Protocolo social para enfrentamento do coronavírus nas comunidades pobres,

Por Marcelo Garcia*

1- Identificar no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) todos os idosos em moradias sub normais como favelas, vilas, assentamentos.

2- Oferecer isolamento aos idosos que estiverem em piores situações em hotéis e pousadas credenciadas pelo governo ou em lugares alternativos. É preciso ter reserva de espaço mesmo sem casos. Para onde vão os idosos de um casa que alguém se contaminou e que mora em 2 cômodos com mais 6 pessoas?

3- Credenciar quartos de hotéis e pousadas para que adultos contaminados possam cumprir quarentena. Sem essa estratégia as pessoas seguirão em casa aumentando a transmissão comunitária e os hospitais não darão conta.

4-  Fazer ampla distribuição de água, sabonete e desinfetante nas famílias do Bolsa Família e nas inúmeras que não estão em cadastro algum (os esquecidos e invisíveis ).

5- Levar informação e comunicação de casa em casa de forma simples e direta. Carros de som podem ajudar muito.

6- Apoiar as famílias com cestas básicas para subsistência pois a renda de milhões de brasileiros  secou. Tem muito menos gente na rua e os serviços informais estão caindo. Uma mulher que não tem onde vender a sua empada é uma mãe que não tem comida para levar para os filhos.

7- Realizar cadastramento de urgência no CadÚnico para recebimento do Bolsa Família e dos programas para trabalhadores informais. Não podemos abrir mão desses recursos que chegam direto nas pessoas.

8- Estados e Municípios que tiverem recursos devem criar Rendas de Urgência por 90 dias para famílias que perderam a renda informal.

9-  Chamar novas equipes do Sistema Único da Assistência Social para atuarem nos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) com população na rua, nos abrigos e na comunicação direta com a população. Esvaziar as Secretarias e fortalecer a base de atendimento.

10- Criar Rondas Sociais nas cidades e nos bairros pobres das grandes cidades para avaliar quem precisa de isolamento e quarentena.

11-  Avaliar com o Poder Judiciário os detentos e adolescentes infratores que possam cumprir pena domiciliar.

12- As entidades sociais de convivência e serviços devem parar com reuniões e grupos e se recebem recursos públicos devem se somar a esse protocolo.

13- Realizar Atenção em Saúde de forma emergencial em abrigos de crianças e idosos. Esses não têm para onde ir mas é preciso desenhar a quarentena deles. E os idosos dependentes?

14- Fazer chamada de trabalhadores da Assistência Social para apoiar essa estratégia.

15- Dividir os estados em vários territórios Sociais com o conjunto de prefeitos atuando em parceria com comando regional, comando estadual e comando nacional para gerir esse protocolo.

16- Organizar estratégias para a Juventude. As escolas estão fechadas. Os jovens se sentem imunes ao vírus e para eles é muito difícil falar em isolamento.

17- Discutir em caráter de urgência a situação dos Moradores de Rua.

18- Não fechar os CRAS.

19 – Todos os Assistentes Sociais e Psicólogos que trabalham nas atividades ligadas à burocracia das Secretarias de Assistência Social, Educação ou outra da Administração direta ou indireta e os cedidos à Câmara de Vereadores ou Assembleias Legislativas devem trabalhar nos CRAS nos próximos 21 dias.

 

Marcelo Garcia, ex-secretário de assistência social do Rio de Janeiro.