21/01/2014

Assassinatos na América Latina: 330 milhões de anos de vida em um ano!


Cesar Maia*

 

Recentemente foram noticiados dados da violência na América Latina. Os números impressionam. Em apenas um ano, 330 milhões de anos de vida foram perdidos na região. Apesar do crescimento econômico apresentado na última década, a América Latina não conseguiu impedir o aumento da criminalidade que veio a reboque. Nesse período, o crescimento econômico sustentado foi de 4,2%, o que, em teoria, significa cerca de 70 milhões de pessoas fora da “zona de pobreza”. Mas isso não foi suficiente para que as taxas de homicídio diminuíssem. Ao invés disso, atualmente essas taxas aumentaram, com números que chegam aos 100 mil homicídios por ano. De 2000 a 2010, temos a impressionantes cifra de 1 milhão de homicídios. Recentes pesquisas mostram que os latino americanos tem “a menor sensação de segurança do mundo”.

 

O diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Insegurança e Violência (Celiv), da Universidade Nacional Tres de Febrero, Dr. Marcelo Bergman, disse em recente entrevista que o custo do crime pode ser avaliado de várias maneiras. Uma das opções é "medir o custo por anos de vidas perdidas".  Se, por exemplo, a pessoa é assassinada aos 20, e a expectativa de vida daquele país é 70 anos, pode-se dizer que foram perdidos 50 anos de vida dessa pessoa. De acordo com esse raciocínio, podemos estimar para cada país o número de meses de vida perdidos por excesso de homicídios, um número que é multiplicado pela população desse país. No caso do Brasil, houve uma perda de oito meses em sua expectativa de vida. Levando em consideração seus cerca de 190 milhões de pessoas, o resultado dessa multiplicação significa mais de 100 milhões de anos de vida perdidos.

 

De acordo com o relatório do Celiv, e considerando os 15 países da América Latina, em 2009 a região perdeu aproximadamente 331 milhões de anos de vida. Diz ainda que "o ambiente em que as pessoas nascem continua determinando o seu futuro". Isso em uma região que, entre 2008 e 2010, concentrava oito dos dez países do mundo com maior índice de desigualdade de renda.  O PNUD faz um alerta: a política de repressão da criminalidade coincidiu muitas vezes com o aumento da criminalidade.

 

De acordo com o Diretor do Celiv, Bergman, “não existe fórmula mágica, não existe uma só decisão, ou o conjunto de três ou quatro decisões, que irão resolver o problema. Não existe lei de tolerância zero ou de “mão pesada”, ou de promover educação para todos, que vai resolver esses problemas, são muitas coisas para serem feitas". O relatório conclui com algumas recomendações fundamentais para combater o problema: modernização da polícia, fortalecimento do sistema de justiça reduzindo a impunidade e a punição da violência contra as mulheres.

 

* Economista. Foi prefeito do Rio de Janeiro por três vezes. É vereador do Rio/DEM