Noticiário
Ano II - n. 7 - janeiro/março, 2010

 
O e-book e as especulações sobre o futuro do livro impresso

       
       Na Feira de Frankfurt de 2009 (outubro), provocou a maior celeuma a hipótese de que o livro eletrônico estará dominando o mercado norte-americano em 2018. Entre os que consideraram ilusório o prognóstico encontrava-se o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Roberto Feith.
       
       A Feira de Frankfurt é considerada como o evento literário mais importante do Ocidente, na medida em que enseja a negociação dos novos lançamentos que (provavelmente) se tornarão best sellers. Além das tradicionais sessões de autógrafos, têm lugar mesas-redondas e a exibição dos últimas edições, nos stands dos diversos participantes. Como regra, cada ano é homenageado um país distinto.
       
       Os estudiosos consideram que o sucesso do e-book acha-se associado, antes de mais nada, à variável preço. Desse ângulo, o instrumento que viabiliza a sua leitura (e-reader) ainda é considerado muito caro, embora seja óbvio que a expansão do universo consumidor atua no sentido de barateá-los. Há dois anos a Amazon lançou o modelo denominado Kindle, ao custo de US $359. Na edição mais recente, o preço já se tinha reduzido para US$ 259. O modelo da Sony Reader sai mais em conta (US$199) embora haja versões mais caras (o holandês iRex é vendido a US$399).
       Estudo da Forrester Research avalia que o livro eletrônico somente terá peso significativo no mercado quando o instrumento que viabilizará a sua leitura custar menos de US$100.
       
       O principal argumento do editor brasileiro Roberto Feith, quanto à possibilidade de que os utilizadores de e-readers sejam a maioria nos Estados Unidos, dentro de cerca de dez anos, reside no fato de que seu número corresponderia a mais de cem milhões de pessoas. O mais plausível é supor que possa corresponder a contingente representativo do universo. Antes de mais nada, a crescente disseminação do ensino universitário, não apenas no mundo desenvolvido mas em diversos contingentes, não parece haver se traduzido na ampliação do número de indivíduos que passaram a adquirir o hábito de leitura. Embora prazerosa desde que tornada costumeira, trata-se de aprendizado custoso, exigente de esforço e dedicação. Mais das vezes depende do ambiente familiar.
       
       A par disto, nem todos os que desenvolveram relação lúdica com o livro impresso poderão ser convertidos ao novo modelo.
       
       Contudo, é fora de dúvida que o livro digital chegou para ficar. Prova disto é que já se acha instalada a pirataria dos best-seelers lançados dessa forma. A Amazon cobra atualmente menos de dez dólares por livro no formato de que se trata. Além de que esse exemplar pode ser reproduzido, os denominados hackers têm conseguido multiplicá-lo gratuitamente.
       
       O catálogo das edições digitais da Amazon ultrapassa trezentos mil títulos, sendo ainda mais amplas as disponibilidades da Google. Catálogos de tal magnitude, obviamente, destinam-se a atender a grandes bibliotecas e centros de investigação. Prestam naturalmente um serviço notável.
       
       Em se tratando do leitor comum, tudo indica que será imprescindível dispor de outra forma de aproximação. Talvez possa consistir no preparo de coleções menos ambiciosas em quantidade de títulos. O norte-americano St John´s College, que se considera como a principal instituição de ensino dedicada à manutenção e difusão das obras básicas da cultura ocidental, entende que compreende 130 títulos. Essa lista tem sido ampliada por outras entidades, ampliação essa que, entretanto, não ultrapassa duas centenas. Coleções de idêntica índole e de dimensões assemelhadas poderiam multiplicar-se para abranger segmentos específicos (literatura contemporânea; filmes de sucesso baseados em obras literárias; etc.).
       
       De todos os modos, o sucesso do livro digital irá depender, sobretudo, de que consiga fomentar o esse novo hábito de leitura.
       

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