Marco Maciel, o político mais atencioso do Brasil, Por Paulo Gouvêa da Costa *

Muito se pode falar sobre múltiplas facetas do recentemente falecido Vice-Presidente Marco Maciel. Ele foi, reconhecidamente, o vice dos sonhos...

Muito se pode falar sobre múltiplas facetas do recentemente falecido Vice-Presidente Marco Maciel. Ele foi, reconhecidamente, o vice dos sonhos de qualquer presidente: discreto, bom conselheiro, excelente interlocutor para missões difíceis, extremamente leal. Na política partidária, era um agregador e um doutrinador. Intelectual respeitado ele usava deste talento para dotar seu PFL de conteúdo ideológico. Produziu no partido uma série de “cadernos” em que ele incutia balizamentos doutrinários e especialistas em diversos assuntos faziam análise de temas importantes do momento. No esforço para que essa produção não esmorecesse, inventou um “almoço de idéias” entre as 12 e às 14 horas no qual, seguindo seus costumes espartanos alguns parlamentares, assessores do partido e de seu Instituto e outros convidados comiam sanduíches e ouviam uma palestra concisa sobre algum tema da teoria ou da realidade política. A apresentação era gravada e depois publicada em mais um caderno.
O que mais me impressionou, contudo, na convivência que tive a felicidade de ter com Marco Maciel, foi sua amabilidade e sua capacidade de ser atencioso com as pessoas. Sobre isso quero dar um testemunho. É sabido que um presidente não tem tempo para receber prefeitos e vereadores. Com FHC só algo bastante importante ou que justificasse uma ótima fotografia podia quebrar essa regra. Quando eu era deputado consegui que o Presidente recebesse uma comitiva de São Joaquim, a “Capital da Maçã” do meu estado de Santa Catarina, que queria entregar a ele convite para comparecer à Festa Nacional desse fruto tão atraente. No grupo estaria o Prefeito, algum vereador, empresários e a maçã no bolo: a Rainha e as princesas da festa em seus trajes típicos. Estava garantida a boa foto. E todos foram recebidos em grande estilo pelo cativante Fernando Henrique. Mas, isso era raridade. O normal é que ele pedisse para o Vice-Presidente receber prefeitos e vereadores.
E aí chegamos onde eu queria chegar.
Nos oito anos em que fui deputado, coincidentes com os oito em que Marco foi Vice-Presidente, aproveitei o coleguismo partidário e a amizade, para levar hordas de prefeitos e vereadores catarinenses ao seu gabinete. Era uma maravilha. Mesmo quando os visitantes eram muitos, Marco cumprimentava um a um individualmente, olhando nos olhos, perguntando o nome, o que fazia. Conversava amavelmente sobre assuntos do nosso Estado e coisas da República, tudo sem pressa, como se aquela reunião fosse muito importante para ele. Recebia cópias dos pedidos de verbas e de tudo mais que o pessoal levava para ministros e outras autoridades. Quando percebia que alguma das solicitações era urgente – como um auxílio em caso de enchente, por exemplo – Marco telefonava na hora para o ministro da área pedindo prioridade para aquele caso. Depois dava a eles e elas publicações com textos de sua autoria, autografadas. E finalmente, tirava fotos à exaustão – em grupo e com cada um dos felizes prefeitos e vereadores. A turma saia de lá encantada com as provas do sucesso da sua viagem à Brasília e, mais ainda, muito mais, com a extraordinária afetuosidade do Vice-Presidente da República, Marco Maciel.

Paulo Gouvêa da Costa, Mestre em Direito do Estado pela USP, Mestre em Política Pública Internacional (MIPP) pela Universidade Johns Hopkins, Ex-Deputado Federal; atual Suplente de Senador. Diretor do Ilec.