Noticiário
Ano I - n. 3 - janeiro / março, 2009

 
Relevância de experiência pioneira da USP

       
       
       A Universidade de São Paulo (USP) lançou, em caráter pioneiro, Programa de Avaliação Seriada. Corresponde à adoção de método consagrado de avaliar as condições dos alunos, que terminam o ensino médio, de ingresso na Universidade. Vale dizer: são as notas alcançadas ao longo do curso precedente que habilitam o candidato a prosseguir seus estudos. Destina-se, portanto, a substituir o exame vestibular.
       
       O método em apreço vigora nos países que dispõem de sistema educacional estruturado secularmente, a exemplo dos Estados Unidos e de algumas nações européias.
       
       Sua adoção no Brasil tem esbarrado com o conformismo que, lamentavelmente, instaurou-se nessa matéria. Constitui, entretanto, uma providência que pode desbloquear o sistema, como procuraremos comprovar logo adiante. A par disto e adicionalmente, o novo Programa da USP tem o mérito de introduzir mudança substancial de forma engenhosa e respaldada na experimentação.
       
       No Programa de Avaliação seriada da USP inscreveram-se 101 escolas do estado, nas quais concluem o ensino médio 48 mil estudantes. Aqueles que foram aprovados no exame ganharam adicional, em média de 3%, sobre a nota que venham a obter no vestibular unificado das maiores universidades públicas estaduais (FUVEST). Trata-se, sem dúvida, de bom começo.
       
       A prática do vestibular no Brasil introduziu sucessivas distorções nos níveis precedentes de ensino. Naturalmente o fenômeno não decorre apenas da forma desse exame mas também do fato de que a Universidade brasileira se haja transformado numa federação de escolas profissionais. Assim, o currículo do ensino médio acabou voltando-se exclusivamente na direção do atendimento às suas exigências. No início, apenas o terceiro ano funcionava como sistemática preparação para o vestibular. Progressivamente estendeu-se às outras séries, chegando mesmo a afetar a Escola Fundamental.
       
       Num inquérito efetivado pelo Instituto de Humanidades, na capital paulista, na primeira metade da última década (noventa), com o apoio do Centro do Professorado Paulista, verificou-se que algumas disciplinas, a exemplo da matemática moderna, figuravam no currículo do Primeiro Grau pela simples razão de que “caia no vestibular”.
       
       Se outras universidades seguirem o exemplo da USP, tornar-se-á possível a adoção dessa nova forma de ingresso no ensino superior. Mudança de tal ordem somente pode ser introduzida, de modo bem sucedido, de maneira progressiva. Este será também o procedimento adequado para alcançar o imprescindível apoio do professorado. Cabe levar em conta, também, que qualquer modificação mais profunda, no plano educacional, requer prazos dilatados para a adequada aferição de seus efeitos.
       
       A alteração em causa irá permitir seja discutida em profundidade a estrutura curricular tanto do ensino médio como da Escola Fundamental. Embora a Constituição estabeleça que cabe à Escola ocupar-se tanto do aprendizado profissional como da educação geral e da formação para o exercício da cidadania, na verdade, o sistema implantado no país só se ocupa da primeira daquelas atribuições. Esse monopólio consolidou-se, entre outras coisas, graças à universalização do exame vestibular.

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