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Ano I - n. 3 - janeiro / março, 2009

 
Ortega y Gasset e sua época. Anotações

Ralph Miguel Zerkowski *

       1- Introdução
       
       La reabsorción de la circunstancia - pensava Ortega - es el destino concreto del hombre. Hay que buscarle el sentido, salvarla,”porque si no la salvo a ella no me salvo yo.” (1)
       
       Vamos nesta parte situar a Europa, de um modo geral, para depois introduzir a Espanha a fim de se poder aquilatar melhor a figura de Ortega y Gasset. O método adotado é inspirado em Karl Manheim (1893-1947) por sinal contemporâneo de Ortega. A idéia básica é de que teorias, idéias, pensamentos são influenciados por determinados períodos de tempo e de espaço, não necessariamente invalidando a sua universalidade.(2) Desta forma o “environment” desempenha papel crucial na interpretação e no entendimento da sua obra como um todo e da Espanha em particular.
       
       Ainda a título introdutório há que se destacar aquilo que de um modo geral os historiadores do pós-segunda guerra mundial vêm colocando. Ao invés da tradicional abordagem de Século XIX e Século XX obedecendo rigorosamente à variável tempo, optaram por uma temporalização mais flexível tomando como parâmetro certos acontecimentos de natureza política, econômica e social.
       
       Deste modo a colocação seria a de que o Século XIX passaria a se denominar o “Longo Século XIX” que incorporaria as revoluções americana, francesa bem como a industrial. alcançando, por conseguinte a parte final do século XVIII. Da mesma forma ele terminaria durante as duas primeiras décadas do Século XX, ou seja, com o término da Primeira Guerra Mundial.
       
       Em contraposição o Século XX denominar-se-ia o “Curto Século XX” já que se estenderia desde o fim da Grande Guerra (de permeio a Revolução Bolchevique de Outubro 1917) até a Queda do Muro Berlin (1989) e da União Soviética (1991). Neste sentido Ortega situa-se numa transição do Século XIX para o Século XX tanto no sentido da divisão tradicional quanto à nova, acima exposta, a que teria grande importância conforma veremos mais adiante. A Europa assistia, por conseguinte, os desdobramentos da “Era das Revoluções”. No campo demográfico, a queda no ritmo ascensional da população, que cada vez mais se torna urbana e irrequieta.
       Fervilhavam as idéias revolucionárias ditas de esquerda. As democracias tendiam a se abrir e o fenômeno do populismo já se pronunciava.
       
       Usando o linguajar de Ortega as massas estavam insatisfeitas; o que era um paradoxo, pois uma geração anterior boa parte delas ainda estava no campo em condições certamente inferiores às que prevaleciam agora nos centros urbanos.
       Isto tem uma explicação que é dada pela Historia Social. As segundas gerações urbanas querem aumento nos seus padrões de vida semelhantes às que seus pais tiveram quando migraram para os centros urbanos.
       
       O contacto entre os indivíduos é mais estreito do que havia na área campestre. As idéias correm mais rapidamente e não faltam ideólogos para “incentivar” os indivíduos a se sentirem insatisfeitos, embora muitas vezes as condições fossem realmente abjetas.
       
       Karl Marx, por exemplo, encontraria um ambiente fértil para suas idéias. Embora fosse um autor obscuro, em alguns pontos da sua obra, como “Das Kapital”, sabia perfeitamente contrabalançar isto, quando divulga “O Manifesto Comunista” no qual fala de perto às massas. Mas não era o único. Outros como Proudhon mostrariam aos insatisfeitos que havia soluções.
       
       Enquanto isto, países como Reino Unido, França, Alemanha (esta, sobretudo) e mesmo Itália após a unificação, iam se modernizando, principalmente no plano econômico, quer através do processo industrial, quer pela abertura das suas economias.(3) Do outro lado do Atlântico, após a Guerra de Secessão norte-americana, passa este país por uma fase contínua de crescimento econômico e chega às vésperas da Primeira Guerra Mundial virtualmente como a potencia líder mundial. Nas antigas colônias, após a libertação do jugo espanhol e português, observa-se um lento renascer, porém muitíssimo mais lento que o europeu e o norte-americano.
       
       A Espanha está entregue aos seus problemas específicos.
       
       A Espanha, historicamente, foi um país com seus altos e baixos que remontam à Inquisição, passam pela idade de ouro séculos XV, XVI e XVII. Chegam a um século XVIII e XIX lutando desesperadamente com seus revezes, continua parcialmente assim na sua primeira metade do Século XX, para na segunda iniciar sua recuperação, para finalmente emergir como Nação moderna e consolidada.
       
       2. A preparação para receber Ortega y Gasset e sua formação.
       
       Agora o desenrolar do Século XIX parece vital para entendermos o que se passou e as criticas que seriam feitas posteriormente. Quem nos conta é Julián Marías. Diz: enquanto a Europa preocupa-se com Hegel, Fichte, Comte, reinava na Espanha o obscurantismo derivado de uma atmosfera inquisitorial. (4)
       
       Da mesma forma, no campo material, fechavam-se indústrias têxteis, de móveis e relógios de um lado por falta de competitividade e de outro pela queda dos impostos aduaneiros. Há o que Marías chama uma “decalagem” entre a Europa e Espanha que milagrosamente poupa a chamada geração de 98. (5)
       
       Evidentemente que na falta de uma “autonomia intelectual” influencias externas se faziam presentes. A francesa certamente, a inglesa, e já caminhando para o final de século a alemã.(6)
       
       Segundo Marías, Ortega teria recebido várias influencias externas, como não poderia deixar de acontecer. Inicialmente, dentro de certa previsibilidade, a influencia seria francesa, mas quase que imediatamente trocada pela alemã conforme veremos. Sua experiência universitária, segundo ele mesmo diz, é decepcionante. Estuda concomitantemente Direito e Filosofia em Bilbao, presta exame em Salamanca, para terminar os estudos na Universidade Central de Madrid, agora concentrado em Letras e Filosofia. O que resta da sua experiência é a percepção da penetração alemã que, aos poucos, foi se dando a partir do início do Século XIX e que vai se acentuando a medida que os pensadores alemães vão aparecendo e atingem Ortega, já aí pelos inícios do Século XX (7).
       
       Relata Marias que, em 1905, Ortega resolve ir à Universidade de Leipzig, na Alemanha. Note-se, como já foi dito, antes disto apenas Nietszche tinha impactado em Ortega. Agora trava conhecimento com Kant ,ou, como diz “um corpo a corpo com uma alma latina”.(8)
       
       Já em Marburg encontra Hermann Cohen (1842-1918), célebre pelos seus livros interpretando Kant; e Ernest Cassirer (1845-1945), célebre pelo seu neo-kantianismo (9).
       
       Mais adiante, outro personagem haveria de influenciá-lo: Oswald Spengler com o seu “Decadência do Ocidente”, cujas idéias impactam na sua visão da Europa. (10)
       
       3. Os escritos de Ortega. Sua Trajetória Intelectual e a Espanha
       
       Examinemos agora alguns dos escritos do jovem Ortega. Estamos no período pós-alemão. Depois de passar rapidamente pelo socialismo, funda a Liga de Educação Política, que conta como personagens importantes Manuel Azaña (futuro presidente da Republica, no período 1933-1936), Américo Castro (importante historiador), Salvador de Madriaga, dentre outros. (11) Escreve no “El Sol” e prepara “Espanã Invertebrada”, livro de 1921. É um período em que Ortega demonstra um liberalismo refinado, que nada tem a ver com as cores do conservadorismo local e no qual se revelam as influencias de Dilthey e de outros pensadores alemães.
       
       À chegada da ditadura de Primo Rivera (1923 – 1929) são anos de intenso brilhantismo na obra de Ortega na qual se torna a figura de maior prestigio intelectual na Espanha. Escreve na Revista do Ocidente, debate com outro grande intelectual da época, Miguel Unamuno (considerado do nível de Ortega). No início, apóia a Ditadura de Rivera e acaba por indispor-se com ela, sofrendo censura.
       
       Demite-se da cátedra de Metafísica com outros intelectuais e vai para a Argentina.
       Historiadores mais contemporâneos irão considerar a ditadura de Primo Rivera (1923-1930) como um primeiro esforço “modernizador” na Espanha do Século XX.
       
       (12) De 1923 a 1929, a produção de Ortega é a mais abundante da sua vida, avultando “A Rebelião das Massas” (1929). Talvez mereça referencia “Sobre o Fascismo- Sine Ira et Studio” (1924), era evidentemente um tema da época que afetava inclusive a Espanha. (13)
       
       Na década de 30, com o livro “Meditacion de La Técnica” (1933) --na parte em que aborda a sua Teoria Social--, Ortega mostra que, ao contrário do mundo animal, a esfera humana é por demais desigual. Ia na contramão dos igualitaristas, que gozavam de ampla popularidade, isto já no início da era republicana de Manuel Azaña, na qual a esquerda desempenharia um papel crucial. (14)
       
       Mais uma vez Ortega dá o seu apoio inicial à Republica para depois se rebelar. O clima era ser de direita ou de esquerda, inacveitável a um liberal como Ortega. Desagradaria escrevendo então “La Conquista Del Estado”.
       
       E assim, em 1933, Ortega se reintegra à universidade, desgostoso da vida política. Produzirá “El Hombre y La Gente” e “La Razón Histórica”, cujo capítulo final é “La Estructura de La Vida Histórica y Social. (15) A Guerra Civil pega Ortega em Paris. O apoio aos nacionalistas que lutavam contra os republicanos é brando. Os intelectuais estão divididos e claro, confusos. Sabia-se que a Espanha Republicana (1933-1936) era inviável. (16)
       
       Aí por volta de 38 questiona os direitos humanos, afirmando que são metafísicos e que os verdadeiros direitos são os da liberdade, legitimidade, magistratura, capacidade. Acrescenta: “ser de la izquierda es como ser de la derecha, uma de las infinitas maneras que el hombre puede elegir para ser imbécil”. (17)
       
       O ponto crucial evidentemente é se entender a relação Ortega/Franco. Aqui irão surgir muitas versões dependendo geralmente da posição, sobretudo política, do observador. Ortega passa boa parte fora da Espanha durante o período franquista, voltando precisamente em 8 de Agosto de 1945, segundo indicação de Morán. (18) A relação foi sempre muito complicada. A vitória de Franco representou um alivio, não só pelo término da Guerra Civil (1936-39) como por que os republicanos, sobretudo comunistas e anarquistas, dentre outros, tinham levado a Espanha para o caos.
       
       De outro lado, a repressão fascista não foi menos assustadora. Salvador de Madriaga e Miguel Unamuno, dentre outros, sofreram por causa da suas posições neutras, uma espécie de ostracismo. (19) Este seria um dilema que perseguiria intelectuais pelo resto das suas vidas. Franco, como todo o ditador, exigia, sobretudo logo após a Guerra Civil, uma adesão incondicional, coisa que intelectuais como Ortega não poderiam dar.
       
       Conforme mostra Preston eles ansiavam por uma Espanha moderna, liberal, no sentido mais universal (europeização) e não poderiam concordar com uma ditadura; eram por demais sofisticados (embora tivesse o regime franquista apoio de alguns intelectuais) (20) para lidarem com um regime repressivo e primitivo com aquele que se seguiu à Guerra Civil. (21)
       
       Uma questão ainda a ser abordada é a da Igreja Católica na Espanha, que sempre merece um destaque especial. Desde a Inquisição, passando pelo seu papel nos séculos posteriores até o Século XX, com a onda de anti-clericalismo, o social catolicismo e, finalmente, a Opus-Dei não menos controversa. (22)
       
       Mas sem dúvida alguma é o Nacional-Catolicismo que desempenha papel fundamental: politicamente apóia a Franco e embora separada do Estado receba dele as benesses. Franco passa a ser inclusive neste período um fator de unidade. Muito mais tarde haveria um início de rompimento já sob o domínio da Teologia da Libertação. (23)
       
       Neste ínterim, Ortega está fora da Espanha (França, Argentina, Portugal, etc.) e, na volta, certamente observaria este cenário. Era virtualmente contra o clericalismo o que sugere uma discreta oposição ao Nacional-Catolicismo. Em 1945, Serrano Suñer, Ministro das Relações Exteriores de Franco (e seu cunhado), com o fim da Segunda Guerra Mundial, escreve uma carta a Franco propondo a desmobilização da Falange (órgão típico das organizações políticas dos regimes fascistas), e a incorporação de um maior número de intelectuais no governo dentre os quais Ortega y Gasset. A resposta manuscrita do ditador era “no” seguida de expressões que lembram uma gargalhada. Franco na mensagem radiofônica anual dirigida a Nação fala dos perigos da subversão, dos estrangeiros que queriam dividir o País e da libertinagem e dos liberais, dentre eles Ortega, dizendo “que pareciam sepulcros brancos sem vida sem brilho, com fedor maçônico que caracterizou os nossos anos tristes. (24) Em 1955 durante o enterro de Ortega manifestações contra o regime explodiriam. (25)
       
       Vale a pena examinar os últimos nove anos da vida de Ortega. Esta época caracteriza-se por uma Espanha pobre e autárquica, virada sobre si mesmo. Encontra os católicos divididos entre integristas, adeptos do Opus-Dei de um lado; de outro, os tradicionalistas, ligados à Falange. Os primeiros propondo mudanças dentro do regime e sob a sombra de Franco, a modernização inclusive com abertura ao menos econômica do regime (expressavam sua admiração pelos Estados Unidos) (26). Já os tradicionalistas achando que a Espanha devia se virar para dentro de si mesma, não se contaminando com o contacto estrangeiro, tal como acontecera durante a Segunda Guerra Mundial, um prolongamento daquela época. (27)
       
       No campo intelectual predominavam Pedro Larrain Entralgo, Jose Antonio Primo de Rivera, Jose Donoso Cortes, Rafael Calvo Serer, Menendez Pelayo, Miguel Unamuno e Jose Camilo Cela.
       
       Enquanto isto Ortega recebia seus vencimentos de professor universitário. Franco pagava “su sueldo” para que ele não desse aulas (conforma atesta Morán em obra citada) o que referenda a ambigüidade que sempre houve na relação entre Ortega e Franco.
       
       Relata ainda Morán que no início dos anos cinqüenta a Espanha achava-se voltada para a Alemanha. Ignoravam-se as filosofias; pouco da França e Itália, menos ainda do Reino Unido, Estados Unidos.(28) O próprio Ortega ignorava figuras paradigmáticas como Karl Popper, Isaiah Berlin passando por Elias Canetti. (29)
       Em 1953, os falangistas tentam colocar Ortega no Índice dos Livros Proibidos pela Igreja Católica, o que representaria, dentro da Espanha, a morte em vida. Apesar de tudo, não conseguem. Luiz Diez del Corral (1911/88) publica um dos mais importantes livros para a Doutrina Liberal: “El Rapto de Europa”, de clara influencia orteguiana.(30)
       
       Por conseguinte o que temos é uma constante controvérsia em torno de Ortega até a sua morte em 18 de Outubro de 1955. De um lado os intelectuais mais ligados à Falange e conseqüentemente ao regime; e, de outro, os liberais, como o mencionado Julian Marias seu discípulo e filósofo de expressão, sobretudo seu admirador incondicional. Vale notar que a Espanha após a morte de Ortega começa a se abrir para o mundo. Torna-se pólo turístico e país plenamente desenvolvido e se “europeíza”, como ele queria. Jose Ortega y Gasset não teria tempo de ver seu sonho realizado.
       
       NOTAS
       
       (1) Citado por ” Julian Marias - Acerca de Ortega Circunstancia y Vocacion ; Madrid 1971 pag. 113.
       
       (2) Guenther W.Remmling – “La Sociologia de Karl Manheim” México DF 1982 pags.13 a 17.
       
       (3) Mesmo a Rússia no período de final de século XIX até 1913 apresentava um quadro importante industrial seu parque já era o quinto da Europa coisa que a Espanha estava longe de alcançar.
       
       (4) Julián Marías – “Ortega Circunstancia y Vocación” pags. 50 e 51 .
       
       (5) Ver Marías op. cit. pags. 51 e 52. A geração 98 é famosa pelo número de intelectuais que propiciou Miguel Unamuno. Vicente Blasco Ibañez, Antonio Machado, Manuel Machado, Pio Baroja, etc. Destacavam-se pela visão que tinham do atraso espanhol, da apatia que cercava este país utilizando a linguagem da literatura ou por ensaios sociológicos. Cai por terra a idéia de uma Espanha altiva e que, por conseguinte havia de se promover reformas a começar pela espiritual. Conforme vai se ver mais adiante isto impactaria na obra de Ortega, sobretudo no caso do livro intitulado“Espanha Invertebrada”. Para um estudo de maior profundidade ver a obra fundamental de Pedro Laín Entralgo “La Generación Del 98” Madrid 1997.
       
       (6) O caso alemão merece uma reflexão a parte. Quando a Espanha dominava nos Séculos XVI e XVII com seu Império, a Alemanha era uma nação obscura inclusive intelectualmente. È praticamente na entrada do Século XVIII passando pelo Século XIX é que vão surgir os grandes nomes da Literatura ( vide Schiller) da Filosofia (Hegel) e das Ciências Sociais (Dilthey). Por certo os espanhóis tinham alguma consciência disto.
       
       (7) A Alemanha é absolutamente fértil no Século XIX. Basta lembrar Kant, Nietzsche, Marx, Dilthey, Weber etc. Mesmo quando os autores entravam pelo Século XX, o “zeitgeist” (espírito da época) era o do século anterior, como aliás foi afirmado acima. A má experiência com a universidade espanhola também o influencia e também acabará em livro ( Mission de La Universidad). Aquilo que não era claro na Espanha o papel da universidade no destino de uma nação o que agora é tangível para ele. Menciona a pobreza das bibliotecas espanholas quando comparadas com as da Alemanha.
       
       (8) Marias op. cit. Pags.195 e 196.
       
       (9) Marias op. cit. Pags. 202 e 203.
       
       (10) Nesta época há uma idéia se formando sobre o destino da Europa. Isto se agravaria com a eclosão da Grande Guerra e por suposto depois desta. Não faltava matéria prima; depressão de 30, Revolução Bolchevique, guerras menores e revoluções políticas, ascensão do fascismo na Itália, a ditadura de Primo de Rivera, depois a Guerra Civil na Espanha. Este conjunto certamente seria notado por Ortega e se transmitiria nos seus escritos sobre a Europa.
       
       (11) Gregorio Morán-“ El Maestro em El Erial”; Ortega y Gasset y La cultura del Franquismo: Barcelona 1998. Pags. 37e38.
       
       (12) Eduardo González Calleja – “La España de Primo de Rivera. La modernización autoritária 1923-1930; Madrid 2005. Primo de Rivera bem como todos Rivera foram figuras controversas. Começando pelo pai Miguel Primo de Rivera ditador entre 1922 e 1930. A todo o momento Antonio Primo de Rivera (1903/1936) é mencionado, figura de inegável prestígio intelectual morto pela Frente Popular em 20 de Novembro, dentro do contexto da Guerra Civil.(1936-1939) Note se que o falangismo por ele idealizado foi doutrina importante e sofisticada, tanto quanto o fascismo italiano e contrastando com a rudeza do nacional- socialismo.
       
       (13) Ver Julian Marias op. cit pag .58
       
       (14) The Enyclopaedia of Philosophy; Vol 6. Verbete: Ortega y Gasset Pag.4.The Social Theory.
       
       (15) Morán op. cit. Pags. 54 e 55.
       
       (16) Anos mais tarde aconteceriam fatos como a queda de Salvador Allende, de João Goulart e de Isabelita Peron em tudo e por tudo semelhantes. O caráter pós-revolucionário também é idêntico inclusive a repressão violenta. Vale à pena salientar que Julian Marias nas suas memórias mostra o extraordinário número de igrejas incendiadas, por exemplo, mostrando o grau de extremismo que havia antes e durante o período da Republica.
       
       (17) Morán pags 62 e 63.
       
       (18) Op.it. Pag.19.
       
       (19) Paul Preston – “Comrades Portraits from the Civil War”; New York 1999 Pags.321 e 322.
       
       (20) Pedro Lain Entralgo ( da facção falangista) que escreveu sobre a famosa geração de 98 referindo-se a final do Século XIX). São importantes ainda Antonio Machado e seu fundador Jose Antonio Primo de Rivera e Jose Donoso Cortes Defendiam a Alemanha Nazista e seu intelectual de referencia era Carl Schmitt cientista político e constitucionalista. Este depois da guerra foi “acolhido” na Espanha em 1952 dando palestras em universidades. Registre-se neste contexto que Ortega foi hostilizado por estes grupos no pós-guerra.
       
       (21) Esta questão da modernização espanhola poderia ser questão de disputa a partir do pós- guerra, sobretudo após a morte de Ortega em 1955. Com a relativa normalização das relações da Espanha com a Europa Ocidental e Os Estados Unidos houve de fato um movimento de modernização e de prosperidade econômica impressionante, incluindo-se aí a reforma no aparelho estatal, que serviu de alicerce para a Espanha de hoje. Stanley C. Payne- “El Regimen de Franco 1936-1975” Madrid 1987. Ver Capítulo 23 “El Regimen de Franco em Perspectiva” no qual o autor não simpatizante de Franco avalia os avanços em todos os campos durante esta época que seria denominada de “franquismo-técnico-pragmático”. Ressalta também a ambigüidade do regime coisa que certamente explicaria a própria posição de Ortega acima aludida. Aduz ainda que Franco se inspirou muito na ditadura de Primo de Rivera também considerado um modernizador. Vale recordar que Ortega também teve entusiasmos iniciais com este regime. Ver Eduardo González Calleja- “La España de Primo de Rivera”; La Modernizacíon Autoritária1923-1930. Madrid 2005.
       
       (22) A Opus Dei foi fundada em 1928 Jose Maria Escriva de Balaguer. Entidade controversa, mas indiscutivelmente ligada à formação de quadros político-administrativos da Espanha moderna. O seu ideólogo principal é Rafael Calvo Serer.
       
       (23) William J. Callahan – “The Catholic Church in Spain; 1875-1998. Wahington DC ;2000 Pags. 382 a 385.
       
       (24) Preston op.cit.Pag.702.
       
       (25)Preston op.cit.Pag.703.
       
       (26) Julian Marias seria professor em universidade americana e admirador deste país, conforme consta das suas memórias.
       
       (27) A Itália de Mussolini também tinha passado por um período assim antes de se aliar com a Alemanha Nazista.
       
       (28) Morán op.cit.Pag.335.
       
       (29) Morán op.cit. Pag. 339. Isto, entretanto não impediu que Ortega fosse a Manchester, Glascow, e Londres isto em 1955. Segundo Moran leu Toynbee, mas não gostou Em compensação é admirado por Martin Heiddeger. Já com Benedetto Croce vai de uma admiração até que se recusa em escrever um artigo por ocasião da morte daquele em 1952, supõe-se para não se comprometer politicamente, já que nesta época é todo silencio em relação a Franco e como se sabe Croce era adversário do regime fascista.
       
       (30) Luis Diez del Corral é dos mais importantes e atualizados pensadores liberais na Espanha. Dentre as mais importantes contribuições está “El Liberalismo Doutrinário” Madrid 1984 além da obra acima referida.

Ralph Miguel Zerkowski
Economista tendo prestado serviços na Confederação Nacional da Indústria, na CEPAL, em Santiago e no Ministério do Planejamento. Chefiou o Centro de Contas Nacionais e Demografia da Fundação Getúlio Vargas. Na área acadêmica, foi professor titular na Universidade Federal Fluminense, UERJ, PUC e EBAPE- FGV. Autor do livro Inflação e fatores sociais.

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