O que esperar do resultado das eleições peruanas,

Por Cesar Maia.

A eleição ainda não acabou de fato, mas já se pode dizer que Pedro Castillo, professor de origem rural, socialista e com viés populista, será eleito o novo presidente do Peru. Sua plataforma tem propostas ultraconservadoras, com tolerância zero contra criminosos, imigração e questões de igualdade de gênero. Em relação aos rumos que a economia peruana pode tomar, com o temido fim do modelo econômico livre adotado no país desde a década de 1990, pouco se sabe de fato. E são justamente essas incertezas que trazem apreensão a elite econômica do Peru.
Ainda que seu discurso defenda uma maior distribuição de renda entre a população peruana, diminuindo a desigualdade econômica através do controle estatal das indústrias e da participação direta do Estado na economia, não existem sinais de que conseguirá levar adiante seus planos, principalmente pela forte oposição que enfrentará no Congresso eleito recentemente. Juntos, os partidos de esquerda somam cerca de 42 assentos dos 130 que compõem o Legislativo peruano. As cadeiras restantes são de direita ou centro-direita, o que deve dificultar bastante a governabilidade do provável novo Presidente. Além disso, terá pela frente a conservadora Keiko Fujimori, até então derrotada por três décimos de diferença, que certamente fará uma oposição agressiva contra Castillo.

Toda a tensão causada pela apuração das urnas, foi potencializada pelos danos causados pela pandemia no Peru, que tem atualmente a maior taxa de mortalidade por Covid-19 do mundo, com cerca de 188 mil mortos. Ainda é cedo para dizer se Castillo vai conseguir criar condições que sustentem seu objetivo de melhorar de fato a realidade econômica da população peruana. Apesar da economia do Peru ter crescido rapidamente nos últimos anos, a qualidade de vida da população não apresentou melhoras significativas. Entre 2020 e 2021, a pobreza no Peru apresentou um aumento de 10 pontos percentuais, mostrando a dificuldade a ser enfrentada pelo novo governo.

Por Cesar Maia, economista, vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro, diretor de relações internacionais do ILEC.