04/12/2013

“Dilma não tem estratégia adequada para a economia, que não sai da letargia”


 

 

"Governo no labirinto", editorial da Folha de São Paulo

 

Queda da Petrobras é mais uma evidência de que gestão Dilma não tem estratégia adequada para a economia, que não sai da letargia

 

A queda de 10% no preço das ações da Petrobras na segunda-feira foi resultado direto do que já era intuído nas últimas semanas. A empresa permanece refém de uma política econômica inepta e eleitoreira, que acumula número cada vez maior de reveses.

 

Havia, entre investidores, a esperança de que o governo anunciasse uma nova política de preços para combustíveis capaz de dar algum respiro à Petrobras, há anos sufocada pelo populismo tarifário.

 

O aumento de 4% para a gasolina e de 8% para o diesel, destinado a reforçar o caixa da estatal, provocou decepção generalizada. Não só por ser uma correção insuficiente para eliminar a defasagem em relação aos preços internacionais, mas também por parecer feita na medida para a inflação neste ano ficar abaixo dos 5,84% registrados em 2012.

 

Foi mal recebida, ainda, a decisão do governo de manter secreta a fórmula de reajuste de preços –o que até permite especular sobre sua existência–, cuja função seria justamente dar mais previsibilidade ao fluxo de caixa da Petrobras.

 

São sinais eloquentes de que a estatal continuará uma marionete nas mãos do governo, queimando preciosos recursos que deveriam ser direcionados ao investimento.

 

Em si ruim, a novela dos combustíveis é apenas mais uma evidência de que o governo está preso em seu labirinto, acuado e incapaz de formular uma estratégia adequada para a gestão da economia.

 

A inflação permanece alta, os juros sobem, o dólar ameaça aumentar com mais intensidade, os resultados das contas públicas pioram e é cada vez mais claro que a economia crescerá pouco em 2014.

 

A retração de 0,5% no PIB do terceiro trimestre, em relação aos três meses anteriores, quase descarta uma expansão de 2,5% no ano –desempenho que já seria pífio. Para 2014, analistas começam a projetar resultado abaixo de 2%.

 

É particularmente preocupante que o PIB tenha encolhido sobretudo por causa dos investimentos, que caíram 2,2% no trimestre. Com isso, o acumulado do ano, positivo, apenas recuperará o tombo de 4% observado em 2012. Na prática, a taxa de investimento do Brasil permanece em parcos 18,6% do PIB, muito abaixo dos 25% da média dos emergentes e compatíveis com um crescimento de 4% ao ano.

 

Há, sem dúvida, um dado positivo: o desemprego de 5,2% é o menor da história. Este é o único –e fundamental– indicador que destoa no quadro geral de dificuldades. Não se sabe até quando, pois renda, crédito e consumo crescem menos que no passado.

 

Talvez por aí se explique, com a ajuda das eleições, a resistência do governo a adotar grandes medidas saneadoras da economia. À luz da rapidez com que os problemas se acumulam, a teimosia pode custar muito caro ao país.