30/10/2018

As palavras que venceram a eleição


Por José Carlos Aleluia*

“Não é o que você diz. Mas o que as pessoas ouvem”. Este mantra do especialista em opinião pública americano Frank Luntz me veio à cabeça ao assistir ao discurso da vitória de Jair Bolsonaro, neste domingo (28), e o uso específico de algumas palavras-chave em sua comunicação.

Um texto que gira em torno de “Liberdade” e “Verdade”. Bolsonaro falou em “desamarrar” o país e que precisamos “de mais Brasil e menos Brasília”. Afirmou que o governo vai “quebrar paradigmas”, “desburocratizar”, “simplificar” e “permitir que o cidadão “tenha mais LIBERDADE para criar e construir e seu futuro”.

Há mais de 10 anos li o best-seller de Luntz, “Palavras Que Funcionam”, uma espécie de bíblia da comunicação política americana que defende que a linguagem eleitoral precisa ter personalidade própria e inspirar sinceridade. Quem mais na política brasileira conseguiu personificar estes conceitos nos últimos anos, senão Jair Bolsonaro?

Ao buscar o livro em minha biblioteca, encontrei algumas palavras que grifei há uma década e que parecem que foram feitas como balanço da última eleição. “Autenticidade tem se tornado essencial na comunicação política porque sugere honestidade e verdade em uma era de desconfiança”. Outra: “A linguagem da esperança e da oportunidade funciona com todos”.

É preciso reconhecer a relevância histórica do feito de Bolsonaro e de sua comunicação horizontalizada. O homem que derrotou o PT partiu de baixo pra cima e mudou a forma de dialogar sobre política no Brasil. “Quebrou o paradigma” do controle sobre a forma de se comunicar politicamente com os mais carentes. Venceu o messianismo de Lula, o terrorismo retórico da esquerda e todo o estabilishment do marketing eleitoral no Brasil.

Luntz diz que a melhor forma de se comunicar com uma massa de eleitores transcendendo divisões partidárias é usando palavras que ninguém seja capaz de discordar. No último domingo, a palavra “Liberdade” foi repetida 11 vezes no discurso da vitória. Mais que um valor, um termo universal de esperança com passe livre em todos os grupos de Whatsapp do país. Bolsonaro abriu seu governo a todos.

“Liberdade é um princípio fundamental: liberdade de ir e vir, de andar nas ruas, em todos os lugares deste país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de informar e ter opinião. Liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas.”

As palavras importam. Nesta eleições, elas foram protagonistas dos altos e baixos de uma campanha vitoriosa e que mudou para sempre a política no Brasil. Que o nosso futuro presidente tenha isso em mente ao aproveitar esta grande honra que é falar, de forma inédita, sem intermediários, ao coração do povo brasileiro.

*Deputado Federal (BA) e Presidente do Instituto Liberdade e Cidadania