22/05/2013

Maio 2013


DCM-4             RELATÓRIO DE MAIO 2013

POLÍTICA INTERNACIONAL

BRASIL EXPANDE AÇÃO NAVAL NA ÁFRICA!

(BBC, 16) 1. Para proteger riquezas marítimas como as reservas do pré-sal e combater crescentes ameaças de pirataria e narcotráfico no Atlântico Sul, a Marinha brasileira tem investido em sua capacidade de patrulhamento e expandido suas operações do outro lado do oceano, em águas africanas. As ações ocorrem ainda num contexto em que forças americanas, britânicas e francesas demonstram crescente interesse pelo Atlântico Sul.

2. Subchefe de estratégia do Estado Maior da Armada, o contra-almirante Flávio Augusto Viana Rocha disse à BBC Brasil que, nos últimos anos, países africanos com litoral no Atlântico e Moçambique, no Índico, passaram a ter para a Marinha a mesma importância que nações sul-americanas vizinhas. Uma das razões para a atenção dada à região é sua proximidade com o território nacional. A distância entre Natal e Dacar, capital senegalesa, é menor que a linha que une os extremos do Brasil.

3. Enquanto arrefece na costa da Somália, na costa oriental da África, a pirataria tem se agravado na margem ocidental do continente, especialmente no Golfo da Guiné, que ocupa faixa paralela ao litoral do Norte e Nordeste do Brasil. A Organização de Comércio Marítimo Internacional registrou 15 casos de pirataria na região no primeiro trimestre de 2013, dos quais 11 ocorreram na costa da Nigéria. O país é dono das maiores reservas petrolíferas da África Subsaariana e principal exportador do produto ao Brasil.

4. A aquisição dos três navios-patrulha e a construção de outras embarcações do tipo no Brasil buscam ainda aprimorar a vigilância da chamada Amazônia Azul, como a Marinha se refere às águas jurisdicionais brasileiras, que ocupam área equivalente à Amazônia Legal. Para essa missão, que ganhou importância com a descoberta do pré-sal, a força tem como principal investimento o submarino de propulsão nuclear, em desenvolvimento em parceria com a França.

5. Outras preocupações da Marinha são o contrabando, o tráfico de pessoas e o comércio de drogas. O último relatório da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) revelou que portos na costa ocidental da África entraram na rota da cocaína que deixa o Brasil rumo à Europa. O tema tem sido tratado no fórum Zopacas (Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul), criado em 1986 com a missão de manter o oceano livre de conflitos.

6. O país africano em que forças brasileiras exercem maior influência é a Namíbia, cujo litoral ocupa faixa paralela à que vai do sul da Bahia a Santa Catarina. O governo espera que a expansão da rede propicie mais negócios no setor militar. Nos últimos anos, o Brasil vendeu uma corveta à Guiné Equatorial e Super Tucanos (aviões militares da Embraer) a Angola, Senegal, Burkina Faso e Mauritânia.

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NOTAS INTERNACIONAIS!

1. IRÃ. Analistas preveem que 2013 será novamente um ano de recessão (entre -1,3 e -2,3%) para a economia do Irã, que seguirá sofrendo com sanções internacionais, queda na produção e na exportação de petróleo (queda de 34,3% em 2012), desvalorização do rial frente ao dólar (a moeda perdeu 80% de seu valor desde 2011) e pressão inflacionária (30,6% em 2012).

2. RCA. A Secretaria Geral das Nações Unidas (SGNU) circulou relatório sobre a situação na República Centro-Africana (RCA), do qual cabe destacar os seguintes pontos: (i) a situação na RCA é “aterradora e intolerável”. A comunidade internacional precisa enviar mensagem forte aos líderes da coalizão Seleka de que não haverá impunidade para assassinatos, pilhagem e mudanças inconstitucionais de governo; (ii) o apelo humanitário para a RCA está suprido em apenas 22%. Diversos armazéns das Nações Unidas foram saqueados; (iii) o SGNU manifestou preocupação com a deterioração contínua da situação de segurança e a falta de lei e ordem; (iv) o SGNU saudou o mapa do caminho adotado na Cúpula da CEEAC (Ndjamena, 18/abr), que pede reformulação do Conselho Nacional de Transição de forma a torná-lo mais representativo e inclusivo.

3. Paraguai. Em entrevista à imprensa, Horacio Cartes assegurou que planeja normalizar as relações do Paraguai com o MERCOSUL com “discreta reincorporação”, mas “sempre dentro do Estado de Direito”.  Afirmou não ter inconvenientes com a Venezuela ou Nicolás Maduro.  Segundo ele, demais membros do bloco conhecem sua posição e estão conscientes de que sua equipe aguarda possível “fórmula” para essa reincorporação.

AMÉRICA LATINA: NEM UMA SÓ CIDADE ENTRE AS 100 MAIS IMPORTANTES EM PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO CIENTÍFICO!

(Andres Oppenheimer – La Nacion, 14) 1.  A prestigiada revista Nature Scientific Reports acaba de publicar um mapa das cidades mais importantes na investigação científica, e os países latino-americanos primam pela ausência: mostra o hemisfério Norte cheio de pontos luminosos e o Sul quase todo escuro. O mapa é especialmente significativo porque não se trata de uma opinião subjetiva dos editores da revista, mas um estudo baseado em mais de 450 mil artigos e citações científicas de mais de 2000 cidades ao redor do mundo publicados em revistas da American Physical Society nos últimos 50 anos.

2. O mapa mostra que, apesar da permanente superioridade tecnológica dos Estados Unidos, o percentual de estudos de física originados no país caiu de 86% do total mundial na década de 1960, para menos de 37% atualmente. Boston, Berkeley e Los Angeles continuam sendo os centros de produção científica mais importantes do mundo na física, mas estão sendo seguidos de perto por Tóquio e Orsay. Nos Estados Unidos, houve uma transferência gradual da produção de conhecimento de algumas cidades da costa leste e oeste para algumas cidades do Centro-Oeste e Sul. Na Europa, já não há um predomínio absoluto da Inglaterra e dos países nórdicos, como nos anos 90, mas houve um aumento gradual de cidades na França, Itália e Espanha.

3. Mas não há nenhuma cidade latino-americana entre as 100 primeiras cidades produtoras de conhecimento científico do mundo, de acordo com a publicação. Uma tabela que aparece junto ao mapa, mostra que 56% das 100 maiores cidades produtoras de artigos científicos no mundo, estão nos EUA, 33% na Europa e 11% na Ásia.  Uma possível explicação é que as universidades latino-americanas são muito boas na área de humanas, mas não estão entre as melhores do mundo em ciência.

4. Richard Florida, professor da Universidade de Toronto e guru internacional sobre o tema de cidades inovadoras, me disse que o mapa da Nature Scientific Reports é “verdadeiramente preocupante”. Em sua opinião, o mapa revela que, apesar de tudo o que se escreve sobre a ascensão do mundo emergente e apesar da desconcentração dos centros científicos, o fosso entre países ricos e pobres não está diminuindo muito no campo científico. Uma má notícia, diz ele, porque estamos em uma economia global baseada no conhecimento, em que a ciência e engenharia cada vez mais determinam a riqueza das nações.

5. Mas o mapa das cidades líderes em ciências deveria servir como um lembrete do desafio que nossos países enfrentam para fazer parte da vanguarda científica mundial.  Este mapa deve ser colocado à vista de todos, como um antídoto para a complacência e como um chamado para que se invista cada vez mais em pesquisas científicas específicas para cada país.

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BRASIL E ÁFRICA: PIRATARIA E DROGAS NO ATLÂNTICO SUL!

Trecho da longa e excelente entrevista do Ministro da Defesa Celso Amorim à BBC (08).

1. BBC Brasil – Alguns estudos recentes apontam a pirataria no Golfo da Guiné, na costa ocidental da África, como um problema crescente, enquanto a pirataria na costa da Somália, no Chifre da África, tem diminuído. A pirataria no Golfo da Guiné pode prejudicar o Brasil?   Amorim – É claro. Boa parte do petróleo que importamos vem do Golfo da Guiné ou imediações. Já temos conversado muito com países como Angola e outros, África do Sul, Namíbia, sobre possibilidades de exercícios conjuntos mais amplos.  Fomos convidados a participar como observadores de uma reunião africana relativa à segurança do Golfo da Guiné. Mas a responsabilidade primordial é dos países ribeirinhos. Nós poderemos ajudar por dois motivos: solidariedade, que é real na nossa política externa sobretudo em relação à África, mas também por interesse nosso: rotas marítimas, petróleo, empresas brasileiras.

2. BBC Brasil – O uso do Atlântico Sul para o transporte de drogas tem se tornado mais visível e gerado crescente preocupação no exterior. O que o Brasil faz para evitar que embarcações com drogas partam daqui rumo à África?  Amorim – Temos ações no nosso território, mas obviamente existe essa preocupação, ela é uma das razões que nos movem. Não é segredo para ninguém que há preocupação muito grande da comunidade internacional com a situação na Guiné-Bissau.  Trabalhamos no passado com ideia de ajudar a reformar as Forças Armadas da Guiné-Bissau, mas isso depende do próprio país. A situação hoje não facilita essa cooperação, mas (estamos) na expectativa de que país se redemocratize rapidamente e resolva ou encaminhe o problema que existe com relação ao narcotráfico.

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SENADOR BOLIVIANO COMPLETA UM ANO ASILADO NA EMBAIXADA DO BRASIL EM LA PAZ SEM SALVO CONDUTO!

No próximo dia 28 o Senador Pinto completará um ano de asilo na Embaixada do Brasil em La Paz. O asilo foi-lhe concedido por razões políticas. O Governo boliviano não aceita essa caracterização de asilo. Mas, pelas convenções sobre o assunto, cabe ao Brasil caracterizar o asilo e à Bolívia conceder a autorização para o parlamentar deixar a sede da Missão diplomática brasileira. O impasse está desgastando as relações entre os dois países. Para esse desgaste também concorrem os 12 torcedores do Corinthians detidos em Oruro.

SITUAÇÃO ECONÔMICA DA CHINA HOJE!

(The Wall Street Journal, 11) 1. Uma queda acentuada nos preços de fábrica — o 14o declínio mensal consecutivo — indica que o excesso de capacidade das indústrias tradicionais virou mais um problema na economia chinesa, já às voltas com o endividamento crescente e a desaceleração do crescimento.  Os preços ao produtor — um indicador dos preços de bens antes de eles chegarem aos consumidores — caíram 2,4% em abril, o maior recuo desde outubro, causado principalmente por grandes recuos nos setores de metais e químicos.

2. A China continua sendo uma das economias que mais crescem no mundo, embora bem abaixo do nível de dois dígitos registrado nos últimos 30 anos. No primeiro trimestre, o PIB cresceu a um ritmo de 7,7% ante o mesmo período do ano anterior. O banco central da China informou, num relatório trimestral sobre as condições monetárias, que ainda não há bases sólidas para um crescimento econômico estável.

3. A deflação no setor manufatureiro reflete o excesso de capacidade em várias das principais indústrias, inclusive a do aço, carvão, vidro, alumínio, painéis solares e cimento.  O declínio na China tem um efeito positivo para os consumidores porque ajuda a manter baixos os preços para os produtos que compram. A inflação medida pelo índice de preço ao consumidor atingiu um pico de 6,5% em julho de 2011 e vem caindo desde então, chegando a 2,4% no acumulado de doze meses em abril.

4. Para as indústrias, no entanto, o efeito da queda dos preços pode ser grave. A Aluminum Corp. of China, que divulgou um prejuízo de US$ 158 milhões no primeiro trimestre e um aumento de 1,9% na receita, afirmou que mais de 90% do alumínio na China é produzido com prejuízo. “A urbanização da China vai impulsionar o consumo de alumínio no longo prazo”, disse um porta-voz, “mas pode levar algum tempo para digerir os estoques”.

5. A indústria de cimento também parece inchada. Li Yequing, presidente da Huaxin Cement Co.,disse na semana passada que os fabricantes de cimento precisam fechar fábricas antigas para evitar uma “catástrofe” em todo o setor. Analistas dizem, porém, que firmas que têm contatos no governo vão provavelmente receber apoio financeiro.

6. E as exportações recuaram devido aos problemas financeiros na Europa e Japão e à branda recuperação dos EUA. A demanda doméstica já não é tão forte como alguns analistas haviam previsto porque o governo está tentando limitar os gastos com infraestrutura que levaram a altos níveis de endividamento. Inflação baixa e uma dívida pública limitada significam que o governo ainda tem recursos para estimular o crescimento. Alguns economistas esperam que a nova grande onda de empréstimos dê impulso ao investimento, o que por sua vez aumentaria a demanda por produtos industriais.

UMA ANÁLISE COMPARADA DAS BOLSAS NA AMÉRICA O SUL!

(La Nacion, 05) 1. “Os preços das ações das empresas são uma medida sintética das expectativas a curto e longo prazo dos empresários”, diz Juan José Cruces, reitor da Escola de Negócios da Universidade Torcuato Di Tella e autor do artigo “Copa América das Ações 2012″.  Este trabalho mostra que, com as mesmas “cartas” (estrutura econômica), o índice de ações de um “país gêmeo” a Argentina cresceu 14%, enquanto que o da Argentina real, com a mão do governo envolvida, caiu 26%. Nesta copa ficcional, onde cada ponto de crescimento no mercado de ações é um gol, isso significa que o país perdeu de 40 a 0 em relação à média mundial.

2. Na América Latina há poucos setores econômicos representados nas bolsas de valores e esses setores diferem de país para país. “Por isso, não foi comparado diretamente os rendimentos entre países, mas cada índice nacional contra um índice global (gêmeo) que a cada mês tem exatamente a mesma composição por setor econômico do que o índice nacional”, diz Cruces.

3. Resultado para 2012. A Colômbia ficou em 1º lugar (3,7% acima de seu irmão gêmeo), o Peru em 2º (1,6%), México em 3º (0%), Brasil em 4º (-3,5%), Chile em 5º (-6, 1%), e a Argentina em 6º (-40,2%). Estes resultados também mostram o clima de negócios existente em um país e refletem o grau de atração que podem ter para investimento. Assim como a Colômbia e o Peru são os reis nesse sentido, a Argentina aparece rebaixada.