As faces de um partido: o PFL sob a ótica do Carlismo e do Macielismo,

Por Waldomiro Borges.

Este trabalho segue um processo de estudos que venho me dedicado desde a conclusão da minha graduação, no curso de história pela Universidade Federal de Pernambuco. Estudar um partido que teve importante papel de destaque no processo de transição política, do regime autoritário para a democracia, nos anos de 1980 é, para mim, uma grande responsabilidade política e acadêmica. A Frente Liberal, como é chamada a ala parlamentar e política que rompe com o regime militar, saindo das hostes do partido do governo, o PDS, para que, em uma aliança programática com o partido símbolo da oposição ao mesmo Regime, constituísse a vitória do candidato representado por esse conjunto opositor, o senhor Tancredo de Almeida Neves.
O PFL congregou em sua estrutura política, figuras bastante emblemáticas da política brasileira. Herdeiros de partidos que foram extintos com a promulgação do Ato Institucional nº 2, regulamentado pelo Ato complementar nº 4. As duas maiores agremiações partidárias que polarizavam a política das décadas de 1950 e 1960: o PSD e a UDN, agora congregavam-se no PFL criado em 1985. Dentre essas importantes figuras políticas, identificamos o baiano Antônio Carlos Magalhães, e o Pernambucano Marco Antônio Maciel, ambos frutos da UDN e PSD respectivamente. ACM como era chamado Antônio Carlos Magalhães, sempre teve excelente trânsito pelo gabinete presidencial do planalto com os Presidentes da República. Liderou o que ele chamava de “Revolução de 64”, acreditando que o governo do então Presidente João Goulart mergulhava o país em uma ameaça política e moral.

Marco Maciel é da escola de formação política do Ex-Governador de Pernambuco Agamenon Magalhães. Um líder político com fortes laços com o Varguismo, que governou o estado de Pernambuco por indicação do próprio Getúlio Vargas em 1937. Marco Maciel chegará a ocupar importantes cargos durante o Regime Militar, até alçar a presidência da Câmara dos deputados em 1977. Foi um importante
articulador da criação da Frente Liberal, de comandou de forma bastante conciliatória a saída do país do regime ditatorial. Ambos os políticos fizeram escola nos seus respectivos estados.

Com acentuadas marcas divergentes, ACM e Marco Maciel consagraram-se como figuras de peso inegável nas disputas internas do PFL. Os dois caciques políticos apresentaram uma agenda desenvolvimentista para seus estados, e se projetaram nacionalmente como líderes de apoio aos governos que sucedem a redemocratização. Durante os anos finais da década de 1990, juntos compunham a linha sucessória da presidência da república federativa do Brasil, sendo Marco Maciel Vice-Presidente da República e Antônio Carlos Presidente
do Senado Federal.

São com essas biografias políticas riquíssimas, que almejo desenvolver essa dissertação de conclusão de curso de pós-graduação. Apresentando as faces de um grande partido político, que possibilitou a chegada dessa nação a abertura política. Que atuou decididamente na votação da constituinte e promulgação da carta magna de 1988, e que sustentou o projeto de crescimento econômico do país com a criação da nova moeda econômica, o Real, e que, mesmo diante das divergências de suas principais figuras políticas, assumiam o compromisso de união em momentos em que a necessidade de transformação  e modernização do país os convocava para o mesmo campo de atuação, a dos interesses nacionais.

Dissertação Completa O PFL sob a ótica do Carlismo e do macielismo