Novo ensino Médio, urgência e relevância, Por Mendonça Filho

      No momento que começa a ser implementado no Brasil, o Novo Ensino Médio desperta o interesse fora...

      No momento que começa a ser implementado no Brasil, o Novo Ensino Médio desperta o interesse fora do país e está sendo estudado na Facultad de Educación de la Universidad Diego Portales, do Chile, sob a coordenação dos professores Cristián Cox e Paula Louzano, em parceria com Lara Simielli, da Fundação Getúlio Vargas. O estudo comparado entre as reformas do médio aqui e no Chile visa compreender, além da questão educacional propriamente dita, o processo que levou o Brasil a fazer, em 20017, a maior reforma educacional, desde a Lei de Diretrizes e Bases, aprovada na década de 90.

      Na semana passada dei entrevista aos professores Cristián Cox, Paula Louzano e Lara Simielli na condição de ministro da Educação que entregou ao país a reforma do ensino médio. Na conversa, disse que essa mudança estrutural pode ser contada em vários capítulos, com diversas nuances. No entanto, decisão política, convicção da urgência e da relevância do tema e coragem para enfrentar as adversidades, num dos momentos mais turbulentos da história política recente do país, foram decisivas e estão presentes em qualquer que seja o ângulo de visão.

    Quando levei ao presidente Temer a proposta de reforma do ensino médio por medida provisória, tinha consciência que geraria polêmica, como de fato gerou. No entanto, a convicção de que poucos temas no país eram tão urgentes e relevantes como a mudança do ensino médio nos fez enfrentar e driblar todas as dificuldades. Será que não era urgente e relevante mudar um modelo de ensino que acumulava altas taxas de evasão e baixíssimo desempenho de aprendizagem?

    Os indicadores eram dramáticos: 43% dos jovens até 19 anos não concluíam o médio; 1,7 milhões dos jovens de 15 a 24 anos nem estudavam e nem trabalhavam; 82% dos jovens concluíam o ensino médio sem qualificação profissional e em atividades de baixa qualificação.  Porque no Brasil projetos da área econômica podiam ser por MP e da educacional não? A questão é que o país só tinha olhos para as pautas políticas e econômicas. Ao lançarmos a reforma do Ensino Médio, o tema Educação se tornou destaque na agenda nacional, dividindo o debate da Câmara dos Deputados com a PEC do Teto e a Reforma da Previdência.

    Passados cinco anos, o Novo Ensino Médio virou realidade e vai impactar, a partir de 2022, em todo o país, a vida de milhões de brasileiros ao permitir o protagonismo aos jovens, oferecer diferentes itinerários formativos com a flexibilização da grade curricular. Um modelo mais próximo das expectativas de vida, das vocações e dos sonhos dos jovens e das novas demandas profissionais do mercado de trabalho.

Mendonça Filho, ex-ministro da Educação e consultor da Fundação Lemann.