10/07/2014

Julho 2014


JULHO-2014                                                            

                        –POLÍTICA INTERNACIONAL-

ARGENTINA: PIB EM QUEDA DE 2% E INFLAÇÃO PRÓXIMA DE 40%!
            
(La Nacion, 21) 1. Os bancos e consultorias afirmaram que as perspectivas econômicas da Argentina pioraram. A inflação se aproximará dos 40% e a recessão registrará uma queda do PIB de 2% nesses dois anos. O prognóstico mais negativo é o do Bank of America-Merrill Lynch com uma recessão de -2%, seguido por Oxford Economics e JP Morgan com queda de 1,5% do PIB. Economist Intelligence Unit, HSBC e a União Industrial Argentina projetam queda de 1%. Para 2015 projetam que o PIB poderia cair até 1,2%, conforme o Goldman Sachs enquanto o JP Morgan é mais pessimista prevendo uma queda do PIB que poderia chegar a 3%.
            
2. Sobre a Inflação, essa poderia atingir quase 40%.  Goldman Sachs e Oxford preveem em torno de 37%; Bank of America, de 33%; Citigroup, de 31,8%, e Santander, de 31,3%. Mesmo o INDEC –instituto oficial de estatísticas- projeta uma inflação de 27%. Para 2015 o Bank of America prevê uma inflação de 37%, o Goldman Sachs e Oxford de 36%, e Citi de 35%.

NOTAS INTERNACIONAIS!
            
1. Ucrânia, Geórgia e Moldávia assinaram hoje (27), em Bruxelas, acordos de associação com a União Europeia, a fim de estabelecer vínculos políticos e econômicos mais estreitos – uma iniciativa que a Rússia se opunha com firmeza e que, inclusive, provocara a crise na Ucrânia.

2. (El País, 27) Desde a semana passada o chavismo dá sinais de desintegração. O antes imutável ministro de Planejamento e mentor intelectual de Chávez, Jorge Giordani (destituído em 17 de junho), difundiu uma carta aberta titulada “Testemunho e responsabilidade diante da historia”, na qual faz reprimendas ao presidente Nicolás Maduro, como não transmitir liderança, dar sensação de vazio de poder e tomar decisões equivocadas em matéria econômica.
        
3. (Agência EFE, 27) Bagdá aplaude um ataque aéreo sírio contra jihadistas. Exército iraquiano lança uma ofensiva para tomar Tikrit, cidade natal de Saddam. O presidente do Curdistão visita Kirkuk.
        
4. Primeiro ministro britânico Cameron critica abertamente acordo para a escolha do novo presidente da União Europeia: “Juncker é a pessoa equivocada para dirigir a UE”.
        
5. (El Tiempo, 27) Produção de cocaína em 2013 foi a mais baixa em 10 anos: 290 toneladas. Dez anos atrás os narcotraficantes produziam 640 toneladas por ano.
        
6. (Ex-Blog) 26/06 cumpriram 100 anos do início da Primeira Guerra Mundial, cujo desdobramento foi a partilha e desintegração do Oriente Médio. A conta chegou indo muito além da Palestina.

 

A DESINTEGRAÇÃO DA SÍRIA!
        
(Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da comissão independente internacional de investigação da ONU sobre a República Árabe da Síria – Folha de SP, 29) 1. Estima-se que 9,3 milhões de sírios têm necessidade de assistência humanitária urgente, com 4,25 milhões de deslocados internamente e 2,8 milhões de refugiados em países vizinhos. A expressiva maioria são mulheres e crianças.  A infraestrutura básica do país foi destroçada. Escolas foram reduzidas a escombros ou ocupadas pelas forças armadas. Hospitais foram invadidos. Bairros residenciais estão destruídos. Alimentos, água e eletricidade foram cortados para infligir sofrimento a populações civis. A guerra teve um impacto devastador sobre a economia do país.
        
2. A Síria está a ponto de se tornar um "Estado falido, com senhores da guerra por toda parte", e o conflito não ficará restrito às fronteiras do país.   A guerra na Síria atingiu um ponto de inflexão que ameaça toda a região. O governo sírio e os grupos armados na oposição têm levado a violência ao paroxismo. Todos desrespeitam flagrantemente as regras dos direitos humanos. Uma impunidade generalizada campeia.
        
3. Combatentes e cidadãos são torturados até a morte dentro de centros de detenção, homens são decapitados e alguns crucificados em praça pública, mulheres vivem com o estigma do abuso sexual e as crianças são recrutadas pelas forças de combate. 
        
4. A ameaça de uma guerra regional no Oriente Médio está cada vez mais próxima. O conflito armado que se alastra no Iraque terá repercussão devastadora na Síria e em outros países limítrofes.  O aspecto mais alarmante tem sido o aumento da ameaça sectária, consequência direta da dominação de grupos extremistas como o Estado Islâmico no Iraque e no Levante, o EIIL. Seus combatentes radicais atacam não somente as comunidades sunitas que não se submetem a seu controle, mas também minorias como os xiitas, alauítas, cristãos, armênios, drusos e curdos, todos considerados apóstatas ou infiéis que devem ser abatidos.
        
5.  Não há solução militar para o conflito. Desde o início, a única via sempre foi e continua sendo uma negociação diplomática, política, que inclua todos os países com influência na região, desde o Irã até a Arábia Saudita. 

 

JEAN-CLAUDE JUNCKER, O NOVO PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA!
            
1. Por primeira vez por votação, e não por consenso, os 28 líderes dos membros da União Europeia decidiram propor Jean-Claude Juncker para a presidência da Comissão Europeia.  É extensa a lista de acusações contra Jean-Claude Juncker nos jornais britânicos: o homem fala muito durante as reuniões; está sempre bebendo álcool; é antidemocrático; tem origens familiares nazistas; quer criar um exército europeu; vai remover as poucas defesas que ainda restam contra o crime organizado vindo da Romênia e da Bulgária; toma decisões secretas sobre o futuro dos bancos; nunca teve um "emprego verdadeiro"; é desonesto.  O "Economist" escreve mesmo que ninguém o quer e chama-lhe "presidente acidental".
            
2. Entre os argumentos contra Juncker há considerações falsas, contraditórias, ou apenas parcialmente verdadeiras. A acusação de que o pai era nazista baseia-se em que Joseph Juncker, operário luxemburguês de profissão, combatera no exército alemão durante a II Guerra Mundial. Mas, tendo o Reich ocupado o seu país, quantos jovens considerados alemães podiam recusar o alistamento? Igualmente sem sentido parece a acusação de alcoolismo. Juncker pode ser fã do seu conhaque, mas isso dificilmente o torna uma raridade entre os políticos europeus. Quanto aos relatos sobre uma ou outra cena de fúria – um tabloide conseguiu descobrir que uma vez gritou com um alto funcionário durante cinco minutos – também não bastam para distingui-lo.
            
3. Jean-Claude Juncker tem atualmente 59 anos. Nasceu e cresceu no Luxemburgo, estudou lá e na Bélgica, fez o curso de Direito em Estrasburgo. Registrou-se como advogado em 1980, mas nunca exerceu a profissão. Nessa altura já era membro do Partido Cristão Social Popular há seis anos e tinha iniciado a sua carreira política. Foi Secretário parlamentar, deputado e ministro do Trabalho. Em 1989, Juncker recebeu a pasta das Finanças. Em 1995 passaria a acumulá-la com a chefia do governo. Enquanto membro do executivo começara cedo a presidir a reuniões na União Europeia, a vários títulos. Teve certa proeminência no processo de formação do euro. Ao mesmo tempo, era governador no Banco Mundial e depois no FMI. E ocupou sempre mais que uma cadeira no governo, quer antes de ser primeiro-ministro quer depois.
            
4. Juncker só ficou gravemente embaraçado quando se descobriu que os serviços secretos do seu país andavam fazendo escutas ilegais. O escândalo também envolvia corrupção e abusos de dinheiros públicos. Junker tentou minimizar (não é surpresa que no mundo dos serviços secretos haja segredos, disse), mas acabou por se demitir.
            
5. Não deixa de ser irônico que a sua candidatura agora vencedora tenha sido contestada pelo Reino Unido com o argumento de que não deve ser o Parlamento Europeu, e sim os chefes de governo dos Estados, que devam escolher o presidente da Comissão Europeia. Afinal quem é que quer tomar as decisões com as portas fechadas?  
            
6. Se Cameron realmente pretendia evitar a nomeação de Juncker e não apenas obter dividendos internos, terá cometido o erro de tornar a sua oposição demasiado pública, encostando Merkel e outros líderes à parede. Juncker aproveitou. Garantiu que não se ia ajoelhar perante os britânicos. Lembrou que era importante resistir a esse tipo de pressões. 26 dos 28 chefes de governo da UE concordaram com sua defesa.