Investimento Público x Privado, Por Écio Costa

Biden sancionou o seu projeto de infraestrutura de US$ 1 Trilhão que era uma promessa de campanha. O projeto foi...

Biden sancionou o seu projeto de infraestrutura de US$ 1 Trilhão que era uma promessa de campanha. O projeto foi aprovado nas duas casas legislativas do Congresso Americano e contou com votos dos Republicanos, inclusive. O plano contempla investimentos em estradas; pontes; trens de passageiros e mercadorias; sistemas de trânsito; internet; saneamento e outras áreas. Os EUA têm credibilidade para fazer mais essa dívida?

Os investimentos serão custeados por um aumento do endividamento, que já é bastante elevado nos EUA, mas vale lembrar que a moeda americana está entre as mais fortes no mundo e os títulos americanos têm o maior rating possível.

A preocupação com a inflação nos EUA está levando o Federal Reserve (FED, Banco Central Americano) a diminuir seu programa de compra de títulos e talvez elevar os juros em 2022. O plano de US$ 1 Trilhão em investimentos públicos vai pressionar a inflação, pois irá demandar insumos baseados em commodities minerais que têm apresentado forte elevação de preços. Por outro lado, deve também gerar mais empregos e vai ser executado em 5 anos.

Aqui no Brasil, não temos uma moeda forte e nossos títulos até têm credibilidade, mas não somos grau de investimento. Perdemos esse status quando o país começou a apresentar déficits primários alguns anos atrás. Não temos orçamento para efetuar vultosos investimentos em infraestrutura, pois nosso orçamento é engessado demais por rubricas obrigatórias que comprometem 95% dos recursos. A Reforma da Previdência ajudou para que essa situação não fosse ainda pior, mas o ritmo de crescimento das despesas ainda é grande e inviabiliza os investimentos públicos.

Os investimentos em infraestrutura no Brasil estão acontecendo através de concessões nos setores de telecomunicações, saneamento, energia, rodovias, aeroportos e ferrovias, com investimentos acima de R$ 150 Bilhões e que foram negociados ao longo da atual gestão federal. A previsão é que em 2022, no primeiro trimestre, novas concessões e possíveis privatizações aumentem esse valor.

Enquanto não pudermos ter uma situação fiscal mais sólida, para conseguir retomar o grau de investimento, através das importantes reformas estruturais, como a administrativa e o combate aos supersalários, que abrem espaço orçamentário, a solução será contar mesmo com o capital privado.

Écio Costa, economista, professor de economia da UFPE e consultor de empresas.