Série “Pensadores”: Ayn Rand, Por Ighor Branco.

Nascida em São Petersburgo, na Rússia, em 1905, Ayn Rand sofreu todas as agruras da Revolução Bolchevique (1971-1923). Por ser de uma família judaica e de classe média, incentivada pelos pais, que temiam por sua integridade física, Rand emigrou para os Estados Unidos em 1926, onde conseguiu emprego como roteirista na indústria cinematográfica de Hollywood.

Anos mais tarde, Rand tornou-se escritora. Suas obras-primas foram lançadas na Broadway e nos cinemas norte-americanos. Dois de seus livros são best-sellers até hoje: A Nascente (1943) e A Revolta de Atlas (1957), considerado o livro mais influente nos Estados Unidos depois da Bíblia. Nas duas histórias, a filósofa russa trata essencialmente da liberdade, da autonomia e da racionalidade humana.

Eis que surge toda uma contribuição filosófica liberal, que não deixava de levar em consideração o papel do Estado de detentor do espólio do uso da força e regulação, mas que partindo do pressuposto do contrato social, defendia e argumentava pró direitos individuais. Vale ressaltar ainda, que num contexto envolto por homens, Rand foi uma das primeiras mulheres a ter prestígio intelectual.

A REVOLTA DE ATLAS

Nesta obra, Rand apresentou as bases de uma filosofia sistemática que, mais tarde, chamou de objetivismo. Sua filosofia repousava na premissa de que a realidade é o que é, independente do que os seres humanos pensam ou sentem, e essa razão é o único meio de conhecê-la. Rand defendia valores objetivos, vendo a vida humana como o padrão pelo qual se julgava o bem e o mal.

Para Rand, como os seres humanos devem ser livres para buscar os valores que sustentam suas próprias vidas, a doutrina dos direitos individuais é indispensável para garantir a liberdade dentro de um contexto social.

            A filósofa compartilhou com muitos liberais clássicos esse compromisso com os direitos individuais e o estado de direito objetivo. Ela argumentou que, para proteger os direitos naturais do indivíduo, era necessário um monopólio do governo sobre o uso coercitivo da força. Por meio do estabelecimento de tribunais, da polícia e das forças armadas.

Afinal, o capitalismo, na sua opinião, se baseava no princípio do livre comércio e da não-agressão. Ou seja, que nenhum ser humano deveria atingir valores iniciando o uso da força contra os outros. Ayn Rand sustentava que este era o único sistema social consoante com uma existência genuinamente humana.

LEGADO

Polemista e ideóloga, Rand realmente dedicou sua vida à construção de um instituto de pensamento capaz de propagar suas concepções de organização social e liberdade. A filósofa ficou conhecida pela defesa do “egoísmo”, mas não no sentido pejorativo, e sim no sentido de que os homens lutando pelos seus próprios interesses acabam não ferindo os interesses alheios em pró da convivência. Na sua visão, todo regime que tentou coletivizar em demasiado o homem acabou em totalitarismo. Assim, para a russa – naturalizada americana – o avanço da civilização vai de encontro à maior vida privada de cada indivíduo.

Nesse sentido, o objetivismo ofereceu uma política que contrasta fortemente com a mentalidade de “guerra de bem estar”, promulgada em ambas as extremidades do espectro político.

Embora Rand tenha morrido em 1982, seu legado vive em muitos segmentos do movimento intelectual liberal. Por fim, o fato de que suas ideias despertaram o interesse de estudiosos em todo o mundo é prova de sua qualidade duradoura.

 

FONTES:

- RAND, Ayn. A Revolta de Atlas. Brasil: Editora Arqueiro; 1ª edição (3 julho 2017)

- RAND, Ayn. Ayn Rand e os devaneios do coletivismo: Breves lições. Brasil: LVM Editora 1ª Edição (2 junho 2013)

- https://objetivismo.com.br/artigo/o-que-e-objetivismo/

- https://ideiasradicais.com.br/ensinamentos-a-revolta-de-atlas-para-sua-vida/