Noticiário
Ano I - n. 2 - outubro / dezembro, 2008

 
Experimento científico revolucionário

       Entrou em funcionamento gigantesco acelerador de partículas. O papel deste tipo de equipamento veio a ser estabelecido na década de trinta. Recém criada, a Universidade de São Paulo contou com unidade de reduzidas dimensões, como era mais freqüente na época, graças a presença, na instituição, de Gleb Wathagin (1899/1986), renomado físico que participava da equipe incumbida de organizar a pesquisa científica. Estávamos na fase inicial de investigação do conteúdo do núcleo atômico. Desse trabalho pioneiro resultou grande avanço naquela direção (estrutura do núcleo atômico) e a sua desagregação.
       
       O acelerador, que começou a funcionar no início de setembro, foi implantado na fronteira entre a Suíça e a França. Sua construção teve lugar num túnel de dimensões gigantescas, escavado a 100 metros de profundidade, com estas características: anel de 27 km de circunferência, contendo 9.600 imãs cilíndricos, milhares de quilômetros de fios e cabos, sendo resfriado a uma temperatura difícil de ser concebida (menos 271 graus Centígrados), que os cientistas afirmam ser mais fria do que a registrada no espaço entre as estrelas.
       
       Ao longo do anel encontram-se quatro detectores de partículas de tamanho colossal. O menor desses instrumentos tem dez metros de altura e pesa 5.600 toneladas e, o maior, 15 metros de altura e peso equivalente a 12.500 toneladas. Ocorrendo de modo instantâneo os resultados das provocadas colisões (600 milhões por segundo), trata-se de medi-las em tempo hábil. Embora existindo por frações de tempo tão diminutas, podem fornecer informações valiosas sobre aspectos até então desconhecidos, notadamente aqueles relacionados à origem do universo o que, por sua vez, ajudarão a compreender, com maior amplitude, modalidades de seu funcionamento.
       
       A denominação técnica do equipamento é a seguinte: Large Hidron Collider (LHC).
       O esperado conhecimento das partículas mais elementares da matéria permitirá sejam desvendados alguns aspectos da composição do universo que têm merecido denominações provisórias. Assim, por exemplo, fala-se de matéria escura bem como de energia escura que, supostamente, comporiam 96% do universo, sendo que, com o instrumental disponível não se tornam visíveis. A consideração dessas proporções serve para explicitar que, embora notável o avanço da ciência desde o seu surgimento, abrange apenas parcela diminuta da composição física do universo.
       
       Basicamente, para apresentar imagem compreensível, o LHC equivale a enorme microscópio, capaz de visualizar partículas tão minúsculas que sequer encontra-se forma fácil de expressar suas dimensões. Fala-se de um bilhão de bilhão de vezes menores do que um metro.
       
       O comando da operação acha-se a cargo da Organização Européia para Pesquisas Nucleares, geralmente citada pela sigla resultante do nome em francês (CERN). Louvando-se da experiência dos laboratórios baseados no que se convencionou denominar de big science separação, numa mesma instituição, entre pesquisa científica e pesquisa tecnológica, dentro de certo período ocorrerá a transformação das esperadas descobertas em instrumentos utilizados pela generalidade das pessoas. Os notáveis avanços alcançados pelas comunicações, desde o último pós-guerra, decorreram justamente da conjugação do trabalho das duas equipes.
       

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