Afinal, como e onde estão os refugiados da Guerra na Ucrânia?

Em meio aos noticiários de escalada bélica e tratativas inconclusivas de negociação, uma pergunta surge: Afinal, como e onde estão os refugiados da Guerra na Ucrânia? Mais de 1 milhão de civis já fugiram da Ucrânia, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Estimativas da União Europeia (UE) indicam que o total de pessoas tentando deixar o país por causa da invasão russa possa chegar a 4 milhões. A União Europeia, por sua vez, flexibilizou as regras para o acolhimento de refugiados e estabeleceu que seus Estados-membros receberão aqueles vindos da Ucrânia.

ACOLHIMENTO

Os refugiados do extremo leste europeu estão cruzando as fronteiras, em especial rumo a países localizados no lado ocidental da Ucrânia, como Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia, mas também Moldova, ao sul. Milhares também foram até para a Rússia, e um contingente menor, para Belarus.

Segundo a ONU, entre os países que mais receberam ucranianos nos últimos dias, até 3 de março, estão:

  • Polônia recebeu mais de 500 mil pessoas
  • Hungria, mais de 130 mil pessoas
  • Moldova, quase 100 mil pessoas
  • Eslováquia, mais de 70 mil pessoas
  • Romênia, aproximadamente 50 mil pessoas
  • Rússia, quase 50 mil pessoas
  • Belarus, mais de 30 mil pessoas

Desses, quase 90 mil pessoas já deixaram esses países em direção a outras nações na Europa.

ROTA DE FUGA

Sob temperaturas congelantes, muitos esperaram até 60 horas para cruzar a fronteira com a Polônia. Aqueles que entram na Romênia têm esperado até 20 horas. Muitos outros não têm conseguido embarcar em trens para deixar cidades ucranianas – o que tem levantado a discussão ao redor do mundo de casos de racismo contra refugiados com fenótipo diferente dos padrões europeus.

Os refugiados estão sendo informados de que não precisam de documentos para entrar em países vizinhos, mas deveriam, preferencialmente, ter seus passaportes nacionais ou internacionais, certidões de nascimento das crianças viajando com eles e documentação médica. Para obter status de refugiados, eles precisam ser cidadãos ucranianos ou estar vivendo legalmente na Ucrânia, como é o caso de estudantes estrangeiros.

TIPOS DE AJUDA

Na Polônia e em outros países que fazem fronteira com a Ucrânia, refugiados podem ficar em centros de acolhimento se não tiverem amigos ou parentes que possam acomodá-los –eles recebem comida e atendimento médico. A Polônia também está preparando um trem médico para transportar ucranianos feridos.

Hungria e Romênia estão oferecendo ajuda financeira para aquisição de comida e roupas – crianças estão recebendo vagas em escolas locais. A República Tcheca permitirá que os refugiados solicitem um tipo especial de vistos para permanecer no país.

Polônia e Eslováquia pediram ajuda a UE em seus esforços de assistência aos refugiados. Em resposta, a Grécia e a Alemanha estão enviando tendas, cobertores e máscaras para a Eslováquia, enquanto a França está enviando medicamentos e outros equipamentos clínicos para a Polônia.

A União Europeia está preparando a oferta, para ucranianos que estão fugindo do conflito, um direito de permanência e trabalho por até três anos em todas as 27 nações do bloco –eles também devem receber assistência social e acesso a moradia, atendimento médico e escola para as crianças.

E OS QUE NÃO CONSEGUIRAM SAIR?

A ONU estima que pelo menos 160 mil pessoas na Ucrânia que fugiram da guerra estejam dispersas dentro de seu próprio país.

A UE acredita que o número possa crescer e atingir 7 milhões e que 18 milhões de ucranianos serão afetados pela guerra.

A agência da ONU para refugiados, ACNUR, diz que estão tentando ajudar aqueles dispersos internamente, mas a guerra está fazendo com que viajar pela Ucrânia se torne perigoso para trabalhadores humanitários. A ONU disse estar preparando a entrega de assistência na parte ocidental da Ucrânia, onde o acesso é mais fácil.

Em resumo, apesar das perdas irreparáveis, nunca antes houve uma mobilização tão grande de toda Europa para ajudar refugiados de conflitos bélicos, como no caso da Guerra na Ucrânia. Essa situação evidencia que as memórias de Guerra são tão vivas no antigo continente que, em todas as hipóteses, o sentimento de pertencimento e unidade é instaurado e as pessoas percebem os vizinhos como se fossem si mesmos.