O custo do abandono escolar, Por Mendonça Filho

Por qualquer ângulo que se olhe, o abandono escolar é um flagelo social. A incapacidade de o Brasil encontrar soluções...

Por qualquer ângulo que se olhe, o abandono escolar é um flagelo social. A incapacidade de o Brasil encontrar soluções efetivas para o problema só acumula perdas. O estudo “Consequências da Violação do Direito à Educação Básica”, feito em parceria da Fundação Roberto Marinho com o Insper para medir o custo que o país tem com a evasão escolar mostra um quadro surreal. O custo para um aluno concluir os 14 anos da educação básica é de R$ 90 mil. Se o mesmo aluno não frequentar a escola, o valor chega a R$ 372 mil.

Nessa matemática dos horrores, o Brasil perde anualmente R$ 214 bilhões com a evasão escolar, o equivale a 3% do PIB brasileiro. O estudo, feito pelos economistas Ricardo Paes de Barros e Laura Machado, destaca-se pelo ineditismo de mensurar essa perda e revelar que o custo de um jovem fora da escola supera o PIB per capita de uma década.  Mais do que números, esses dados são histórias de vidas, a quem está sendo negado o direito de estudar, de sonhar e de ter um futuro diferente.

A pesquisa considerou fatores como empregabilidade e remuneração dos jovens; efeitos que a remuneração dos jovens tem para a sociedade, longevidade com qualidade de vida e violência. Os resultados expõem de forma chocante a ineficiência do uso de recursos, o impacto econômico negativo e a tragédia social a qual estão submetidos cerca de 17,5% dos alunos que abandonaram a escola.

Afinal, porque não conseguimos impedir que parcela expressiva dos nossos jovens se perca pelo caminho fora da sala de aula? O problema é complexo e com múltiplas dimensões. Especialistas consideram que o problema tem dois eixos principais. O externo ao ambiente escolar – desestruturação familiar, gravidez na adolescência, problemas emocionais, a maioria relacionada com a desigualdade social – e o interno, com a própria escola e o ensino sendo fatores de desestímulo, por não dialogarem com o estudante e não serem identificados como perspectiva de futuro.

O Novo Ensino Médio, entregue pela nossa gestão no Ministério da Educação, em 2017, atacou uma das pontas do problema. Ou seja, oferecer um novo modelo de ensino que dialogue com o jovem, permitindo que o jovem projete seu futuro entre o ensino técnico e o superior. Os estudos mostram que, ao concluir o ensino médio, o jovem tem mais acesso a empregos formais, maior remuneração e melhorias na qualidade e na expectativa de vida.  O estudo da Fundação Roberto Marinho e do Insper ampliam o diagnóstico e apontam para a urgência de soluções efetivas.

 

Mendonça Filho, ex-ministro da Educação e consultor da Fundação Lemann.

Artigo publicado no Jornal do Commercio de PE. 22/05/2021

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