Resenha
Ano IV - n. 18 - outubro / dezembro, 2012

 
Economia e política das relações internacionais.

Antonio Paim *

       
         
        Eiiti Sato – Economia e política das relações internacionais. Belo Horizonte; Fino
        Traço Editora, 2012, 232 p.
       
        Antonio Paim
       
        A obra do prof. Eiiti Sato corresponde a uma contribuição fundamental para compreender de que modo, em nosso tempo, as políticas nacionais, em matéria de crescimento econômico, têm que levar em conta tanto o mercado internacional como  igualmente as instituições e regras ali vigentes. As dimensões assumidas pelo tema da globalização arquivaram as veleidades em torno de desenvolvimento autárquico. Entretanto, deste simples fato não se infere automaticamente o caminho a seguir.
       
        Como mostra em seu livro, existe, em primeiro lugar, um conjunto de organizações que interferem na movimentação internacional de mercadorias e serviços, a começar da Organização Mundial do Comércio (OMC), seguindo-se os arranjos regionais (União Européia; Nafta; etc.), a FAO e outras. O sistema monetário internacional constitui a segunda componente dessa ordem econômica. Contudo, conforme evidenciará o autor, a dinâmica decisiva encontra-se em outra parte: na problemática que emerge do generalizado empenho e busca do crescimento, dos avanços da tecnologia, dos experimentos mal sucedidos. É o que denomina de “elementos intangíveis”, que não são previsíveis, como supõem em geral aqueles que preferem o caminho cômodo da satanização do sistema capitalista, acalentando sonhos bucólicos e esperanças numa ordem sem percalços, inexistente.
       
        Escreve: “A história mostra que os padrões predominantes no meio internacional têm seguido uma trajetória de contínuas mudanças e transformações em que a questão do crescimento na produção e oferta de bens e serviços tem desempenhado um papel central. Nações se tornam poderosas ou declinam ao mesmo tempo em que os fluxos de bens, de serviços, de recursos e mesmo de pessoas mudam de direção e de características favorecendo alguns e tornando obsoletas instituições e práticas consolidadas por longo tempo. Desta forma, ao se discutir crises e mudanças na ordem econômica internacional, torna-se inevitável também a discussão dos efeitos das crises sobre as mudanças na distribuição da atividade econômica e da riqueza entre as sociedades. (ed. cit, p. 32)
       
        Afirma taxativamente que “Os governos e a maioria das pessoas desejariam que o crescimento fosse um processo contínuo, e sem turbulências, da mesma forma que desejariam que os recursos naturais fossem uniformemente distribuídos entre nações e regiões do mundo. A natureza, todavia, tem seus desígnios, e as oscilações e as crises fazem parte da natureza do processo econômico.”
       
        Com o propósito de demonstrar a sua tese, estuda sucessivamente o mundo liberal e do século XIX; a crise do modelo liberal entre 1919 e 1939; a ordem de Bretton Woods e seu esgotamento; a crise dos anos setenta/oitenta e a mais recente, emergente em 2008.
       
        Essa análise lhe permite afirmar que “as crises, como os terremotos, representam o momento de ruptura no qual as forças de mudança se acomodam, formando uma nova configuração na superfície. Instituições e práticas econômicas se transformam ou deixam de existir, mudanças na importância relativa das economias tornam-se mais visíveis e oportunidades de negócios e de geração de riqueza assumem novas feições.”
       
        A mais recente, denomina-a diretamente de “crise da globalização.”
       
        Creio que o ensinamento maior contido nesta obra, deveras instigante, seria o  de que, ao contrário do que têm revelado os outros sistemas sociais, a democracia liberal tem se revelado ágil na absorção de novas demandas e novas realidades. A par disto, a idéia de mudança tem sido um valor social central nas sociedades de economia de mercado. A convivência com essa realidade permite afirmar que as formas de organização são, por sua própria natureza, cambiantes e evolutivas (não necessariamente do pior para o melhor) e não podem ser restritas apenas a experiências passadas.
       
        Eiiti Sato
       Paulista de nascimento, diplomou-se em economia pela Fundação AlvesPenteado- FAAP, tendo obtido o grau de Mestre em Relações Internacionais na Universidade de Cambridge (U.K.) e de Mestre e Doutor em Sociologia pela Universidadede São Paulo. Foi consultor do Ministério das Relações Exteriores e Coordenador de Projetos do Centro de Estudos Estratégicos (2000/2004). Foi presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais na gestão 2005/2007. Atualmente é professor adjunto da Universidade de Brasília, onde exerce o cargo de diretor do Instituto de Relações Internacionais.
       
         

Antonio Paim
Concluiu sua formação acadêmica na antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ, iniciando carreira acadêmica na década de sessenta, na então denominada Faculdade Nacional de Filosofia, tendo pertencido igualmente a outras universidades. Aposentou-se em 1989, como professor titular e livre docente. Desde então, integra a assessoria do Instituto Tancredo Neves, que passou a denominar-se Fundação Liberdade e Cidadania. É autor de diversas obras relacionadas à filosofia geral, à filosofia brasileira e à filosofia política.

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