Adeus, amigo!, Por Joel de Hollanda.

Liberto está, enfim, O escravo do servir. Descansar vai agora O cidadão que dedicou Sessenta anos de vida ao Trabalho...

Liberto está, enfim,
O escravo do servir.
Descansar vai agora
O cidadão que dedicou
Sessenta anos de vida ao
Trabalho pelo bem comum
(Sem uma mácula sequer).

O homem público que
Com sacrifício próprio
E devoção de sacerdote
Deu voz aos esquecidos
Amparo aos carentes
Esperança aos desolados.

O obstinado
Engenheiro social
Vencedor de impossíveis
Construtor de pontes
Artesão do diálogo.

Tudo graças à sua
Habilidade de
Suplantar vaidades
Acalmar espíritos
Encorajar convergências
Plantar futuros
E oferecer ao Brasil
Caminhos e soluções.

Sim, a abominável
Viajante das trevas
Apagou para sempre
A mente resplendente
De Marco Maciel:
Singular Político
Estadista
E de gerações de jovens
Exemplo e inspiração.

A desalmada criatura
Roubou do nosso convívio
Ser humano puro gentil
Franciscanamente humilde.
Trabalhador incansável no
Debulhar das horas de dias espichados
E de solitárias noites alongadas.

Homem bom
Apoucado de corpo
Mas robusto de caráter.

Os cargos públicos mais
Cobiçados do país exerceu
Sem deles jamais se beneficiar.

Oitenta e quatro vezes assumiu
A presidência da República
Mas nunca permitiu que
Frívola vaidade ou
Indecorosa arrogância-
Tão comuns a certos políticos-
O impedissem de enxergar e
Acolher como irmãos
Pessoas humildes que
Da sua mão necessitavam.

Vivia sem se exibir
Ouvia sem julgar
Falava sem ferir
Ajudava sem cobrar.

Como límpido espelho
Esses gestos e atitudes
Refletem a essência
De um ser diferenciado
E de alma grande.

O´, impiedosa dama da foice
Por que tão cedo ceifastes a
Vida do cidadão
Íntegro e vertical
Que tanto ainda
Poderia dar ao Brasil?

Por que privastes Pernambuco do
Filho leal devotado que
Tinha como razão de existir
Servir ao próximo e ao país?
E cuja fecunda ação política
Buscava um só objetivo:
Completar a obra de Nabuco:
Libertar dos desvalidos
Os grilhões da pobreza.

Sim, levastes logo ele
Vivo exemplo do patriotismo
Plantado em Guararapes
E regado com o sangue
Dos heróis que lá tombaram.

O’, pavorosa habitante das sombras
Por que afastastes de mim o
Mestre especial e dedicado amigo
Se tanto tinha ainda a aprender
E se tanto me faz falta
Sua meiga afável presença?

Porém, vos digo:
Em vão foi o golpe vil
Da tua traiçoeira lâmina:
Feristes do homem
O corpo franzino
Mas sua alma
Exultante
Está aos pés do Criador
Porque preciosa é
Aos olhos do Senhor
A morte dos Seus servos.
Amém