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A Política Externa do Brasil
Presente e Futuro
 
Esta edição reúne textos dos embaixadores Luiz Felipe Lampreia, Rubens Ricúpero, Sergio Amaral, Sebastião do Rego Barros, Marcos Azambuja, Roberto Abdenur e do jornalista Antonio Carlos Pereira de O Estado de S. Paulo. Sintetizam as palestras realizadas durante a Conferência Política Externa do Brasil – Diagnóstico e Perspectivas, promovida em São Paulo, em 31 de agosto de 2009, pela Fundação Liberdade e Cidadania em parceria com a Associação Comercial de São Paulo e com o apoio do Instituto Teotônio Vilella e a Fundação Astrojildo Pereira. Dos sete autores, apenas Roberto Abdenur, convidado, não pode comparecer, mas fez questão de participar do livro.

O encontro proporcionou, para uma platéia de 600 pessoas, a maioria estudantes de universidades paulistas, e também políticos, intelectuais e jornalistas, uma análise profunda, de alta qualidade técnica, sobre a condução da diplomacia brasileira na chamada “Era Lula”. A principal conclusão é a de que nos últimos anos houve um desmanche da política externa brasileira, cujo foco foi reduzido a, praticamente, um único objetivo no momento inatingível: conquistar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

Ao longo de quase oito anos à frente do Itamaraty, o PT escolheu o caminho de apoiar governos com os quais se identifica ideologicamente deixando de lado o profissionalismo e a isenção que sempre marcaram a diplomacia brasileira. O Barão do Rio Branco dizia que “em toda parte lembro-me da Pátria”. A diplomacia petista subverteu esta máxima, trocando-a por “em todo lugar me lembro do partido”. Uma atitude que fica claríssima quando o governo brasileiro decide interferir nas eleições da Bolívia e do Paraguai, nas concessões feitas ao Equador e à Venezuela, quando faz uso do BNDES para financiar governos companheiros e resolve, contrariando uma das linhas mestras da política externa brasileira, interferir em assuntos internos da República de Honduras.

A partidarização da política exterior do Brasil é criticada por este time de competentes diplomatas e pelo jornalista, para os quais ela deve ser encarada como uma política de Estado, jamais de um governo. Os governos passam, o Estado fica e o sucesso das ações diplomáticas de longo prazo é fruto desta perspectiva.

Hoje, o Brasil faz política externa personalista jogando para a platéia. Não construiu visão de longo prazo, e muito menos uma estratégia. Acabou mais distante das grandes potências ao trilhar o caminho da ingenuidade abrindo uma série de representações diplomáticas na África, como se a eleição para o Conselho de Segurança da ONU fosse uma questão de números, uma questão matemática, quando sabemos que é muito mais profunda e depende do reconhecimento de uma liderança real, concreta, de longo prazo.

Ao longo dos sete textos que compõem este volume fica claro que o governo Lula gerou a desordem na nossa política externa, transformando-a num carnaval ideológico. As conseqüências futuras, como veremos, são inevitáveis. Como dizia nosso Luís Eduardo Magalhães, não corre o menor risco de dar certo.

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