30/04/2014

Caridade internacional com o chapéu do povo


Paulo Gouvêa da Costa

Ex-Deputado Federal, Presidente DEM-SC.

 

Há uma coisa que me intriga: porque cargas d’água o nosso País ajuda tanto outros países, como Cuba, Bolívia e diversas ditaduras africanas? Essa bondade do governo brasileiro seria talvez motivada por aguma forma internacional de caridade cristã? Argumentos desse tipo soam nobres, mas são falsos. É evidente que toda a motivação caridosa que um governo possa ter deve ser devotada, em primeiro lugar, aos seus próprios cidadãos. Só é justo levar recursos de dentro para fora do País quando as necessidades do próprio povo já estão suficientemente atendidadas. E esse certamente não é o caso do Brasil.

O povo brasileiro tomou conhecimento algumas semanas atrás que os governos de Lula e de Dilma, em sequencia, patrocinaram a construção, em Cuba, de um dos mais modernos portos do mundo. Mais de um bilhão de dólares estão saindo do nosso Banco de Desenvolvimento Econômico e Social para os cubanos. E a evidência de que alguma coisa esquisita está embutida nessa magnanimidade é que o contrato assinado com o governo cubano é secreto. Ninguém pode por os olhos nele.

Na Bolívia foi construida uma estrada que liga dois municípios daquele país. Custo para o Brasil: trezentos e trinta milhões de dólares. E a nossa BR 470 vem capengando por falta de dinheiro. Na África,então, nosso trêfego ex-presidente deitou, rolou e abriu os cofres brasileiros. Andou por lá diversas vezes, distribuindo obras com os recursos que faltam aqui. E os brasileiros, além de pagar essa conta, correm o permanente risco de levar calote. Os países africanos são useiros e vezeiros em programar o pagamento dessas dívidas para o dia de São Nunca. E depois, generosamente, Lula e Dilma perdoam o que eles deviam, cancelam o débito, fica tudo por isso mesmo.  Os bilhões despejados em Cuba e na Bolívia têm grande chance de acabarem também pendurados no prego.

Há um denso e suspeito nevoeiro envolvendo esta prodigalidade dos governos do PT com seus amigos e aliados de além fronteiras. E só há dois remédios de efeito imediato para esse mal. O primeiro é trocar, em outubro, o time que hoje nos governa. E, preventivamente, olhando a prazo mais longo, proibir o Governo de fazer caridade lá fora com o chapéu do nosso povo. Pelo menos até que sejam construídas as estradas que nos faltam e garantidos saúde, educação e segurança de qualidade para toda nossa gente.