América Latina, ainda acredita que 2021 será de recuperação,

Por Cesar Maia.

Apesar do quadro instável em que vivemos, a América Latina ainda acredita que 2021 será um ano de recuperação. Isso porque o pior já teria sido deixado para trás. O elevado número de mortes na região no ano passado, assim como a piora na situação econômica, a maior
desde 1821, são alguns dos fatores que levaram a crença de que o caminho pela frente seria menos tortuoso. O avanço da vacinação e a estabilidade de parte dos governos latino-americanos frente a pandemia podem ter contribuído para isso também. A má notícia é que estudos recentes mostram que a pandemia da covid-19 teve consequências ainda mais graves do que imaginado até então. Grupos mais vulneráveis, como trabalhadores informais, foram duramente atingidos e sua recuperação se dará de forma ainda mais lenta.

Além disso, temos a questão das escolas, que devem ficar fechadas por mais tempo do que o previsto, causando um atraso no desenvolvimento educacional da região. O Banco Mundial estima que isso representaria uma redução de cerca de 10% dos ganhos no mercado de trabalho da América Latina. E, apesar dos auxílios emergenciais dados pelos governos terem chegado a cerca de 60%
dos latino-americanos em 2020, a pobreza na região aumentou em 3 pontos percentuais, indo para 33,7%, índice mais alto desde 2006.Obviamente, sem esses auxílios, essa diferença seria muito maior, fazendo com que o abismo de desigualdade se aprofundasse
ainda mais.

O mercado informal foi duramente atingido. Levantamentos mostram que, em países como Brasil e México, mais de 70% dos empregos perdidos em 2020 foram justamente nesse setor, já normalmente fragilizado e sem as garantias do setor formal. A previsão do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), caso esse cenário de fraca recuperação econômica se consolide, é o aumento de empregos no setor informal, com uma piora na qualidade de vida desses trabalhadores.

Cesar Maia, economista, vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e diretor de assuntos internacionais do ILEC.