investimentos em curso no mundo em outras alternativas. A cana de açúcar é um insumo renovável, mas sua geopolítica apresenta problemas que em grande medida se assemelham à do petróleo.
       
       O caso da energia é bastante ilustrativo, mas outros setores da tecnologia também poderiam ser apontados por revelarem a mesma inércia em relação a alternativas tecnológicas para o futuro tais como a pesquisa espacial ou os sistemas de telecomunicação. A construção naval mais adequada às condições e necessidades do País seria outra área que poderia valer-se do grande potencial a ser explorado. Tanto do ponto de vista do emprego civil quanto do ponto de vista de usos militares a indústria naval brasileira poderia dar valiosa contribuição na construção de embarcações. (20) No caso da indústria aeronáutica ocorre uma situação curiosa na qual a produção da principal indústria brasileira é essencialmente voltada para a exportação muito embora as características dos produtos já fabricados regularmente sejam perfeitamente adequadas a um país de grande extensão territorial como o Brasil, que necessita de linhas regionais em larga escala, tal como ocorre nos Estados Unidos, na China e na Europa. Essas são algumas possíveis direções que deverão marcar o próximo ciclo de crescimento da economia mundial e que, inexplicavelmente, o Brasil vem negligenciando apesar do enorme potencial de vantagens competitivas.
       
       Obviamente, entre os problemas no substrato de questões como essas, está o crônico déficit em matéria de educação. Não há espaço para detalhar essa questão que é amplamente conhecida pelo público, bastando apenas sugerir a comparação dos índices e volumes investidos na educação no Brasil com os de outros países que, de algum modo, têm se destacado por seu desempenho na economia mundial. Em resumo, diante da crise, é possível dizer que a boa notícia é que os efeitos imediatos da crise (recessão e desemprego) não deverão ser tão severos no Brasil quanto tem se mostrado em relação a outros países, no entanto, no que tange a uma possível evolução nas condições estruturais do País em relação ao resto do mundo, não há razão para supor que a crise possa trazer qualquer efeito no sentido de melhorar sua posição internacional. Os investimentos que não foram feitos ao longo das duas ou três últimas décadas certamente não produzirão frutos como decorrência de uma crise econômica.
       
       NOTAS
       
       (1) De acordo com o Banco Central, em dezembro de 2008 a dívida externa total do Brasil era de US$ 195,8 bilhões, sendo apenas 22% em títulos de curto prazo.
       
       (2) O fato de a crise produzir menor impacto sobre economias que não avançaram no processo de globalização não significa necessariamente uma vantagem. A Coréia do Sul, por exemplo, tinha uma renda per capita equivalente à metade da brasileira no início da década de 1980 enquanto no início de 2008 essa renda já era equivalente a quase três vezes a do Brasil. Dessa forma, mesmo que a crise atinja mais severamente a economia coreana isto não quer dizer que o Brasil terá superado os índices de desenvolvimento da Coréia do Sul ao tempo em que essa crise venha a ser considerada ultrapassada.
       
       (3) A esse respeito a ANFAVEA, em sua página eletrônica (dia 8/maio/2009), informa que a redução nas vendas externas de veículos (em valores) foi de 52% no primeiro quadrimestre de 2009 em relação ao mesmo período de 2008.
       
       (4) Ver M. G. de Vries, The International Monetary Fund. 1945-1970. International Monetary Fund, Washington, D.C., 1972.
       
       (5) Derek H. Aldcroft mostra que a volta ao padrão ouro era uma iniciativa que gozava de amplo apoio pois, simbolicamente, representava a volta à ordem econômica do pré-guerra que havia proporcionado um longo período de estabilidade e crescimento (D. H. Aldcroft, From Versailles to Wall Street. 1919-1929. Allen Lane Penguin Books, London, 1977. Ver cap. 6)
       
       (6) Após um período de expansão, segue-se um instante em que dificuldades e incertezas surgem e, diante das incertezas e dificuldades que geralmente aparecem na forma de quedas nos valores dos ativos financeiros, instala-se um ambiente de pânico entre os possuidores de ativos (comportamento de manada), espalhando a crise e tornando-a generalizada. Esse seria um roteiro típico de crise econômica. (C. P. Kindleberger, Manias, Pânico e Crashes. Um Histórico das Crises Financeiras. Nova Fronteira, R. de Janeiro, 2000)
       
       (7) Kindleberger mostra no seu livro sobre a Crise como a volatilidade do sistema financeiro contribuiu para o colapso de 1929. À época não havia qualquer mecanismo para conter a redução da disponibilidade de crédito que se reduziu pela metade nos dois primeiros meses que se seguiram à queda da Bolsa de New York (C. P. Kindleberger, The World in Depression. 1929-1939. Penguin Books, Middlesex, 1987. pp. 100-103)
       
       (8)J. E. Stiglitz. Os Exuberantes anos 90. Uma Nova Interpretação da Década Mais Próspera da História. Companhia das Letras, S. Paulo, 2003.
       
       (9) Alan Greenspan foi presidente do Federal Reserve System no período de 1987 a 2006.
       
       (10) Título em ingles: The Roaring Nineties: a New History of the World’s Most Prosperous Decade.
       
       (11)Dados disponíveis na página eletrônica da World Trade Organization. O Brasil, ao longo desse período, apenas acompanhou o ritmo de crescimento do comércio mundial com sua participação permanecendo estável, próximo de 1% do total.
       
       (12) A Rodada Uruguai terminou em 1994 e a OMC entrou em vigor em 1995 e geralmente as referências à OMC eram feitas como the GATT with teeth, indicando que a OMC passava a ter muito mais poder vinculante do que o GATT, isto é, mais capacidade de criar e impor regras e estabelecer procedimentos nas relações comerciais entre os países.
       
       (13) “I present the fifteen years 1815-30 as those during which the matrix of the modern world was largely formed ... ( ) the actual birth, delayed by the long, destructive gestation period formed by the Napoleonic Wars, could begin in full measure only when peace came and the immense new resources in finance, management, science and technology which were now available could be put to constructive purposes.” (P. Johnson, The Birth of the Modern. World Society 1815-1830. Harper Collins Publishers, N. York, 1991. p. xvii)
       
       (14) INTAL – Carta Mensal no. 152 (março/2009), publicação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
       
       (15)Idem, dados fornecidos pela OMC e pelo Banco Mundial.
       
       (16)Dados extraídos das páginas de divulgação oficial das prefeituras de São Paulo e de Londres.
       
       (17)Tecsis Tecnologia e Sistemas Avançados, que tem sua fábrica em Sorocaba, SP.
       
       (18)The New York Times Almanac, 2007, pp. 367-70.
       
       (19)O Barão do Rio Branco em 1903, tendo diante de si a questão do Acre cuja possibilidade de exigir uma solução militar era grande e outras questões ainda pendentes oficiara várias vezes o Almirante Júlio Noronha, Ministro da Marinha, pedindo-lhe a aquisição de navios de combate em condições de, se necessário, entrar em ação inclusive em leitos fluviais (M. Justo Guedes, O Barão do Rio Branco e a Modernização da Defesa, in C. H. Cardim & J. Almino, eds. Rio Branco e a América do Sul e a Modernização do Brasil, FUNAG/IPRI, Brasília, 2002).
       

Eiiti Sato
Paulista de nascimento, diplomou-se em economia pela Fundação Alves Penteado- FAAP, tendo obtido o grau de Mestre em Relações Internacionais na Universidade de Cambridge (U.K.) e de Mestre e Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo. Foi consultor do Ministério das Relações Exteriores e Coordenador de Projetos do Centro de Estudos Estratégicos (2000/2004). Foi presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais na gestão 2005/2007. Atualmente é professor adjunto da Universidade de Brasília, onde exerce o cargo de diretor do Instituto de Relações Internacionais, com mandato até 2010.

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