Noticiário
Ano IV - n. 14 - outubro/dezembro, 2011

 
Risco de Sobrevivência da Estação Espacial Internacional (ISS)

       A Estação Espacial Internacional (conhecida pela sigla ISS, do nome em inglês), cuja construção iniciou-se em 1998, marca o início da cooperação entre nações para o que se convencionou denominar de “conquista do espaço.” Marca a superação do ciclo da “corrida espacial” como parte da guerra fria, embora não hajam desaparecido de todo as reservas, nessa matéria, ainda existentes entre os dois líderes daquela acirrada disputa (Estados Unidos e a Federação Russa, herdeira da extinta União Soviética).
       
       A ISS corresponde na verdade a um laboratório destinado a sistematizar experimentos relacionados à sobrevivência humana no espaço. É constituída de módulos que vêm sendo acrescidos. Desse projeto participam ao todo 15 nações, sendo onze européias, Estados Unidos, Canadá, Japão e Rússia.
       
       Os diversos experimentos são acompanhados por pequenas equipes que a habitam por determinados períodos. Como até o presente somente os russos e os americanos dispõem de naves espaciais aptas a transportar passageiros, cabia-lhes, até recentemente, a responsabilidade de operar a substituição periódica das equipes.
       
       No interior da Estação, os experimentos científicos estão livres da pressão exercida pela gravidade terrestre. Mas há também experimentos fora da nave. São os mais variados; abrangem inclusive agentes de infecções, efetivados estes com toda a segurança de que os pesquisadores presentes não correm qualquer risco de serem afetados.
       
       No corrente exercício a ISS foi operada por seis astronautas, sendo três russos, três americanos e um japonês.
       
       Com o abandono dos vôos tripulados pelos americanos (o último do Atlantis teve lugar em julho), o monopólio do transporte de equipamentos e cosmonautas para a ISS passou a constituir monopólio dos russos. Nessa operação, utilizam a nave Soyouz, concebida em 1960 e que até o corrente ano vinha cumprindo sem percalço suas missões. Acontece que essa situação alterou-se radicalmente.
       
       Com o fim da União Soviética, criou-se uma empresa para gerir o programa espacial, tendo em vista que, até então, o empreendimento era de natureza estritamente militar. A empresa em causa denominou-se Roskosmos e vinha atuando em bases rigorosamente comerciais (a NASA paga cinqüenta milhões de dólares para enviar seus astronautas à ISS). Contudo, no período recente vem experimentando sucessivos fracassos.
       
       Tudo começou em dezembro de 2010, quando três satélites do sistema de navegação Glonass (equivalente do GPS norte-americano), lançados do Kazaquistão, caíram no Oceano Pacífico, atrasando o início de funcionamento da mencionada rede. Em fevereiro deste ano ocorre novo fiasco, desta vez com um satélite militar. Como este mudou bruscamente de trajetória, atribuiu-se sua causa a uma intrusão eletromagnética de um país estrangeiro. Segundo o jornal francês Le Monde, tratava-se do retorno às velhas teorias conspiratórias, abandonadas graças à circunstância de que justamente a NASA ajudou a localizar um dos satélites perdidos.
       
       Em agosto Roskosmos perdeu satélite de comunicação cujo custo equivaleu a 265 milhões de dólares. Mais uma vez, foi graças à ajuda norte-americana que os russos o localizaram. Por fim, a nave Soyouz utilizada, a 24 de agosto, para colocação em órbita três toneladas de equipamentos e alimentos para a Estação Espacial não conseguiu concluí-la com êxito.
       Diante do quadro descrito, a imprensa européia chega a afirmar que a ISS acha-se em risco de sobrevivência. O abastecimento ali existente assegura a sobrevivência dos astronautas residentes até o verão europeu de 2012. Contudo, a previsão de sua substituição era até o fim deste ano (de preferência em novembro). O responsável pelos vôos da Roskosmos, em declarações públicas admitiu que “se por uma razão ou por outra não consigamos enviar a nova equipe até o fim de novembro, devemos estudar todas as opções possíveis, inclusive a de deixar a estação inabitada.”
       
       Os especialistas europeus consideram que a série de acidentes caracterizam a crise atravessada pelo programa aeroespacial russo, longamente deixado à própria sorte com o fim da URSS. Nestes últimos dez anos é certo que os financiamentos retornaram. Seu orçamento, contudo contempla situações que não podem persistir por mais tempo. Entre estas são apontados os baixos salários dos técnicos. O comentarista da revista científica russa Novosti Kosmonavtitki, Igor Lissov afirma: “não é normal que um especialista aeroespacial receba o mesmo salário de um vendedor de sorvetes.”
       

OUTROS NOTICIÁRIOS
 
Crescimento da População Mundial

 
# Sumários das edições da Revista On-Line Liberdade e Cidadania:  Ed. n. 01 , 02 , 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14 , 15, 16, 17, 18 
Revista On-Line Liberdade e Cidadania - Registro ISSN Nº 1983-9162
w w w . f l c . o r g . b r / r e v i s t a

Copyright © 2012 - Fundação Liberdade e Cidadania - Todos os direitos reservados
Senado Federal - Anexo I - 26° andar - Brasília - DF - CEP 70.165-900
Tel.: (61) 3311-4273 / Fax: (61) 3223-6201
[email protected]